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Membros da Comissão Nacional Eleitoral de Angola vieram ao final da tarde desta quinta-feira distanciar-se dos resultados provisórios apresentados pela própria CNE, por não saberem quem os produziu.

O espectro da fraude volta a pairar sobre as eleições em Angola, e desta vez, a guerra dos números coloca em lados opostos elementos da própria entidade fiscalizadora do processo eleitoral, este ano tendo como observadores, entre mais de uma centena de personalidades estrangeiras, o ex-primeiro-ministro, José Maria Neves, e Pedro Pires, ex-presidente da República.

Com efeito, alguns membros da Comissão Nacional Eleitoral de Angola (CNE) anunciaram esta quinta-feira, em Luanda, que não se revêem nos resultados divulgados pela próprio CNE algumas horas antes, e que dão ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) a vitória nas eleições presidenciais que se realizaram nesta quarta-feira.

Ao início da tarde, o MPLA anunciou que tinha vencido as eleições com 64,57% dos votos, numa altura em tinham sido escrutinadas 65,53% das assembleias de voto, tendo a UNITA conseguido 24,4%. Estes números, a confirmarem-se, representam uma “maioria qualificada assegurada”, ou seja, acima dos 66%. A oposição e alguns movimentos civis que também se opõem ao governo fizeram, porém, outras contagens e, apesar de avançarem também com uma vitória do MPLA, dizem que o partido ficou aquém da maioria absoluta.

Só que num acto inédito, em conferência de imprensa que decorreu ao final da tarde de hoje, 24, alguns membros do CNE afirmaram aos jornalistas que não se revêem nos números apresentados pelo próprio organismo para o qual trabalham por não terem sido chamados, como é a sua função, a contar esses mesmos votos.

“Não nos revemos na comunicação da CNE porque não foi feita com base nos preceitos legais, nem participamos na produção daqueles resultados. Com base na lei, cabe à CNE congregar os resultados eleitorais apurados por cada uma das candidaturas nas mesas de voto, com base nas informações fornecidas pelas comissões provinciais eleitorais que são os órgãos locais da CNE. Nenhuma comissão se reuniu para produzir os resultados que foram anunciados. Aqui estão membros da coordenação técnica do centro de escrutínio e eles não participaram na produção daqueles resultados”, referiu um dos membros da CNE que participou na conferência de imprensa e cotado por vários órgãos de comunicação social angolanos e estrangeiros.

“Sentimos que fizemos um juramento perante a pátria e é nosso dever enquanto servidores públicos do Estado angolano servir a pátria com lealdade e primar para que todos os nossos atos sigam conforme a Constituição e a lei. Infelizmente, este último ato não foi feito nestes termos e por isso gostaríamos de dizer claramente que a nossa posição é contrária a esta posição que viola a lei”, ouve-se no vídeo. O porta-voz no grupo não chega a dizer o seu nome no vídeo colocado no Facebook pela jornalista Ana Margoso, mas apresenta os outros membros do grupo. Logo depois, toma a palavra o membro da CNE Miguel Francisco que faz questão de frisar que a comunicação não é um ato de contestação aos resultados.

“Queria que ficasse aqui bem vincado que o que se trata aqui não é de contestar os resultados das eleições. Cabe aos partidos aferir a bondade ou não dos resultados que foram comunicados hoje. No meu caso particular, como membro do grupo técnico do centro de escrutínio não tive conhecimento algum deste documento que hoje nos foi apresentado. Não sabemos qual é a proveniência, quem o produziu e, de forma surpreendente, o documento apareceu já feito para que a ele nos vinculássemos”, disse o técnico.

O mandatário da UNITA na CNE, José Pedro Cachiungo, disse à Televisão Pública de Angola que os números apresentados esta tarde são falsos. “Esses resultados são falsos. São falsos na sua produção, são falsos na sua dimensão, são falsos comparados com os que nós temos”, garantiu.

Com Observador



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