A polícia executou esta terça-feira, 02, uma ordem de despejo de duas famílias que ocuparam, à força, dois apartamentos da Imobiliária Fundiária e Habitat (IFH), em Sal Rei, deixando desalojadas as duas famílias.
Denise Gomes, uma das mães, diagnosticada com cancro de colo de útero e está desempregada, contou que foi informada de que estavam em sua casa para realizar o despejo, hoje de manhã quando estava no hospital para uma consulta.
“Cheguei e falei com os policiais, eles disseram que tinha de tirar as minhas coisas da casa, comecei a retirar, mas uma pessoa disse-me para parar porque se foram despejar eles é que tinham de retirar as coisas e também parei porque já estava a sentir dores pelo meu problema de saúde”, conta Denise Gomes.
A mesma indicou que assinou um documento lhe foi entregue por um senhor que lhe terá dado garantias de que ela e os seus três filhos menores iam ser colocados em dois quartos com uma casa de banho por 15 mil escudos, e hoje o mesmo indicou que só iam conseguir guardar as suas coisas.
Denise Gomes reconheceu que esteve “errada ao invadir”, por não terem onde morar, mas disse também que já lhes tinha dito que entregaria a casa, porque está prestes a deslocar-se para São Vicente para iniciar o seu tratamento e, por isso, assinou o papel confiando que lhe dariam um lugar no complexo IPOMEA de Marrocos.
Mas agora encontra-se desamparada, desde as 09:00 da manhã, com os três filhos na rua, sem onde ficar, pois as 48 horas de prazo que lhe deram na sexta-feira, quando entregaram o papel, não foram suficientes para encontrar um lugar onde ficar, sobretudo, na sua situação.
Uma “amiga” das duas mães, que estava presente no local no momento do despejo, mas não quis identificar-se, disse que foi chamada pela outra mãe, Gisela Santos, que agora se encontra detida, alegadamente, por desacato à autoridade, para que fosse até a sua casa ver o que passava porque o seu filho menor estava em casa sozinho.
A “amiga” conta que Denise Gomes e Gisela Santos já tinham enviado uma carta pedindo que as deixassem pagar um preço dentro do razoável, porque estavam sem trabalho, mas o pedido não foi aceite.
A “amiga”, que diz ter testemunhado a cena, afirma que os policiais vieram atrás dela dizendo que a iam algemar e que estava sendo presa por desacato à autoridade, nisto a detida pediu que a amiga filmasse, mas a mesma não o fez, pois, um dos policiais disse que “poderia até filmar, mas que iam apreender o seu telemóvel se o fizesse, pois ela poderia adulterar as imagens”.
A imprensa tentou entrar em contacto com os representantes da IFH e da Polícia Nacional na Boa Vista, mas até ao fecho desta peça, não tinha sido possível.
Comentários
Pedro Silva, 3 de Abr de 2025
Somente o nome do projeto criou toda confusao. A tendencia sempre e interpretar e conotar da forma que nos convem. Nao se acha no chao um empreendimento feito a custa de um credito . Diga se de passagem , credito que esta a dar ao Estado muita quebra cabeca
Responder
O seu comentário foi registado com sucesso.