Guiné-Bissau: Fernando Dias da Costa rejeita “transição” golpista
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Guiné-Bissau: Fernando Dias da Costa rejeita “transição” golpista

Em comunicado, a direção de campanha da candidatura à presidência da República nas eleições de 23 de novembro, denunciou ontem a detenção arbitrária e perseguição política contra Domingos Simões Pereira, e rejeitou energicamente qualquer tentativa de transição política conduzida pelos militares golpistas.

A direção nacional de campanha do candidato à Presidência da República nas eleições de 23 de novembro de 2025, na Guiné-Bissau, Fernando Dias da Costa, denunciou este domingo, 01, a detenção arbitrária e perseguição política contra o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, tendo, ainda, rejeitado de forma categórica qualquer tentativa de transição política conduzida pelos militares golpistas.

Em comunicado, a direção de campanha recordou que, no dia 30 de janeiro, através da mediação da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e ao apoio do Senegal, foi efetuada a transferência de Domingos Simões Pereira de uma esquadra policial de Bissau para a sua residência, bem como o regresso de Fernando Dias da Costa a sua casa, após ter estado sob proteção na Embaixada da Nigéria.

Perseguição política motivada pelo resultado das eleições presidenciais

Segundo a direção de campanha, essa transferência não representa liberdade para Domingos Simões Pereira, que continua privado dos seus direitos, agora sob um regime de detenção arbitrária na sua própria residência, sem qualquer fundamento legal ou mandado judicial. No comunicado, considera-se que a situação, que já dura há mais de dois meses, configura perseguição política motivada pelo resultado das eleições presidenciais.

A direção de campanha de Fernando Dias da costa acusa o comando militar golpista de não ter conseguido apresentar qualquer processo judicial ou acusação concreta contra Domingos Simões Pereira, sublinhando que a única “culpa” atribuída é a de ter conduzido a vitória eleitoral de Fernando Dias da Costa e defendido a vontade popular expressa nas urnas.

A direção nacional de campanha afirma, ainda, ter tomado conhecimento, através de um comunicado da CEDEAO divulgado na noite de 30 de janeiro, da existência de uma carta enviada pelo chamado Alto Comando Militar à organização regional no dia anterior. De acordo com o comunicado, essa carta teria como objetivo induzir em erro a CEDEAO e a opinião pública nacional e internacional, ao apresentar os militares como cumpridores das decisões da cimeira da organização e de outras instâncias internacionais, como as Nações Unidas, a União Africana, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a União Europeia. A direção de campanha considera tratar-se de uma narrativa falsa e rejeita qualquer tentativa de formação de um “governo de transição” imposto pela força das armas.

Qualquer solução sem reconhecer resultados eleitorais é inaceitável

Ainda no comunicado, se recorda que Fernando Dias da Costa é o vencedor das eleições presidenciais, resultados que afirma terem sido validados pela CEDEAO, pela União Africana e pela comunidade internacional, pelo que qualquer solução política que não passe pelo reconhecimento desses resultados e pelo imediato empossamento de Fernando Dias da Costa é considerada ilegítima e inaceitável.

No que respeita à chamada “transição” anunciada pelos militares golpistas, a direção de campanha sustenta que esta desrespeita a vontade popular e ignora as decisões saídas das cimeiras da CEDEAO de 27 de novembro e de 14 de dezembro de 2025, acusando os militares de agirem para defender os interesses do ex-presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, “derrotado” nas urnas em eleições consideradas livres, justas e transparentes pela comunidade internacional.

A direção de campanha garante que não participará em qualquer processo de partilha do poder ou distribuição de pastas ministeriais sob a égide dos golpistas, defendendo que qualquer reforma política só pode ocorrer no quadro constitucional, através de instituições legítimas e democraticamente eleitas.

No comunicado é, ainda, rejeitada a tentativa de simular uma normalidade institucional, é exigida a manutenção da força militar da CEDEAO na Guiné-Bissau, a libertação imediata e incondicional de Domingos Simões Pereira (que se encontra em prisão domiciliária) e de todos os presos políticos, o fim das perseguições, raptos e intimidações contra cidadãos, ativistas e jornalistas, bem como um apelo à resistência pacífica do povo guineense.

Paralelamente, a direção de campanha exorta, ainda, a comunidade internacional a manter o isolamento do regime que considera ilegítimo e apela à CEDEAO para que avance com sanções direcionadas contra todos os que impedem o regresso à ordem constitucional democrática.

“A nossa luta é pela democracia, pela legitimidade e pela dignidade do povo guineense”, conclui o comunicado, garantindo que não descansarão enquanto a vontade expressa nas urnas não for restaurada.

C/Rádio TV Bantaba

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