A idade não define o teu potencial: a tentativa de seres apagado em vida
Ponto de Vista

A idade não define o teu potencial: a tentativa de seres apagado em vida

O teu potencial não depende de validação externa, e esta pode ser a verdade mais libertadora e mais aterradora que alguma vez vais internalizar. Esperar que outros validem a tua grandeza é dar-lhes as chaves da jaula que construíram à tua volta. E eles vão usá-las, não duvides. Vão trancar-te e deitar fora a chave, não necessariamente por maldade, mas porque é conveniente, porque a tua contenção é o preço da paz deles, porque és mais fácil de digerir quando estás mastigado e pequeno.

Há uma violência silenciosa que não deixa marcas visíveis, mas que mata aos poucos. A violência de seres apagado em vida. Não falo de morte física, mas daquela morte incremental que acontece cada vez que engoles palavras que ardiam para serem ditas, cada vez que baixas os olhos quando devias erguer a voz, cada vez que finges não ver o que todos fingem não ver, porque a verdade inconveniente não tem lugar à mesa dos conformados.

É uma espécie de suicídio social imposto, onde te ensinam que a tua sobrevivência depende da tua invisibilidade, que a tua aceitação tem como preço o teu silêncio, que podes existir desde que não incomodes, não questiones, não brilhes demasiado.

E a parte mais perversa? Convencem-te de que este assassinato lento da tua essência é para o teu próprio bem, que é maturidade, que é saber estar, quando, na verdade, é apenas a domesticação de tudo o que te tornaria inesquecível. A verdade mais dura é que a forma como te posicionas no mundo determina se vives ou apenas existes. Não é apenas sobre confiança ou autoestima. É sobre a escolha diária entre respirar ou sufocar, entre ocupar espaço ou pedir desculpa por existir.

Quando aceitas comentários que te rebaixam, quando ris nervosamente de piadas que te ridicularizam, quando permites que te tratem como se as tuas ideias fossem menos válidas por seres novos demais ou inexperiente demais, não estás apenas a ser educado. Estás a cavar a tua própria sepultura social, pá a pá, sorriso forçado após sorriso forçado.

O respeito não é dado. É arrancado das mãos de quem preferia que te mantivesses pequeno, através da teimosia com que te recusas a desaparecer.

Os elogios e as críticas são frequentemente veneno servido em copos diferentes. Há quem te elogie para te adormecer, para te fazer acreditar que já chegaste quando mal saíste da partida, mantendo-te satisfeito com aplausos vazios enquanto te negam oportunidades reais. E há quem te critique não para te esculpir, mas para te esmagar. Críticas calculadas para te fazer duvidar não dos teus erros, mas da tua própria existência.

Aprende a distinguir, ou serás devorado. O feedback que te constrói dói, mas liberta-te. O que te quer destruir dói e aprisiona-te. Quando alguém só te valoriza quando serves os propósitos alheios, ou só te ataca quando ousas ter propósitos próprios, não estás perante um guia. Estás perante um vampiro emocional que se alimenta da tua luz diminuída.

“Li ninguém ka konxeu, onti ku bem.” Esta frase não é sabedoria popular; é uma arma de controlo geracional disfarçada de conselho. Como se a verdade tivesse de envelhecer em barris antes de poder ser bebida, como se a clareza exigisse cabelos brancos, como se Deus respeitasse hierarquias humanas na distribuição de lucidez.

Mas há jovens que viram mais verdade em vinte anos do que muitos verão em oitenta, porque ver não depende do tempo. Depende da coragem de manter os olhos abertos quando todos preferem a cegueira confortável.

E quando alguém usa a tua idade como argumento contra as tuas ideias, é porque a tua juventude expõe a única coisa que lhes resta: décadas de vida desperdiçadas em mentiras a que chamaram experiência.

Esta não é uma construção acidental. É um sistema de opressão refinado ao longo de gerações, transmitido como tradição quando é apenas trauma institucionalizado. Mantêm-te no teu lugar porque o teu lugar elevado ameaça a mediocridade deles. Dizem: tchota midjor bu cala, pa bu ka panha mau, para que continues a aceitar migalhas quando devias exigir apenas o respeito.

E funciona com uma eficácia aterradora. Quantas vozes revolucionárias foram silenciadas não por falta de razão, mas por excesso de medo alheio?

A construção é intencional porque há quem prefira governar sobre ruínas a ver-te construir impérios. O teu potencial não os inspira. Aterroriza-os, porque olhar para ti é verem o que poderiam ter sido se não tivessem desistido. Há quem faça isto por ignorância, papagaios que repetem opressões que nem compreendem. E há quem o faça com a precisão cirúrgica de quem sabe exatamente onde cortar para não matar, mas para deixar aleijado.

O que mais destrói é testemunhar jovens extraordinários a deixarem-se assassinar lentamente. Tu sabes quem és, sentes no peito essa verdade inconveniente. A aceitarem a narrativa de que são demasiado novos para importar, demasiado inexperientes para mudar seja o que for, demasiado idealistas para sobreviver ao mundo real.

É o genocídio mais eficiente: aquele que te convence a executares-te a ti mesmo enquanto agradeces pela oportunidade.

Porque há verdades que queimam e há bocas que a sociedade autoriza a proferi-las. Quando há um desalinhamento quase cósmico entre a mensagem que precisa urgentemente de ser gritada e o mensageiro “inadequado” que ousa gritá-la quando és tu, jovem, inconveniente, indomável, a expor as feridas purulentas que todos cobriram com pensos rápidos, a nomear o elefante que ocupa toda a sala há décadas não esperes gratidão. Espera crucificação.

Não atacam a mensagem porque não podem. Ela ressoa demasiado verdadeira, mesmo para os surdos voluntários. Então crucificam o mensageiro. Questionam tudo sobre ti, exceto o conteúdo da mensagem, porque enfrentar a mensagem significaria enfrentarem-se a si mesmos. E é infinitamente mais fácil dizer “és apenas uma criança” do que confessar “passei a vida inteira como cobarde”.

O teu potencial não depende de validação externa, e esta pode ser a verdade mais libertadora e mais aterradora que alguma vez vais internalizar.

Esperar que outros validem a tua grandeza é dar-lhes as chaves da jaula que construíram à tua volta. E eles vão usá-las, não duvides. Vão trancar-te e deitar fora a chave, não necessariamente por maldade, mas porque é conveniente, porque a tua contenção é o preço da paz deles, porque és mais fácil de digerir quando estás mastigado e pequeno.

Defende a tua reputação, mas não nos tribunais da opinião pública. Defende-a nos altares da integridade inabalável. A verdadeira reputação não se constrói sobre gostos, aprovações ou palmadinhas nas costas de quem tem medo de te ver voar.

E um dia, quando o tempo tiver passado e a poeira assentar, vão perceber a verdade que tentaram enterrar. Não eras criança nenhuma. Eras apenas alguém que escolheu viver plenamente enquanto eles escolhiam a morte confortável do conformismo.

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