Pub

XIX CENA

O mesmo Macaco volta a aparecer perante João da Burra e a cena repete-se.

MACACO – Olha que vou entrar…

JOÃO DA BURRA – Do que é que estás à espera? Estou com vontade de ver-te aqui dentro. Se és macho e tens três tomates, experimenta pôr os pés na soleira da porta.

O Macaco entra, João atira-se a ele e começam a lutar. Várias vezes o Macaco ameaça derrubar o João, mas ele consegue defender-se e acaba derrubando o Macaco. Monta-o em cima, puxa a bengala e corta-lhe uma orelha. O Macaco consegue escapar e foge. João apanha a orelha e guarda. Os rapazes chegam, põem a carga num canto e destapam a panela.

RASGA MONTANHA – Hoje aquele desgraçado não apareceu?

JOÃO DA BURRA – Que nunca mais vai aparecer… tenho quase a certeza.

ARRANCA PINHEIRO – E não comeu… não te bateu?

JOÃO DA BURRA – Comem rápido, que temos um trabalhão à nossa espera.

RASGA MONTANHA – Trabalhão?!

ARRANCA PINHEIRO – Que trabalhão? Cansados como estamos?!

RASGA MONTANHA – Eu trouxe um leão inteiro às costas!

ARRANCA PINHEIRO – O camelo que trouxe era pesado. Estava gordo.

JOÃO DA BURRA – O que interessa é que com fome não ficaram.

RASGA MONTANHA – E que trabalho é que há para fazer?

ARRANCA PINHEIRO – Não nos diga que mataste aquele desgraçado e estavas à nossa espera para lhe virmos tirar o couro?

JOÃO DA BURRA (aponta o dedo) – Estão a ver aquelas lantunas?

RASGA MONTANHA E ARRANCA PINHEIRO – Estamos a ver, sim!

JOÃO DA BURRA – Foi lá que ele se meteu. Temos de o perseguir até o capturarmos. Comem depressa e vamos lá desbravar as lantunas.

Vão comendo com muito apetite.

XX CENA

As lantunas estão desbravadas e eles estão de pé, junto a um buraco tapado por uma placa.

JOÃO DA BURRA – Rasga Montanha, destapa o buraco para vermos o que é que está lá dentro. (Rasga Montanha tenta, mas a tampa não se mexe) Vá, sai da frente. Arranca Pinheiro, vai tu destapar o buraco. (Também não consegue. João mete o dedão do pé entre a argola da tampa e arremessa-a para muito longe) Pensava que eram homens de verdade. Porcarias!

ARRANCA PINHEIRO (olha para dentro do buraco) – Ave-maria… buraco fundo!

RASGA MONTANHA – Jesus! Mais de mil metros de profundidade! E tão escuro!

JOÃO DA BURRA (com uma corda na mão, um tambor e um pau) – Rasga Montanha, amarra esta corda à cintura, toma este tambor e este pau, desce até ao fundo deste buraco. O tambor e o pau são para percutires se tiveres algum embaraço. Bates o pau no tambor e puxamos a corda.

RASGA MONTANHA (mal começa a descer toca o tambor e volta à superfície assustado) – Credo, rapazes! Lugar escuro, fundo, cheio de bichos!

JOÃO DA BURRA – Não vales nada. Arranca Pinheiro, vai tu. (Repete as mesmas façanhas) Vocês têm mais é garganta! Cobardolas!

ARRANCA PINHEIRO – Vi Cobras, Baratas, Centopeia, Grilos, Carochas, Bicho-Castros… Ratinhos e Ratões a falarem mal das Ratazanas, Mosquitos a correr atrás de Ósgas, Don d’Água com sede a pedir que o sapo lhe ensine a nadar… (passa a mão pelo rabo e cheira) não!…

RASGA MONTANHA – Macho-velho, será que… a coisa escapou-te?

JOÃO DA BURRA – Vão dar traques nas cinzas! Arriem-me a corda. Quanto mais toco o tambor, mais depressa quero que me arriam a corda.

XXI CENA

Num subterrâneo com duas casas, João bate à porta e Branca Flor vai abrir.

BRANCA FLOR – Oh homem de Cristo, o que veio aqui fazer? Aqui ninguém pode vir!

JOÃO DA BURRA – Ninguém pode vir?! E por que então estou aqui?

BRANCA FLOR – Porque é maluco. Ainda não veio cá alguém que tenha regressado vivo!

JOÃO DA BURRA – Porquê?

BRANCA FLOR – O meu marido é um Bicho-Fera de sete cabeças que não sabe o que é perdoar. Se o encontrar aqui, faz de si um cadáver.

JOÃO DA BURRA – Como… ele mata-me?!

BRANCA FLOR – Tal qual dois e dois são quatro. Você não o conhece!

JOÃO DA BURRA – Obrigado pelo aviso. Mas antes, vai arrumando as tuas trouxas, porque vou levar-te daqui.

BRANCA FLOR – Vai levar-me daqui?!

JOÃO DA BURRA – Mas não te vou raptar. Espero que ele chegue, conhecer-nos-emos e só depois te levo daqui.

BRANCA FLOR – Ele não brinca, senhor… e não admite que brinquem com ele. Não pense suicidar-se porque ainda é muito novo. Vai daqui por favor, antes que ele chegue.

JOÃO DA BURRA – Como é que vou sem ele chegar? Seria cobardice da minha parte. E se te levar sem falar com ele, pode-me acusar pelo crime de rapto.

BRANCA FLOR – Oh homem de Cristo, deixe de tolices! Pelo amor de Deus, pela bênção de sua mãe que deve estar com dor de barriga, vá-se embora.

JOÃO DA BURRA – Sem ti?

BRANCA FLOR – Como é que me vai levar? Não viu que está maluco?

JOÃO DA BURRA – Vai preparando as tuas coisas enquanto espero que ele chegue. Vou-me sentar um coche.

Dirige-se ao sofa e senta-se com pernas atravessadas.

BRANCA FLOR – Por amor de Deus, senhor! Aqui só moro eu, o meu marido, um Macaco que é seu irmão, marido da minha irmã gémea. Eles são ciumentos, se o encontrarem aqui, matam-lhe de certeza. E eu vou levar uma grande sova, porque vão pensar que fui eu que o trouxe. (Ouve-se barulho lá fora) Santa Bárbara Generosa… oh Deus… o meu marido chegou. Esconda-se, filho de parida!

JOÃO DA BURRA – Deixa-me abrir a porta.

BRANCA FLOR – Sossegue-se, homem! Meta-se debaixo da cama e deixe de procurar chinfrim! Você não sabe quem é o meu marido!

JOÃO DA BURRA – Eu não vim cá porque o conheço e tenho confiança nele; nem porque não o conheço para o subestimar. Vim cá porque preciso vir, quero vir e posso vir.

BRANCA FLOR – O meu marido não é como o senhor pensa que é. Ele não é igual a si. Estou quase a dar-lhe razão, quando ele diz que não mata ninguém, que alguém é que o procura para se suicidar. (Surge uma cabeça e ela grita) Vem aí a primeira cabeça… (João dá-lhe uma bastonada e a cabeça cai. Surge a segunda) olha a segunda a entrar… (acontece o mesmo) defenda a terceira… (a mesma coisa) fuja para o lado porque a quarta ainda lhe morde… (idem) credo! Esquive-se para que a quinta não lhe dê com a cadeira. (Idem) Tape as narinas porque a sexta está toda borrada, o fedor pode asfixiá-lo. (Idem) Põe-se a pau, porque agora vai entrar por inteiro.

Entra um homem, João dá-lhe uma bengalada no pescoço e cai morto. João amarra a corda na cintura da Branca Flor, toca o tambor e os colegas puxam-na. João vai bater na porta ao lado e Branca de Neve vai abrir.

BRANCA DE NEVE – Mas oh homem, quem o condenou a vir morrer aqui?

JOÃO DA BURRA – Era preciso que fosse condenado para vir aqui? Aqui é alguma prisão… algum corredor da morte?

BRANCA DE NEVE – O senhor não sabe que aqui ninguém pode vir? Saia o mais rápido possível, antes que o meu marido chegue.

JOÃO DA BURRA – Se não era permitido vir aqui quem não fosse condenado, era até ontem.

BRANCA DE NEVE – O que é que o senhor disse?

JOÃO DA BURRA – Não era permitido até ontem porque hoje já venho e estou aqui. Já agora… quem é o teu marido?

BRANCA DE NEVE – O meu marido é um Macaco. Anda sempre junto com um seu irmão, um bicho-fera de sete cabeças que é ainda mais perigoso do que ele.

JOÃO DA BURRA – Quer dizer que… o teu marido é perigoso?

BRANCA DE NEVE – Ainda não houve quem ousou pôr aqui os pés e que tenha regressado.

JOÃO DA BURRA – Então serei exceção?

BRANCA DE NEVE – O quê?

JOÃO DA BURRA – Eu vou regressar. E não só com a minha vida, como também contigo ao meu lado.

BRANCA DE NEVE – Mas que Deus ruim foi esse que lhe condenou a uma morte tão penosa… e tão antes do tempo?

JOÃO DA BURRA – Talvez esse Deus mandou-me libertar-te deste sofrimento tão injusto. Ora, diz-me: há quanto tempo vives neste sítio?

BRANCA DE NEVE – Não sei. Quero que vá daqui porque não quero assistir à sua morte.

JOÃO DA BURRA – Vocês são quantos que moram aqui?

BRANCA DE NEVE – Só eu e o meu marido. Sei que o meu cunhado vive com a minha irmã gémea, mas nunca a vi. Ela não vem à minha casa, eu não vou a dela. Eu nunca saí à rua.

JOÃO DA BURRA – São irmãs, vizinhas e não se vêm?! Nunca saíste à rua?!

BRANCA DE NEVE – O meu marido não me deixa nem pensar, senhor! Saia daqui por amor de Deus. Se o encontrar aqui, mata-nos aos dois.

JOÃO DA BURRA – Tinha vontade de o conhecer. Não me parece que seja tão bravo como o pintas! Mas eu percebo. É teu marido… estás a destacá-lo para me intimidares!

BRANCA DE NEVE – Sobretudo agora que está sem uma orelha!

JOÃO DA BURRA – Quando é que ele deve chegar?

BRANCA DE NEVE – Deve estar mesmo a chegar.

JOÃO DA BURRA – Vai arrumando as tuas trouxas… eu vou esperá-lo.

BRANCA DE NEVE – Ele já deve saber que você está aqui. Adivinha que nem Demónio.

JOÃO DA BURRA – Estás a deixar-me preocupado. Ele não virá.

BRANCA DE NEVE – Deixe de armar-se em doido, e arranje forma de sair daqui, mais rápido do que entrou.

JOÃO DA BURRA – Disseste há bocado que ele está sem uma orelha?

BRANCA DE NEVE – Não sei com quem se envolveu… cortou-lhe uma orelha. E ele virou ainda mais fulo. Sempre que olha para o espelho parte-o, bem como tudo o que lhe aparece à frente

JOÃO DA BURRA – Não te importes se eu me sentar um coche e esperar por ele… e conhecê-lo?

BRANCA DE NEVE – Se o encontrar aqui… não sairá vivo!

JOÃO DA BURRA – Como é que tens tanta certeza de que não sairei vivo?

BRANCA DE NEVE – Você é mesmo corajoso, forasteiro!

O Macaco aparece e, mal vê o João, foge. O João amarra a Branca de Neve a corda na cintura, bate no tambor e os rapazes puxam. Branca Flor e Branca de Neve ficam tristes, de cócoras entre Rasga Montanha e Arranca Pinheiro.

RASGA MONTANHA – Não te lembras de uma prédica na igreja, há já uns anos, sobre duas irmãs gémeas que tinham sido raptadas quando regressavam da escola?

ARRANCA PINHEIRO – Lembro-me. Tinha sido feita pelo senhor padre Joaquim.

RASGA MONTANHA – Devem ser elas. São tão parecidas! E são gémeas de certeza.

ARRANCA PINHEIRO – O pai delas tinha prometido a metade de sua riqueza e elas em casamento a quem as encontrasse.

RASGA MONTANHA – E então… como é que fazemos? São duas… uma para ti e outra para mim!

ARRANCA PINHEIRO – E o João?!

RASGA MONTANHA – O João… tenho uma ideia.

ARRANCA PINHEIRO – Qual?

RASGA MONTANHA – O que achas se o deixarmos dentro do buraco?

ARRANCA PINHEIRO – Boa ideia.

RASGA MONTANHA – Vamos falar com o senhor padre Joaquim, ele vai dizer ao pai delas que fomos nós que as encontramos. Casamos com elas, tu e eu.

ARRANCA PINHEIRO – O desgraçado do pai já deve estar velho, daqui a dois dias ele morre, ficamos com tudo o que é dele.

RASGA MONTANHA – E o João vai apodrecer no hospício, se o maldito Macaco não o comer.

XXII CENA

Cerimónia solene no palácio.

REI – Meus amigos, já que fazem parte da família, quero confiar-vos, doravante, cargos importantes na governação do reino. Pois, pelo que fizeram por mim, não possuo dinheiro que chegue para vos pagar. Desta forma, meu querido Arranca Pinheiro, na qualidade de meu genro, marido da minha estimada filha Branca Flor, nomeio-te, a partir de hoje, ministro das Finanças e meu subselente quando estou ausente. O que é que achas?

ARRANCA PINHEIRO – Excelentíssimo senhor rei, hoje meu querido sogro. Assim como vossemecê me confiou a responsabilidade, e nomeou-me para ministro das suas Finanças, afianço-lhe que tudo farei para que falências batam à porta de todos, exceto na do palácio do meu augusto sogro. (Palmas) E como subselente nas suas costas, sei que quanto menos falência chegar perto de si, mais vezes terá a barriga cheia, mais vezes sente a necessidade de ir à casa de banho, e mais vezes terei a oportunidade de ocupar o seu trono!

Todos batem palmas. O rei retoma o discurso.

REI – Rasga Montanha, tu também, desde já, na qualidade de marido de Branca de Neve, minha não menos estimada filha, vou designar-te ministro da Segurança e Conselheiro Geral do Reino. Deves saber que muita gente odeia o rei e procura-o para matá-lo… já agora, a vocês também que já fazem parte da família.

RASGA MONTANHA – Vossa majestade, senhor pai da minha mulher; se de facto sou merecedor da confiança de vossemecê, conforme acabou de dizer, toda a minha vontade é de o servir fielmente, estimá-lo e respeitá-lo. (Palmas) Juro-lhe que neste momento acabei de pensar no que vou fazer em primeiro lugar.

Palmas.

REI – Podia saber já a substância deste teu juramento?

RASGA MONTANHA – Com certeza, claro e evidente. Já amanhã mando fazer mais cassetetes para distribuir aos nossos polícias.

REI (abraça-o) – Pela forma como falas, qualquer burro se apercebe que tens ar de ministro.

Palmas.

RASGA MONTANHA – Para que lhe prove o que acabei de dizer, é necessário a colaboração do meu colega, senhor Dr. Arranca Pinheiro.

REI (estupefacto) – Ele é doutor?… de lei ou de medicina?

RASGA MONTANHA – Doutor é uma forma de falar. Como agora ele ocupa cargo importante… nenhum doutor é mais do que ele.

REI – Ok. Está bem.

ARRANCA PINHEIRO – Da minha parte estarei disponível para o que for.

REI – E em que é que tu queres que ele te ajude?

RASGA MONTANHA – Quero que me dê uma lista com nomes de todos os miseráveis que por aí andam a pedinchar e toldar as ruas com mendicância.

Batem palmas e abraçam-se. O rei abre uma garrafa de champanhe.

XXIII CENA

João está com fome, sujo e desesperado, com barba e cabelo que metem medo.

JOÃO DA BURRA [V.O.] – “Já me pregaram partida aqueles sacanas! Como vou sair daqui? Seis semanas sem comer, sem beber, sem lavar-me… à espera que a morte chegue”. “Que a morte seja aqui bondosa”. “Que me venha matar esse penoso sofrimento”.

Levanta-se e passeia.

JOÃO DA BURRA – Mas também, se Deus me ajudar a sair daqui vivo!… (Volta a sentar-se) Pelo menos se aquele Macaco aparecer, tentarei pedir-lhe desculpa e que me tire daqui, e, se ele quiser, devolvo-lhe as duas raparigas. (Reflete um pouco) É verdade… (retira do bolso a orelha) vou comer esta orelha, pelo menos pega-me a boca-do-estômago por uns minutos.

Dá uma trincada na orelha e o Macaco surge.

MACACO – Ó João dá-me a minha orelha; ó João dá-me a minh

JOÃO DA BURRA – Dou-te a orelha se me arranjares uma mesa com toda a espécie de comida e bebida.

MACACO – Fecha os olhos, pensa no que queres comer e beber, volta a abrir.

João fecha os olhos e quando os abre vê-se sentado à uma mesa recheada. Levanta-se depois de comer, desabotoa o casaco, o Macaco vê a bengala e foge. João volta a morder a orelha e o Macaco aparece de novo.

MACACO – Oh João dá-me a minha orelha; oh João dá-me a minha orelha…

JOÃO DA BURRA – Tira-me deste buraco, dou-te a tua orelha.

MACACO – Fecha e abre os olhos.



APOIE SANTIAGO MAGAZINE. APOIE O JORNALISMO INDEPENDENTE!

A crise na imprensa mundial, com vários jornais a fechar as portas, tem um denominador comum: recursos financeiros. Ora, a produção jornalística, através de pesquisas, entrevistas, edição, recolha de imagens etc. Tem os seus custos. Enquanto está a ler e a ser informado, uma equipa trabalha incessantemente para levar a si a melhor informação, fruto de investigação apurada no estrito respeito pela ética e deontologia jornalisticas que caracterizam a imprensa privada, sobretudo.

Neste momento em que a informação factual é uma necessidade, acreditamos que cada um de nós merece acesso a matérias precisas e de interesse nacional. A nossa independência editorial significa que estabelecemos a nossa própria agenda e damos nossas próprias opiniões. O jornalismo do Santiago Magazine está livre de preconceitos comerciais e políticos e não é influenciado por proprietários ou accionistas ricos. Isso significa que podemos dar voz àqueles menos ouvidos, explorar onde os outros se afastam e desafiar rigorosamente aqueles que estão no poder.

Portanto, se quiser ajudar este site a manter-se de pé e fornecer-lhe a informação que precisa, já sabe que toda contribuição do leitor, grande ou pequena, é tão valiosa. Apoie o Santiago Magazine, da maneira que quiser, podendo ser através da conta nº 6193834.10.1 - IBAN CV64 000400000619383410103 – SWIFT: CANBCVCV - Correspondente: TOTAPTPL - Banco Caboverdeano de Negócios - BCN, ou por meio deste dispositivo do PayPal.


APOIE SANTIAGO MAGAZINE. APOIE O JORNALISMO INDEPENDENTE!

Comentar