
Apoiar o PAICV hoje, é afirmar que o país precisa de reencontrar o sentido de serviço público. É escolher um projecto que compreende que governar não é administrar crises, mas preveni-las e que sabe que o desenvolvimento não pode ser selectivo nem geograficamente injusto. Cabo Verde é arquipélago, é diversidade e é interdependência. Dez filhos da mesma mãe. O voto que se aproxima não é um gesto simbólico. É uma decisão com consequências reais. Por isso falo de voto útil. Não o voto do medo, nem o voto da raiva. Mas o voto que entende o peso do momento, que olha para o essencial e escolhe quem tem condições políticas, estruturais e humanas para corrigir o rumo.
Depois de ter escrito e assumido publicamente nas redes sociais, o meu apoio ao PAICV, na sequência da visita de Francisco Carvalho aos Estados Unidos, tornou-se evidente que ainda há quem prefira reduzir a política a um jogo de trincheiras, onde pensar livremente é tratado como traição e escolher conscientemente é visto como afronta.
Há uma teoria antiga, repetida até à exaustão, que tenta aprisionar o cidadão numa falsa dicotomia: “ou estás comigo ou estás contra mim”. Esta frase não constrói países nem resolve problemas. Serve apenas para silenciar, para deslegitimar a consciência e para transformar a política num clube fechado, onde a obediência cega vale mais do que o pensamento livre.
Eu rejeito essa lógica.
Rejeito-a porque Cabo Verde nasceu da coragem de quem ousou pensar fora das amarras. Porque a nossa história não foi escrita por unanimismos, mas por escolhas difíceis, feitas com risco, lucidez e sentido de futuro.
A cidadania não é um cartão; é um exercício diário.
E apoiar um projecto político num momento decisivo não é submissão, mas responsabilidade histórica.
Hoje, o país pede mais do que slogans. Pede presença do Estado onde ela falhou. Pede coerência onde houve improviso e pede visão onde reinou o curto prazo.
E é impossível falar de visão omitindo as ilhas que ficaram para trás: A Brava continua a viver com a ansiedade de quem depende de ligações incertas para garantir o básico; São Nicolau conhece bem o peso do isolamento, da fragilidade das infra-estruturas e da resposta tardia quando a adversidade chega; o Maio resiste entre promessas e anúncios, enquanto a previsibilidade das ligações e das oportunidades tarda em transformar-se em vida concreta, e o Fogo, com a sua força humana e produtiva, enfrenta há demasiado tempo a irregularidade dos transportes e a ausência de uma estratégia consistente que respeite quem lá vive e trabalha.
Isto não são detalhes técnicos. Isto é política no seu sentido mais cru.
Quando um barco não chega, não falha apenas um serviço. Falha o direito à mobilidade, falha a economia local e falha, sobretudo, a dignidade de quem lá vive. Quando um avião não levanta, não é só um atraso: é um estudante que perde aulas, um doente que adia cuidados, e um comerciante que perde rendimento.
Quando o Estado normaliza estas falhas, normaliza também o sofrimento.
É aqui que a conversa do “ou estás comigo ou estás contra mim” se torna indecente.
Porque a pátria não é propriedade privada. Cabo Verde não pertence a um governo, nem a um partido, muito menos a um grupo. Cabo Verde pertence ao povo de todas as ilhas e à Diáspora que sustenta, investe, acredita e exige.
Apoiar o PAICV hoje, é afirmar que o país precisa de reencontrar o sentido de serviço público. É escolher um projecto que compreende que governar não é administrar crises, mas preveni-las e que sabe que o desenvolvimento não pode ser selectivo nem geograficamente injusto.
Cabo Verde é arquipélago, é diversidade e é interdependência. Dez filhos da mesma mãe.
O voto que se aproxima não é um gesto simbólico. É uma decisão com consequências reais.
Por isso falo de voto útil. Não o voto do medo, nem o voto da raiva. Mas o voto que entende o peso do momento, que olha para o essencial e escolhe quem tem condições políticas, estruturais e humanas para corrigir o rumo.
Já não há espaço para fidelidade cega.
Há espaço para consciência, para responsabilidade e coragem cívica.
Porque a democracia não pede silêncio. Pede voz.
E escolher, quando o país chama, é também um acto de amor por Cabo Verde.
10 ilhas, uma Diáspora, um Cabo Verde para TODOS!
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