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O MpD, a Mentira e a Extrema Direita
Colunista

O MpD, a Mentira e a Extrema Direita

O MPD vai recorrer a tudo, incluindo o semear do ódio entre os caboverdeanos e a destruição de consensos e entendimentos já estabelecidos na sociedade caboverdeana. Vamos ver o que vai sobrar deste nosso amado Cabo Verde, depois destas eleições autárquicas e depois do MPD “arrebentar” com este país!

Na imagem, em baixo, está um texto que está a circular nas redes sociais e que se transformou em motivo de preocupação para alguns amigos meus e outras pessoas que me são próximas. Por isso, estou a escrever este artigo.

1.      A derrota do MPD na Câmara Municipal da Praia, nas eleições de 2020, foi uma das maiores derrotas que o MPD já sofreu enquanto partido político. Talvez, tenha sido pior do que ter perdido as legislativas de 2001 por duas razões. Primeiro, porque em 2001, com todos os escândalos e falhanços na governação do país, o MPD já estava ciente de que iria perder as eleições. O país estava de rastos e o escândalo dos dois milhões roubados na ENACOL deixou o MPD sem margens de manobra. Segundo, é que o MPD nunca se apresentou como o maior partido nacional. Mas, é esta a sua marca ao nível autárquico. Daí, ter perdido no terreno autárquico a capital do país – numa altura em que tinha todos os dados e todas as sondagens a seu favor – foi de facto um duro golpe;

2.      Duro golpe por constituir duas tendências demasiado importantes: a falência da “receita das obras” para ganhar eleições e o início do declínio do MPD como o maior partido autárquico desde as primeiras eleições autárquicas de 1991. É que a tendência é para o PAICV passar a ter o maior número de câmaras municipais já neste ano de 2024. Recorde-se que o PAICV passou de duas câmaras municipais em 2016 para oito em 2020, saltando de 9,1% para 36,3% de câmaras do país. Daí que, perdendo a maioria de câmaras municipais – pela primeira vez na história da democracia caboverdeana – a presidência da Associação Nacional dos Municípios passará para as mãos do PAICV.  É que o MPD já deixou de utilizar as câmaras municipais como caixa de transferência de dinheiro do Estado para as câmaras. Só lhe restou utilizar a ANMCV, o seu último reduto;

3.      É neste contexto de queda livre – com a pior governação do país de que há memória – que o MPD vai “lançar a mão” de tudo o que puder para se manter no poder. Aliás, foi exatamente isto que o Presidente do MPD e Primeiro-ministro do país afirmou: “tomar a Câmara da Praia, custe o que custar”. Dentro do “custe o que custar” cabe tudo. Tudo porque o MPD é mesmo capaz de tudo. Este texto agora publicado pelo MPD é só um exemplo do que aí vem: um processo ininterrupto e gradual de mentiras, linchamento de caráter, intimidações, perseguições e ameaças diretas e veladas a todo e qualquer um que ousar levantar a voz e emitir uma opinião contrária a este “movimento” violento que atua sem qualquer pudor ou referência ética e moral;

4.      A tática deste texto do MPD é simples e básica, aliás como é qualquer intervenção pública e política da extrema-direita. É constituída por um conjunto de pontos, os quais vamos enumerá-los para que fique aqui disponível um cardápio mínimo do seu “modus operandi”:

a.      O perfil que assina o texto é falso. “Francisco Tavares” é um nome falso. Por covardia e apenas e somente para enganar as pessoas menos atentas;

b.     Acenam com “fantasmas” para poderem despertar o “medo” nas pessoas. Daí, trouxerem o “fantasma do comunismo”;

c.      Como o “comunismo” é um conceito abstrato que pode não ser captado por um grande número de pessoas, então, trazem um exemplo concreto de uma “medida comunista”: tomar as casas dos seus donos para dar às pessoas que não têm casa. Assim, provoca-se o medo e o pânico nos “proprietários de casas” que vão correr a votar contra o “Francisco Carvalho”, esse “comunista que quer tomar as casas das pessoas para dar aos pobres”;

d.     As palavras são apresentadas na primeira pessoa do singular para que quem lê, fique com a certeza de que é o “Francisco – ele mesmo – que está a falar”;

e.      Mete-se o nome de alguém muito conhecido, uma figura pública, neste caso, Rui Semedo, Presidente do PAICV, para conferir maior veracidade ao “texto da mentira”;

f.        Coloca-se no canto ao alto o logotipo da INFORPRESS. Pronto. Já está pronto a servir para enganar as pessoas.

5.      Prestem atenção, pois este texto do MPD é só um “cheirinho” do que aí vem: mentiras, falsificações, manipulações, narrativas falsas, calúnias e montagens de fotografias, sons e vídeos. O MPD vai recorrer a tudo, incluindo o semear do ódio entre os caboverdeanos e a destruição de consensos e entendimentos já estabelecidos na sociedade caboverdeana. Vamos ver o que vai sobrar deste nosso amado Cabo Verde, depois destas eleições autárquicas e depois do MPD “arrebentar” com este país!

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SOBRE O AUTOR

Francisco Carvalho

Político, sociólogo, pesquisador em migrações, colunista de Santiago Magazine