As autoridades devem urgentemente intervir para acabar com essa rede de corrupção e garantir um sistema justo e acessível a todos. A população cabo-verdiana não pode continuar a ser vítima de um sistema que deveria servi-la, mas que atualmente serve apenas para enriquecer alguns poucos. A transparência, a justiça e o respeito pelos direitos dos cidadãos devem ser prioridades. Chegou a hora de responsabilizar os envolvidos e restaurar a confiança da população nas instituições. Todos os cabo-verdianos merecem um processo de agendamento de vistos justo e acessível. Não podemos permitir que a corrupção continue a ditar o futuro dos nossos cidadãos.
Há quatro anos, o processo de agendamento de vistos em Cabo Verde era simples e acessível a qualquer cidadão com conhecimentos básicos de informática. A plataforma funcionava com transparência, permitindo que todos agendassem os seus vistos, para férias, de maneira justa e sem complicações. No entanto, esta realidade mudou drasticamente.
Atualmente, o processo de agendamento de vistos se transformou num negócio lucrativo para uma elite que explora e prejudica os cidadãos cabo-verdianos. Será que existem, existem indivíduos ligados aos desenvolvedores da plataforma de agendamento que manipulam o sistema para seu próprio benefício? Será que eles bloqueiam o acesso à plataforma de tal forma que apenas quem paga, consegue realizar um agendamento. Esta prática, se for verdade, tem esvaziado os bolsos de muitos cabo-verdianos que já enfrentam dificuldades financeiras.
Duas plataformas de agendamento: Um mercado exploratório
Existem atualmente duas plataformas principais de agendamento de vistos em Cabo Verde:
1. VFS Global, utilizada para o agendamento de visto de trabalho. Os preços para conseguir um agendamento variam entre 80 a 150 mil escudos e, em alguns casos, chegam a 250 mil escudos por pessoa.
2. Portal do Centro Comum de Vistos, destinada ao agendamento de vistos para férias. Neste caso, os preços também são elevados, variando entre 25 a 50 mil escudos por pessoa.
Esses valores são exorbitantes e representam um peso insustentável para muitas famílias cabo-verdianas, transformando um direito em privilégio para poucos.
A inércia das entidades competentes
Essa situação tem se arrastado por quase dois anos, e é inconcebível que as entidades competentes continuem sem agir para resolver este problema. A corrupção e o oportunismo desenfreado estão prejudicando severamente a vida de muitas pessoas.
Imagine um pai cujo filho obteve uma bolsa de estudos fora de Cabo Verde. Mesmo dispondo apenas do mínimo necessário para custear a passagem, ele ainda precisa desembolsar 100 mil escudos para intermediários inescrupulosos que controlam o agendamento de vistos. Isso é injusto, é revoltante e é incompatível com a realidade socioeconômica do nosso país. O pior é que todos sabem que isso está acontecendo e, ainda assim, nada é feito para acabar com essa prática.
O Centro Comum de Vistos e o silêncio cúmplice
Periodicamente, o Centro Comum de Vistos anuncia datas específicas para agendamentos. No entanto, quando o dia chega, o sistema fica inacessível, impedindo qualquer tentativa de login. Esse problema é de conhecimento público e, sem dúvida, também é conhecido pelas autoridades competentes e pelos gestores da plataforma. Por que permitem que isso aconteça? Por que não há uma intervenção para garantir a transparência e a equidade no processo de agendamento de vistos?
Quem está por trás dessa máfia?
Essa é a pergunta que muitos cabo-verdianos se fazem diariamente. Quem são os responsáveis por essa máfia que lucra às custas da angústia e desesperança do povo? A falta de ação por parte das autoridades é preocupante e levanta dúvidas sobre possíveis cumplicidades. Enquanto o sistema não for desmantelado e os culpados responsabilizados, a população continuará a ser explorada e injustiças continuarão a ser cometidas.
É hora de agir
As autoridades devem urgentemente intervir para acabar com essa rede de corrupção e garantir um sistema justo e acessível a todos. A população cabo-verdiana não pode continuar a ser vítima de um sistema que deveria servi-la, mas que atualmente serve apenas para enriquecer alguns poucos. A transparência, a justiça e o respeito pelos direitos dos cidadãos devem ser prioridades. Chegou a hora de responsabilizar os envolvidos e restaurar a confiança da população nas instituições.
Todos os cabo-verdianos merecem um processo de agendamento de vistos justo e acessível. Não podemos permitir que a corrupção continue a ditar o futuro dos nossos cidadãos.
Informamos que, temporariamente, a funcionalidade de comentários foi desativada no nosso site.
Pedimos desculpa pelo incómodo e agradecemos a compreensão. Estamos a trabalhar para que esta funcionalidade seja reativada em breve.
A equipa do Santiago Magazine