
No discurso assinalando o Dia da Liberdade e da Democracia, o presidente da República pediu atenção especial à juventude, sobretudo a “Geração Z”, sugerindo a adaptação das instituições à participação cívica e ao voto como instrumentos essenciais para fortalecer uma democracia inclusiva e preparada para o futuro, destacando que a democracia é uma construção permanente.
O discurso do presidente da República na sessão solene que assinalou o Dia da Liberdade e da Democracia, foi além da mera alusão à importância histórica da efeméride, convidando à reflexão sobre o futuro, destacando que a democracia é uma construção permanente e sublinhando os anseios da “Geração Z”, que exige liberdade, transparência, ética e inovação. Uma geração de pessoas nascidas após a década de noventa e que cresceu num tempo de expansão da tecnologia digital, familiarizada com a Internet e a velocidade da informação.
José Maria Neves relembrou que a democracia cabo-verdiana, nascida há 35 anos, se deve viver dia a dia, com participação cívica e debate público, mas também comprometida com o bem-estar coletivo. E destacou que 2026 é ano de eleições, sublinhando tratar-se de um momento determinante para reafirmação da confiança entre os cidadãos e as instituições públicas, enfatizando que o voto é um ato de corresponsabilidade coletiva com o presente e o futuro do país.
Democracia só se realiza quando promove dignidade humana
O presidente da República destacou que a democracia só se realiza, na sua plenitude, quando promove a dignidade humana, a inclusão, a coesão territorial e oportunidades para todos, salientando que Cabo Verde, apesar de continuar sendo um pequeno país, é grande em princípios, o que interpela a todos para aprofundar uma democracia mais justa, inclusiva e preparada para o futuro.
Afirmando, ainda, que a democracia cabo-verdiana “não foi outorgada, mas arduamente conquistada”, José Maria Neves apelou à elevação democrática e a uma participação cívica “ampla, esclarecida e consciente”.
Aludindo diretamente à data do 13 de Janeiro, o chefe de Estado realçou o caráter “pacífico, sereno e exemplar” da transição democrática do país, fruto da maturidade cívica de um povo que soube “transformar a palavra no seu mais poderoso instrumento de mudança”.
Democracia não é só confronto e desacordo
Em referência às efemérides nacionais, nomeadamente, o Dia da Liberdade e da Democracia, ao Dia dos Heróis Nacionais e à data da Independência Nacional, o presidente da República defendeu não fazer sentido que, a cada celebração, os partidos políticos estejam a confrontar-se sobre o significado desta ou daquela data, ou sobre a paternidade deste ou daquele acontecimento da história política de Cabo Verde.
“A democracia não é só confronto e desacordo. É, também, domínio de entendimentos e de consensos”, assinalou José Maris Neves, afirmando que estas datas devem ser comemoradas por todos, nas ilhas e na diáspora, com elevação e dignidade.
Segundo o presidente da República, a democracia robustece-se quando o confronto de ideias se faz com elevação, quando as propostas prevalecem sobre os slogans fáceis e quando o adversário político é reconhecido como parte legítima de um mesmo projeto nacional. E, nesse sentido, apelou à elevação democrática e a uma participação cívica “ampla, esclarecida e consciente”.
Para José Maria Neves, o Dia da Liberdade e da Democracia não se circunscreve ao domínio da memória, mas interpela ao presente e apela a projetar-se o futuro, e sustentando que a democracia não se herda, mas pratica-se e vive-se todos os dias.
“Orientemos as nossas energias para o debate de ideias e para a formação de políticas públicas que sirvam as pessoas e a coletividade. E comemoremos com orgulho patriótico e lealdade institucional os feitos e momentos cintilantes e distintos que o povo das ilhas tão bem soube escrever”, pediu o presidente da República.
Referindo-se ao ciclo eleitoral deste ano, com eleições legislativas e presidenciais, José Maria Neves apelou ao voto, considerando que representa a renovação do contrato de confiança entre a Nação e os cidadãos. E defendeu um processo eleitoral pacífico, transparente e inclusivo, com um debate público mais ambicioso e responsável, alertando que a abstenção fragiliza a legitimidade democrática, enquanto a participação cidadã a reforça.
C/Inforpress
Foto: PR
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