
O presidente da Câmara Municipal da Praia anunciou hoje que a autarquia decidiu cancelar a Corrida dos Heróis, prevista para dia 20. A decisão é uma resposta às críticas sobre gastos públicos. “Está cancelada, sim. A Câmara “tem de estar atenta, tem de estar em sintonia com o povo. O povo é quem mais ordena”, disse Francisco Carvalho.
O presidente da Câmara Municipal da Praia anunciou esta terça-feira, 13, o cancelamento da Corrida dos Heróis, prevista para 20 de janeiro, e fundamentou a decisão com a necessidade de estar em sintonia com o povo e responder afirmativamente às críticas sobre gastos públicos.
“Está cancelada, sim. A Câmara da Praia tem de estar atenta, tem de estar em sintonia com o povo. O povo é quem mais ordena”, disse Francisco Carvalho, sublinhando que existe “uma perceção muito crítica” em relação a despesas públicas desnecessárias.
Francisco Carvalho reagia à imprensa ao ser confrontado com as críticas do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, no âmbito da sessão solene do 13 de Janeiro, sobre o cancelamento da Corrida da Liberdade pela autarquia, realizada tradicionalmente a 13 de Janeiro, preferindo promover a Corrida dos Heróis no dia 20 de janeiro.
Na ocasião, o também presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) citou o caso da construção do monumento da Liberdade e da Democracia pelo Governo, orçado em 150 milhões de escudos, lembrando que muitos cidadãos são contra a sua edificação.
Autarcas têm obrigação de ajustar decisões conforme os sinais recebidos da sociedade
“O povo tem uma noção de gastos. O povo faz essas contas. O povo diz que 150 milhões de escudos gastos no monumento poderiam ser aplicados na aquisição de remédios, de óculos…”, salientou Francisco Carvalho.
O presidente da Câmara Municipal da Praia explicou que, enquanto representantes do povo, os autarcas têm a obrigação de ajustar decisões conforme os sinais recebidos da sociedade.
“Nós podemos assumir uma posição às 10:00 e depois surgirem novos factos. Nós somos representantes das pessoas e, por isso, temos de ter o cuidado para não as defraudarmos. Porque as pessoas confiam em nós e há permanentemente essa necessidade de avaliação, de reposicionamento com seriedade”, declarou o também líder do maior partido da oposição.
Democracia deve ser permanentemente melhorada
Francisco Carvalho considerou que a democracia em Cabo Verde, como em qualquer parte do mundo, não é perfeita e, por isso, deve ser permanentemente melhorada.
“Se a democracia não é perfeita, Cabo Verde não pode ser um oásis no mundo. A democracia cabo-verdiana necessariamente também tem de ser imperfeita. E, se nós concordamos que a democracia universal e cabo-verdiana são imperfeitas, então há a necessidade de introdução de melhorias”, o autarca.
Francisco Carvalho aproveitou, ainda, para dizer que propor reformas com vista ao aperfeiçoamento do Estado de Direito não constitui um ataque ao regime, mas antes um exercício de responsabilidade democrática.
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