Cercado e isolado, Sissoco pode ser obrigado a sair do Senegal
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Cercado e isolado, Sissoco pode ser obrigado a sair do Senegal

Refugiado em Dakar e isolado a nível internacional, o responsável pela encenação de um golpe na Guiné-Bissau corre o risco de ser expulso do Senegal, após o primeiro-ministro deste país ter classificado o levantamento militar como “complô” para impedir o anúncio do resultado das eleições de 23 de novembro. O desagrado pela presença de Sissoco em Dakar não se limita ao chefe do Governo. Na manhã deste sábado, manifestantes saem à rua para exigir a saída imediata do “ditador”. E já há movimentações no parlamento para que o ex-presidente guineense se vá encostar em outra paragem.

Falando esta sexta-feira, 28, no parlamento, o primeiro-ministro senegalês, Ousmane Sonko, qualificou a crise política na Guiné-Bissau com um “complô” para impedir o anúncio do resultado das eleições de 23 de novembro que, segundo observadores, impuseram uma pesada derrota ao ex-presidente Umaro Sissoco Embaló, com o candidato da oposição, Fernando Dias da Costa, a ganhar o pleito logo na primeira volta.

Manifestando subtilmente o seu desagrado pela presença de Sissoco em Dakar, Ousmane Sonko foi parco nas palavras, mas acertou no alvo: "Não vou me estender sobre a situação da Guiné-Bissau. O ocorrido é competência do presidente da República [Bassirou Diomaye Faye]. O Governo já emitiu um comunicado a respeito. Não obstante, todos somos livres para opinar", salientou o primeiro-ministro.

O chefe do Governo senegalês, disse ainda que "o que aconteceu na Guiné-Bissau, como todos sabemos, é um complô”, acrescentando: “o processo eleitoral deve ser completado e a comissão [nacional de eleições] deve anunciar o vencedor".

E, segundo jornalistas e observadores diplomáticos acreditados em Dakar, no parlamento já há movimentações de deputados para que o ex-presidente guineense se vá encostar em outra paragem.

Manifestantes exigem saída de Sissoco do Senegal

O desagrado pela presença de Sissoco em Dakar não se limita apenas ao primeiro-ministro: Na manhã deste sábado, manifestantes vão à rua para exigir a saída imediata do “ditador”.

“Estamos unidos para exigir a saída imediata do ditador Umaro Sissoco Embaló do território senegalês, pois nenhum país democrático deve acolher quem viola a vontade popular e ameaça a paz do seu próprio povo”, pode ler-se no comunicado subscrito pelo Movimento para a Salvaguarda da Democracia em África, que integra organizações que lutam pelos direitos humanos e pela democracia.

Marcada para as 10:00 locais (09:00 de Cabo Verde), a concentração está prevista junto à embaixada da Guiné-Bissau, situada no Bairro Mermoz, seguindo os manifestantes até ao Palácio Presidencial.

“Convidamos não só os guineenses, mas todos os africanos e, em especial, os irmãos cidadãos senegaleses, a solidarizarem-se com o povo da Guiné-Bissau nesta causa pela democracia, pela justiça e pela dignidade dos povos africanos”, pode ler-se, ainda, na convocatória do Movimento para a Salvaguarda da Democracia em África.

Já poucos engolem a narrativa do golpe de Estado

Três dias após a intentona de Bissau, já poucos engolem a narrativa do golpe de Estado. E isso é visível na imprensa internacional, que começa a considerar o suposto levantamento militar como um falso golpe de Estado, orquestrado e dirigido por Sissoco, tendo por fim evitar a vitória da oposição no último domingo.

Sissoco e o seu grupo de fiéis nem foram muito inteligentes porque, um dia após o golpe, já se começava a perceber a quem servia o levantamento militar e qual o alvo, com a caçada que se lhe seguiu a opositores do ex-presidente e pela nomeação do novo chefe do Governo, um fiel de Sissoco e seu ministro das Finanças. Isto, sem falar na composição do Alto Comando Militar, tudo homens de mão do atual fugitivo em Dakar.

A campanha de desinformação da opinião pública nacional e internacional, alegando que a ação militar teria por objetivo evitar um golpe de Estado apoiado por barões da droga nacionais e internacionais, supostamente para favorecer a oposição, por tão descabida, só se aguentou algumas horas. E, em Bissau, para além da população, o corpo diplomático também não engoliu a narrativa.

Agora, na capital guineense fazem-se apostas sobre a questão de saber dentro de quantos dias os medalhados e anafados generais, que nunca travaram um combate, serão obrigados a abandonar o poder.

Foto: Captura de imagem/Facebook

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