
A vice-presidente da Associação Cabo-verdiana de Surdos, Adelcia Tavares, anunciou hoje, na cidade da Praia, a criação de uma biblioteca e de espaço multimédia, além do reforço da formação em língua gestual, para apoiar estudantes surdos.
De acordo com Adelcia Tavares, a aposta centra-se na capacitação de pessoas ouvintes, com especial enfoque nos pais de crianças e jovens surdos, bem como em membros da sociedade interessados em aprender língua gestual, considerada uma ferramenta essencial para reduzir barreiras de comunicação.
Entre as prioridades está também o reforço dos equipamentos da instituição.
A associação dispõe apenas de um computador destinado ao funcionamento administrativo, situação que limita o apoio aos estudantes surdos, tanto do ensino secundário como do ensino superior, que necessitam de meios para pesquisas e realização de trabalhos escolares.
Nesse sentido, encontra-se em perspectiva a criação de uma pequena biblioteca e de um espaço multimédia, destinados a promover hábitos de leitura, escrita e trabalho em grupo.
A iniciativa visa colmatar dificuldades detectadas no acompanhamento escolar, num contexto em que muitos pais enfrentam constrangimentos na comunicação com os filhos.
Segundo a mesma fonte, persistem desafios ligados ao reduzido domínio da língua gestual por parte de professores e da comunidade em geral, factor que continua a condicionar o processo de aprendizagem das crianças surdas.
A necessidade de formar mais intérpretes e docentes com competências básicas em língua gestual integra igualmente as preocupações da direcção.
A associação mantém, por outro lado, actividades como a colónia de férias, que procura reunir surdos da Praia e de outros concelhos e ilhas, promovendo a inclusão e o fortalecimento da identidade da comunidade surda em Cabo Verde.
Quanto ao número de membros, não existe um registo definitivo, devido à constante actualização de inscritos, estimando-se, contudo, cerca de cinquenta pessoas ligadas à instituição, entre estudantes do ensino secundário e universitário.
Com um percurso de aproximadamente 25 anos ligado à causa, Adelcia Tavares continua envolvida no trabalho associativo, num esforço contínuo para ampliar oportunidades e melhorar as condições de inclusão das pessoas surdas no país.
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