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Por: Fernando dos Reis Tavares

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A ilha de Santiago vem sendo prejudicada desde a época colonial no seu desenvolvimento em detrimento de outras ilhas. Em 1917, não foi escolhida para a instalação do primeiro liceu, apesar de ser a ilha maior e mais povoada da colónia, sede da administração. Passado anos, não teve a sorte com a escola dos padres salesianos. Nos anos 50 do passado século, foi a vez do caís acostável, surgiu outra ilha a ser beneficiada. A Escola Industrial e Comercial ficou longe da ilha de Santiago. Para a importação de bens e serviços, a Santiago coube 20% do montante atribuído à colónia. Esse desequilíbrio de visão, serviu para divisão da débil e frágil população e para o propositado atraso da ilha de Santiago.

Com a independência nacional a 5 de julho de 1975, em que a união era a forma mais digna de conduzir o país à sombra da bandeira do P.A.I.G.C., proporcionando um desenvolvimento harmonioso, lançando mão na criação da EMPA, a TACV, a Companhia Arca Verde, a SONACOR, a EMEC, a dinamização das obras públicas, as seguradoras, as telecomunicações, a EMPROFAC, a ENACOL, a Justino Lopes com a sua charcutaria, mola propulsora da autossuficiência alimentar, lembrando a fome de 1940 a 1949, em que mais da metade da população destas ilhas morreu de fome.

Hoje, tudo o que acima apontei desapareceu deste país às mãos dos democratas que ascenderam à governação de Cabo Verde, por obra e graça de um dito liberalismo económico de 1991 a 2001, na forma de privatizações e liquidações de empresas públicas. Diziam essas figuras que tinham negociado as empresas cabo-verdianas, obtendo um encaixe económico muito grande. Contudo, entre 1998 e 2001, os cofres do Estado estavam vazios, sequer conseguindo fazer o pagamento de salários do funcionalismo público, socorrendo-se ironicamente da E.M.P.A., empresa que pretendiam liquidar às pressas, do I.N.P.S. e empréstimos internacionais.

Os democratas hoje no poder alegam que em 1991, encontraram o país quase na bancarrota, entretanto assim que se assentaram na cadeira do poder, aumentaram entre 10 a 20 vezes os vencimentos de titulares de cargos políticos, o que levou ao descontentamento de alguns dos deputados à Assembleia Nacional, de entre os quais o Eng. Cipriano Tavares, que indignado com o obsceno aumento apanhou uma trombose, sendo evacuado para Lisboa onde acabou por morrer. Presentemente, pouco se lembram do ilustre deputado de São Domingos.

Os “mamadores” deixaram o país com uma economia robusta e sustentada numa moeda valorizada em mais de duas vezes em relação ao Escudo Português, garantido por um trust fund de vários milhões de dólares em depósito nos E.U.A. 

Para o desenvolvimento do turismo na ilha de Santiago, construiu-se várias unidades hoteleiras, vias rodoviárias que ligam Praia ao Tarrafal, um aeroporto internacional na Praia e outras infra-estruturas de apoio. O que não caiu no gosto de alguns caboverdianos, tais como o actual Presidente da Camara de São Vicente, o ex-Ministro da Cultura, o Arq. António Jorge Delgado, o Doutor. Onésimo da Silveira, que tiveram a coragem de manifestar o seu anti-Santiago. A essas três pessoas tiro o meu chapéu para engrandecer a nobreza e a dignidade por terrem revelado publicamente as suas ideias e repudio com desdém aqueles que pensam como eles e escondem-se no anonimato para atirarem pedras e lagartos para prejudicarem a ilha e o seu povo.

Quem se esquece da aversão desses que não concordavam com a eletrificação da ilha, da asfaltagem de estradas, da construção do cais acostável da Praia, construção do Aeroporto Internacional da Praia e das barragens?

Com o aparecimento do Corona Virus em Cabo Verde, caiu nas mãos dos inimigos de Santiago um justificativo para isolarem a ilha, proibindo os turistas de cá chegarem, arredando Santiago dos preciosos recursos da maior industria do sec. XXI.

Antes do confinamento da população, havia um casal infetado em Achada de São Filipe, cujo marido veio da Europa. De seguida, o Presidente da República decretou o Estado de Emergência. Em Santa Catarina, a Polícia Nacional, por ordem do Governo, saiu nas ruas da cidade proibindo a circulação de carros e pessoas, fechando escolas, lojas, mercearias, bares e restaurantes como medidas de prevenção. Um mês depois dessas medidas, o sr. Presidente da República surpreendeu a população de Santiago com a divulgação de que já eram mais de trezentos infetados com a doença, ilibando as outras ilhas do maligno e invisível vírus e encarcerando dessa forma, “urbi et orbi”, a população santiaguense.

Artigo originalmente publicado pelo autor na sua página do facebook

Comentários  

0 # José Santos 03-06-2020 15:10
Sr TOCO, era só para o apoiar. Subscrevo o que disse. Tenho por mim que os nossos sucessivos governos e nossos de[censurado]dos, é claro que há exceções, zelam menos quando o assunto é Santiago. Nós não conseguimos dar à Praia nem um estatuto especial que está na constituição do país, quanto mais aquilo que não está. Julgo que direta ou indiretamente, são o pessoal de barlavento, que manda nisso. Os donos disto tudo.
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+2 # Cidadao solidario 31-05-2020 05:26
Este cidadão sofre...
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+1 # Manuel 31-05-2020 22:33
Com todo respeito concordo, O senhor acha que Santiago é capital, só ela é que tem que ddesemvolver, pois todas as ilhas devem estar em equilíbrio. Nos casos que o senhor apontou sobre o primeiro liceu, os padres salesianos, o cais está a referir a ilha de São Vicente que recebeu todos estes casos, mas a ilha de Santiago também é beneficiada quando teve a primeira unifercidade, o primeiro Hospital, etc o senhor notou somente os vantageosos a ilha de Santiago. E porque que o vírus alargou na ilha com mais facildade porque a população nao contribuiu, em Boa Vista foi-se melhorando, em São Vicente já os pacientes recuperaram e agora evacuaram uma grávida contraida com o vírus que pode por em causa os Mindelenses, isso o senhor não vê que nao é só a ilha de Santiago que fica prejudicado. E quando fala de Cabo Verde não é somente a capital que faz parte dela mas sim todas, todas as outras ilhas.
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-5 # Recordação important 30-05-2020 16:27
Sr.Toco, estou totalmente de acordo consigo quanto a descriminação negativa de Santiago desde a época colonial. Essa descriminação continuou descaradamente, após a independência, até 1990. O sr. Toco não se recorda da percentagem da participação do Badio no governo do PAIGCV, de 1975 a 1990? Não se recorda que,a dado momento da história da nossa independência, apenas David H. Almada era representante do povo Badio no governo do PAIGCV? A partir de 1991, começou a haver algumas alterações, mas que ainda deixem muito a desejar. Gostaria de ler essa sua contribuição entre 1975 e 1990 ou 2001 a 2016. Nesses longos períodos, o sr. esteve sego, surdo e mudo Comportamentos desses tiram a credibilidade a qualquer ser humano.
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-1 # Domingos L. Barros 30-05-2020 15:26
Senhor prezado e ilustríssimo cabo-verdiano, Fernando dos Reis Tavares, antes de mais para lhe apresentar os meus respeitosos e denodados cumprimentos. O meu distinto maioral e honrado compatrício disse quase tudo. Apenas faltava perguntar aos badios que nos governam, por que tentam matar, de "mais de mil mortes", como diria o seu camarada de cárcere Ovídio Martins, a ilha que os pariu. Com muita deceção e tristeza Minha, tenho lhe confessar, a continuar assim, qualquer dia, a vossa luta para independência não valerá de nada. O que é qui Nhu Grandi TOCO TABARI sta spera, quando temos badios complexados que maltratam e amarfanham o próprio berço onde nasceram, badios birrentos e miseráveis, que excluem badios nos meios de comunicação social, por causa de cegueira e fanatismo político? O que espera a Vossa Excelência de indivíduos de navegação e sem visão do longe e do razoavel? Alguns sao os chamados imbastáveis da república que tudo arrebanham para si e não querem saber nem do ninho, nem do berço e quanto mais da ilha. Estimados compatrício e abalizado SÓCRATES DE SANTIAGO, a culpa está em nós próprios, exclusivemente. Claro que os outros se aproveitam das nossas incongruências e maledicências, para tirarem proveito da situação. Enquanto um badio de santinuar a colocar a militancia e o fanatismo partidário à frente das pessoas e da sua própria ilha, não vamos lá, nem daqui a um milhão de anos. Assumamos as nossas responsalidades e deixemos os outros nos seus lugares, que só nos fica bem. Um gouverno composto maioritariamente por badios, com um ministro da incultura, espúrio badio, que cospe no sagrado cultural da própria ilha, para cair no agrado de sacripantas e defensores de iniquidade, os sibaritas da laia dele? É triste, mas há mais e muito mais a dissertar. E alguns jornais sem escrupúlos e sem critérios? Estou Num pequeno telemóvel, n ka podi más. Camilo Domingos qui fla.
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+1 # SÓCRATES DE SANTIAGO 30-05-2020 13:04
Caríssimo Fernando dos Reis Tavares, vulgo, TOCO, COMBATENTE DA LIBERDADE DA PÁTRIA, concordo, ipsis verbis, com o conteúdo do seu texto. Houve, tem havido e há, efetivamente, uma certa tentativa de travar o DESENVOLVIMENTO DE SANTIAGO AO LONGO DOS TEMPOS. E o mais grave ainda é quando um partido como MPD, fundado por santiaguenses, mal assessorado por CERTOS SAMPAS DO NORTE e TRISTE e VERGONHOSAMENTE APOIADO POR ALGUNS BADIOS DO SUL, vem tomando algumas medidas ANTI- SANTIAGO, como sendo a transferência da base da TACV para o Sal, a transferência do MINISTÉRIO DO MAR para S.Vicente e localização de todos os investimentos marítimos para essa ilha, o não investimento no sector do agronegócio em Santiago, o DESMANTELAMENTO DA UNICV, tirando uma parte da mesma para a criação de qualquer coisa de nome UTA, como bem disse o combatente, OS SUCESSIVOS PROLONGAMENTOS DESNECESSÁRIOS DO ESTADO DE EMERGÊNCIA EM SANTIAGO, com prejuízos avultados para a GRANDE ILHA, enfim, VÁRIAS SABOTAGENS EM RELAÇÃO A SANTIAGO, NOS ACTOS E OMISSÕES. Cá da Praia, mando um forte abraço a si, Senhor TOCO, eu que sou um dos seus grandes admiradores, desde os tempos em que o Senhor foi encarcerado na antiga COLÓNIA PENAL DO TARRAFAL. Mantenha!
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