
Marcos Rodrigues, presidente da Câmara de Comércio de Sotavento, considerou hoje uma “boa notícia” a retoma do acordo de acesso preferencial de produtos cabo-verdianos ao mercado norte-americano por achar que ajuda a fomentar o tecido empresarial cabo-verdiano.
O presidente da Câmara de Comércio de Sotavento (CCS) considerou esta quinta-feira, 05, como “boa notícia” a retoma do acordo de acesso preferencial de produtos cabo-verdianos ao mercado norte-americano, através da Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA). Em declarações à Inforpress, Marcos Rodrigues disse que esta medida irá ajudar os empresários na exportação dos seus produtos.
“É uma boa notícia, porque Cabo Verde, embora não seja um grande exportador para os Estados Unidos da América, tem realmente algumas áreas de produção nacional que já vinham fazendo as suas operações de exportação com os EUA”, disse o presidente da CCS.
“Para nós, para os cabo-verdianos, é o mercado da saudade onde nós estamos a colocar os produtos, mas é uma boa notícia que registamos com apreço e esperamos que haja evolução bastante positiva nesta caminhada”, sublinhou Marcos Rodrigues.
Questionado sobre as vantagens deste acordo para o nosso país e seus empresários, Marcos Rodrigues admitiu serem muitas, apontando como uma delas a possibilidade da exportação dos produtos “made in Cabo Verde” para os Estados Unidos da América (EUA) com a isenção fiscal bastante atrativa e que se traduz em benefícios às empresas do país.
“Como deve calcular, Cabo Verde não tem indústrias de grande porte que possam exportar em grande escala, mas pode, através desse acordo da AGOA, incentivar vários investidores até internacionais a operarem a partir de Cabo Verde, a ter indústria no país a produzir e exportar para os Estados da América”, observou o presidente da CCS.
Atenção às alterações que a economia global está a sofrer
Marcos Rodrigues alertou, no entanto, que neste momento as circunstâncias globais, a restrição dos mercados e a questão da globalização, como se conhecia antes é bastante diferente, estando em retrocesso devido às alterações que a economia global está a sofrer.
Face a estas mudanças, o presidente da CCS explicou que, há poucos dias, a Índia assinou um acordo com os EUA e com a Europa que vai alterar o quadro operacional das relações internacionais, uma vez que a própria Índia faz parte do agrupamento de grandes economias emergentes - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - que atua como foro político-diplomático para aumentar a cooperação e a influência do Sul Global, denominado pelo BRICS.
“Isto são questões bastante importantes para Cabo Verde explorar profundamente e tentar captar e capitalizar os investidores externos para que, a partir do país, possam produzir produtos e, no âmbito da AGOA, chegar aos Estados da América”, afirmou.
Referindo-se às ilhas de Sotavento, realçou que o produto mais importado para o mercado dos EUA é o grogue que serve essencialmente à imigração cabo-verdiana, mas admitiu que o país poderia ter outros produtos a ser exportados na área de transformação de pescado.
A Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA, na sigla em inglês) foi prorrogada até 31 de dezembro de 2026, e reativa acordo comercial preferencial com 30 países da África subsariana, incluindo Cabo Verde, ao mercado norte-americano por mais um ano.
C/Inforpress
Foto: CCS
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