Propostas de Francisco Carvalho visam “dar dignidade aos cabo-verdianos”
Política

Propostas de Francisco Carvalho visam “dar dignidade aos cabo-verdianos”

Com salão cheio, Francisco Carvalho esteve com emigrantes cabo-verdianos em Queluz, Portugal, num encontro marcado por uma forte participação da comunidade. O líder do PAICV disse que, após uma década de “políticas falhadas”, o MpD quer “ludibriar” os cabo-verdianos” e que os transportes são um “indicador do estado de degradação país”. E apresentou algumas das propostas para o futuro de país, em áreas como a saúde, a educação, a formação, os transportes, a habitação e o acesso à administração pública, entre outras.

O salão da Paróquia Nossa Senhora da Fé, em Monte Abraão (Queluz, Portugal), foi pequeno para acolher os emigrantes que responderam à chamada de Francisco Carvalho para um encontro com a comunidade cabo-verdiana. Aconteceu na tarde deste sábado, 07, e levou ao palco o líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), o deputado eleito pelo Círculo da Europa e Resto do Mundo, Francisco Pereira, e as deputadas Adélcia Almeida (Santiago Sul) e Elisângela Semedo e Evelina Ramos, eleitas por Santiago Norte.

O encontro saldou-se por uma forte participação da comunidade, com imigrantes residentes em Portugal, muitos deles há vários anos, e estudantes cabo-verdianos que fazem os seus estudos em Lisboa e nos municípios limítrofes à capital portuguesa. Na plateia podiam ver-se, ainda, empresários e agentes da cultura, que quiseram falar com Francisco Carvalho no final do encontro.

A intervenção do líder do PAICV teve dois momentos distintos. Um primeiro, marcado pelo retrato de uma década de governação do Movimento para a Democracia (MpD), que Francisco Carvalho caracterizou como um “falhanço” para o país. E, um segundo momento, em que o candidato a primeiro-ministro apresentou um conjunto de propostas que irão enformar o programa do PAICV para a governação do país.

Após uma década de “políticas falhadas”, o MpD quer “ludibriar” os cabo-verdianos

Elencando os problemas com que a sociedade cabo-verdiana se vem debatendo, o candidato a primeiro-ministro sublinhou um primeiro “indicador do estado de degradação país”, nomeadamente no que respeita aos transportes marítimos.

Aludindo às imagens e a notícias, que ultimamente têm vindo a ser apresentadas nas redes sociais e nos órgãos de comunicação social, Francisco Carvalho fez um retrato falado das “filas de pessoas a comprarem gás, um claro falhanço em termos de disponibilização de bens básicos, os bens essenciais para a satisfação das necessidades das populações ao nível das ilhas do país”, enfatizou o líder do PAICV.

Sem nunca referir o nome de Ulisses Correia e Silva, Francisco Carvalho manifestou, ainda, a sua indignação pelas “medidas de última hora” que o Governo tem vindo a adotar, tentando “ludibriar os cabo-verdianos”, porquanto “passou os últimos dez anos sem resolver os principais problemas do país”.

Propostas para o futuro do país

No segundo momento da sua intervenção, o presidente do PAICV e candidato a primeiro-ministro centrou-se em algumas das propostas para o futuro de país, centradas “numa perspetiva de conferir dignidade aos cabo-verdianos”, nomeadamente, nas áreas da saúde, da educação, da formação, transportes, habitação e acesso à administração pública, entre outras.

Francisco Carvalho defendeu a “garantia do acesso gratuito aos cuidados de saúde”, bem como ao ensino superior, “após a realização de testes de acesso”, bem como “disponibilização de bolsas para os estudantes que ingressem em universidades privadas” e “garantia de formação profissional gratuita para os jovens que quiserem apostar na formação profissional”. E reiterou as suas propostas de preços para os transportes entre as ilhas, nomeadamente, de quinhentos escudos para os transportes marítimos e de cinco mil escudos para os transportes aéreos.

Dentro deste pacote de medidas para “conferir maior dignidade aos cabo-verdianos”, segundo o líder do PAICV, “entra também a questão da habitação, com a construção de casas para todos, no sentido de se proceder ao realojamento para se eliminar as construções de ‘bidon’ e as barracas existentes nas diversas ilhas de Cabo Verde”, em particular, em Santiago, São Vicente, Sal e Boa Vista.

Uma outra medida apresentada por Francisco Carvalho tem a ver com a “realização de concursos para o acesso a cargos de topo na administração pública, isto numa perspetiva de aprofundamento da democracia e de criação de igualdade de oportunidades”. Mas, também, defendendo a implementação de concursos para os cargos de presidente do Tribunal de Contas e a criação de uma inspeção geral do Estado, já as inspeções financeiras “não podem funcionar sob a alçada de um ministro”. O líder do PAICV defendeu, ainda, a “eleição do procurador-geral da República”.

Segundo Francisco Carvalho, a realização de concursos para o acesso a estes cargos apresenta, “logo à partida, duas vantagens”: a “reafirmação do mérito, enquanto critério de acesso” e garantindo “uma maior autonomia e fim da influência do primeiro-ministro, que é presidente de um partido político”, o que considerou um constrangimento à sua necessária independência.

Recordando a “varinha mágica” de Ulisses

O líder do PAICV relembrou duas passagens “que ilustram muito bem o tipo de político que é o presidente do MpD”, nomeadamente, aquela em que Ulisses Correia e Silva afirmou não ter “uma varinha mágica, quando confrontado sobre a promessa de criação de 45 mil postos de trabalho”, e que “os empregos não caem do céu”. A outra passagem reporta também a uma resposta do presidente do MpD, de que “uma coisa é a campanha e outra completamente diferente é a governação”. O que, para Francisco Carvalho, quer dizer que “durante o período de campanha pode prometer mundos e fundos e que, depois de ganhar as eleições e chegar à governação, aí é completamente diferente”.

Emigrantes criticam processo de recenseamento

Uma das críticas mais fortes dos emigrantes foi a referência, a várias vozes, sobre o andamento do processo de recenseamento. A queixa mais recorrente foi a de que “não há informação, não há planificação”, bem como o facto de vários membros das comissões de recenseamento não terem sido, ainda, empossados em Portugal e em vários países da Europa.

E houve mesmo afirmações de que “o MpD está, neste momento, a fazer de tudo para inviabilizar o bom andamento do processo de recenseamento eleitoral”, porquanto “já percebeu que a grande maioria dos cabo-verdianos quer votar contra” o partido do Governo.

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