
O ministro da Saúde contestou ontem a existência de um surto activo de disenteria bacteriana que tenha afetado e provocado a morte de turistas britânicos que estiveram na ilha do Sal, salientando que “não existem evidências epidemiológicas públicas” que confirmem tal situação. Jorge Figueiredo reagia a notícias vinculadas por meios de comunicação internacionais, considerando que estas carecem de base científica comprovada.
O ministro da Saúde, Jorge Figueiredo, contestou esta segunda-feira, 02, a existência de um surto activo de shigelose (disenteria bacteriana) que tenha afetado e provocado a morte de turistas britânicos que estiveram na ilha do Sal, sublinhando que “não existem evidências epidemiológicas públicas” que confirmem tal situação.
“Não existem evidências epidemiológicas públicas que confirmem um surto ativo, e os dados disponíveis não sustentam a interpretação apresentada na referida notícia”, afirmou Jorge Figueiredo, em conferência de imprensa, reiterando que a informação divulgada numa reportagem internacional (a que o Santiago Magazine fez referência) carece de base científica comprovada.
Em causa está uma reportagem publicada no domingo, 01, pelo jornal britânico Daily Mail, com o título “Famílias de turistas britânicos mortos por infeção em Cabo Verde recorrem à Justiça”, mas também noticiada pelo diário português Público.
Tratamento dado ao caso pode gerar perceções alarmistas
O governante considerou grave o tratamento dado ao tema, desproporcional e suscetível de gerar perceções alarmistas injustificadas, tanto em relação ao Serviço Nacional de Saúde como à imagem de Cabo Verde, país “reconhecido” pela sua estabilidade, segurança e progressos consistentes nos principais indicadores de saúde pública.
Segundo Jorge Figueiredo, dados oficiais das autoridades competentes do Reino Unido indicam que as doenças infeciosas gastrointestinais, incluindo a shigelose, “não figuram entre as causas relevantes” de mortalidade dos referidos turistas.
“Trata-se de um evento raro, de baixa letalidade, cujos óbitos se concentram predominantemente em indivíduos com vulnerabilidade clínica. Os relatórios de vigilância britânicos não identificam Cabo Verde como origem relevante de casos importados”, esclareceu o ministro.
Jorge Figueiredo acrescentou que a mera coincidência temporal entre a viagem e o surgimento da doença “não constitui prova de causalidade”, salientando que a determinação de um nexo causal exige confirmação laboratorial, investigação ambiental estruturada e análise epidemiológica comparativa, procedimentos que, segundo disse, “não foram realizados”.
Para o ministro da Saúde, esses elementos não podem resultar de alegações mediáticas nem de processos judiciais ainda em curso.
Interesses particulares não podem sobrepor-se a evidências científicas
Relativamente aos processos judiciais citados nas reportagens, Jorge Figueiredo explicou que estes são dirigidos a uma cadeia hoteleira privada, a qual tem a obrigação de cumprir integralmente as normas sanitárias nacionais, rejeitando que alegações individuais apresentadas no estrangeiro sejam generalizadas ou utilizadas para pôr em causa o sistema nacional de saúde e a imagem do país.
O ministro da Saúde defende, ainda, que interesses particulares não podem sobrepor-se à evidência científica nem comprometer a reputação construída por Cabo Verde ao longo de décadas.
Conforme avançou Jorge Figueiredo, o Ministério da Saúde acompanha o caso com a devida atenção e, desde o final de 2025, acionou os serviços competentes para a realização de uma investigação técnica rigorosa, envolvendo a Rede Nacional de Laboratórios, os serviços de vigilância e segurança alimentar, a Entidade Reguladora da Saúde e a Inspeção Geral das Atividades Económicas, assegurando uma avaliação cuidada das condições sanitárias e operacionais.
Cabo Verde entre os “mais seguros” do continente africano
O ministro da Saúde reforçou que Cabo Verde dispõe de um sistema de vigilância sanitária e epidemiológica “sólido e reconhecido” por parceiros internacionais, resultado dos avanços no controlo de doenças transmissíveis, na melhoria do saneamento, no reforço da segurança alimentar e no fortalecimento institucional, fatores que colocam o país entre os “mais seguros” do continente africano em matéria sanitária, contribuindo para a confiança de investidores e visitantes.
Por fim, Jorge Figueiredo reafirmou o compromisso do Governo com o rigor, a responsabilidade técnica e a transparência, garantindo que continuará a defender a credibilidade do Serviço Nacional de Saúde e a reputação de Cabo Verde enquanto destino seguro e Estado alinhado com os padrões sanitários internacionais, adiantando, ainda, que o Ministério da Saúde irá enviar um comunicado à imprensa internacional para esclarecimento dos factos.
De referir que a infeção por shigella, chamada de shigelose ou disenteria bacteriana, é uma doença que causa sintomas como diarreia com sangue, dor de barriga, enjoos, vômitos e dor de cabeça, acontecendo, de um modo geral, por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes.
C/Inforpress
Os comentários publicados são da inteira responsabilidade do utilizador que os escreve. Para garantir um espaço saudável e transparente, é necessário estar identificado.
O Santiago Magazine é de todos, mas cada um deve assumir a responsabilidade pelo que partilha. Dê a sua opinião, mas dê também a cara.
Inicie sessão ou registe-se para comentar.
Comentários