A estratégia policial no combate à criminalidade: entre a repressão e a inteligência
Ponto de Vista

 A estratégia policial no combate à criminalidade: entre a repressão e a inteligência

A segurança não se constrói apenas com armas, mas com justiça social. Em síntese, o combate á criminalidade exige uma estratégia policial baseada em inteligência, integração e proximidade comunitária. A repressão isolada mostrou-se insuficiente diante da complexidade dos fenómenos criminais contemporâneos. É preciso que o estado invista na tecnologia, formação continua e politica de segurança articuladas com o desenvolvimento social.

A criminalidade é um fenómeno social complexo que afeta diretamente a estabilidade, o desenvolvimento e a sensação da segurança da população.

No contexto Cabo Verde, os índices de criminalidade, esta ligada diretamente com o trafico de drogas, que tem alimentado vários outros crimes.

Diante disso, a estratégia Policial assume o papel central no enfrentamento da criminalidade, exigindo uma atuação que vai além de simples reprensão, sendo certo que, é necessário investir em inteligência Policial, integração institucional e aproximação comunitária, de modo a construir uma politica de segurança publica mais eficaz e humanizada.

Em primeiro lugar, é essencial compreender que a criminalidade não pode ser combatida apenas com aumento do efetivo Policial ou endurecimento das leis penais.

Segundo Raul Zaffaroni, jurista criminólogo (2003), reza o seguinte “o Estado que se limita a punição tende a fortalecer um sistema penal seletivo e ineficiente”.

Assim, a estratégia Policial contemporânea deve ser baseada em planeamento e uso inteligente de informações, o que carateriza chamado policiamento orientado por evidencias. Essa metodologia utiliza dados estatísticos, analise criminal e georreferenciamento para direcionar operações, reduzir desperdício de recursos e aumentar a eficácia das ações de segurança.

Segundo Herman Goldstein, antes de agir, é preciso identificar quais são os problemas reais que alimentam a criminalidade e como eles se manifesta. Nesta linha de pensamento Sherman demostra, com abundância de dados, que o policiamento focado em locais e horários críticos (hot spots) reduz violência com menos força e mais precisão

Por outro lado, o elemento fundamental é a integração entre as forças Policiais. A fragmentação entre Policia e demais órgãos de segurança compromete a eficiência das ações, isto é, a ausência de sistema integrados de informações e a falta de interoperabilidade entre as instituições dificultam investigações e o combate ao crime organizado.

A criação de centro integrados de comando e controle, permite o compartilhamento de dados em tempo real, otimizando a resposta estatal as ocorrências.

Entretanto, além da tecnologia da integração, a estratégia Policial deve também priorizar a proximidade com a comunidade, visto que o policiamento comunitário surge como alternativa, a logica meramente repressiva, valorizando o dialogo entre policia e sociedade.

Nesta ótica, fortalece o vinculo de confiança entre o cidadão e o agente publico, favorecendo a prevenção de delitos e a cooperação nas investigações como destaca Bayley (2002), á policia só é eficaz quando conta com apoio de população que serve.

Todavia, a eficiência Policial depende igualmente da valorização e capacitação dos profissionais de segurança, treinamentos contínuos, apoio psicológicos e condições adequados de trabalho, são medidas essenciais para reduzir o estresse ocupacional e prevenir abusos de autoridades. A formação humanizada contribui para um atuação técnica e ética, que respeite os direitos humanos e os princípios constitucionais.

Portanto, é indispensável reconhecer que a Policia sozinha não resolve o problema da criminalidade, a violência é também reflexo da desigualdade social, da ausência de politicas educacionais e de falta de oportunidades. Assim, a estratégia policial deve estar integrada a politicas publicas de inclusão, educação e cidadania.

A segurança não se constrói apenas com armas, mas com justiça social.

Em síntese, o combate á criminalidade exige uma estratégia policial baseada em inteligência, integração e proximidade comunitária. A repressão isolada mostrou-se insuficiente diante da complexidade dos fenómenos criminais contemporâneos. É preciso que o estado invista na tecnologia, formação continua e politica de segurança articuladas com o desenvolvimento social.

A atuação policial deve ser técnica e preventiva, mas também humana e democrática, somente assim será possível garantir uma segurança pública que não apenas combate ao crime, mas que também promova paz e cidadania.

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