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Por: José Valdemiro Lopes*

 JoseValdemiroLopes

O descontentamento social, sob a gíria “indignação” social, marca a elevação política dos cidadãos inconformados e reflete as fragilidades do sistema político cabo-verdiano e estamos observando a codificação desta era de reclamações, umas mais legítimas que outras, nas ruas, (Tarrafal de Santiago, Mindelo em São Vicente, Sal, Santo Antão), mas também, nos órgãos independentes de comunicação social e sobremaneira nas redes sociais…

Não é tarefa fácil, separar o populismo, das reivindicações sociais justas dos trabalhadores ou exigências em matéria de segurança dos cidadãos, também é verdade que os objectivos são diversos, queremos transportes entre ilhas, aéreas e marítimas, a preços acessíveis, com horários acertados, respeitados e salvaguardados os direitos e deveres dos utilizadores desses e outros serviços de utilidade pública, social e económica, exigimos bons salários e trabalho digno, etc.

Mas as dinâmicas internas ás necessidades socio económicas e mesmo politicas nunca serão, globalmente coincidentes e há tentativa de se interpretar as causas deste “mal estar social” perante e em confronto do “descontentamento cidadão” com o “establishment” e representação politica que apresenta esforços, mas na pratica, não oferece soluções efectivas, tendentes a fomentar um modelo de estabilidade social e verifica-se que a corrupção ganha força, com perigo de se institucionalizar… mais ainda, a crise económica quase permanente e o desemprego, sobretudo na camada juvenil, actuam como catalisadores importantes desta “indignação” “descontentamento” …

O crescimento econômico, verificado nos pais, um PIB á volta de 5%, não foi, por si mesmo uma solução, para a situação angustiante das vítimas do desemprego e da exclusão…

Em Cabo Verde, verificou-se pois um crescimento económico, através da desigualdade do “contra desenvolvimento”, quando visto sob o angulo de distribuição de “renda” que se traduziu, num pequeno aumento salarial oficial de cerca de dois por centos, (2%) atribuído, exclusivo e unicamente a uma pequena percentagem do pessoal do quadro publico, não abrangendo em nada o sector privado. Pode-se chamar a esta situação de “contra desenvolvimento”, a economia cresceu e não surtiu efeito nos cidadãos, a situação económica cabo-verdiana, no dia-a-dia, reduz e limita o acesso a grande maioria da população cabo-verdiana á satisfação de necessidades básicas e não se resolveu a situação herdada do regime político anterior, ainda vigente, em todas as nove ilhas habitadas: , que se traduz na privação de uma boa parte dos cidadãos do direito ao trabalho que independentemente de ser uma forma de garantir a sobrevivência, é um elemento fundamental para a integração social e para a dignidade humana.

Porque tanta violência no seio da juventude cabo-verdiana? Porque cerca de cinquenta por cento (50%) da juventude cabo-verdiana se tiver oportunidade, deixará Cabo Verde, para outras paragens, em busca de melhor oportunidade de vida?

A força da economia de subsistência cabo-verdiana, situa-se no “informal”, que leva a panela ao lume, para a maioria dos cidadãos destas dez ilhas do atlântico Os pequenos empreendimentos deveriam ser, por isso e por mais, fortemente encorajados, mas é o nível “médio” que exige a mais urgente atenção.

Cabo Verde deve enfrentar, mais reforma, ajustes ou transformação institucional, dirigida sobre tudo para as regiões e periferias (Regionalização), de um lado e de outro lado, implementar planeamento e coordenação de políticas públicas sinérgicas para fomentar um desenvolvimento inclusivo, socialmente responsável, ecologicamente viável e economicamente eficiente direcionadas para todas as nove ilhas e todos os aumentos na produtividade deveriam ser canalizados primeiramente e utilizados para gerar empregos e/ou oportunidades de ocupação…

Se queremos desenvolvimento, esta finalidade em si traduz-se no bem-estar social, sob a forma de empregos que tem  “alto valor social “, para um país arquipélago, jovem e moderno, que está apostando corajosamente, na tecnologia de informação e comunicação; a nação cabo-verdiana, através das suas universidades deveria cuidadosamente estudar e trazer resultados sobre “o social, o económico e o ambiental”, orientados para o “crescimento inclusivo” vocacionados, para o esforço prioritário para se promover uma integração fecunda dos sem empregos, em todas as ilhas.

Criar um ambiente propício ao desenvolvimento, no contexto nacional, implica criação de novas formas de parceria entre os protagonistas sociais do desenvolvimento, com atenção especial à cooperação entre autoridades públicas, empresas e organizações civis

Este projeto nacional exige visão — e deve envolver todos na invenção coletiva de um futuro desejável baseada em uma série de valores consensuais, realista sobre sua exequibilidade e sobre o tempo necessário para serem alcançados os objetivos propostos, como forma de garantir a verdadeira felicidade aos cidadãos cabo-verdianos…

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