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 Arlindo Andrade1

A poesia insular.

Cabo Verde

A insularidade que o caracteriza - dez ilhas no meio do Atlântico, cuja localização privilegia o contacto com o resto do mundo, e faz de Cabo Verde um pais de emigração. Os cabo- verdeanos encontram-se espalhados um pouco por todo o mundo, alguns dos poemas retratam essas mesmas vivências.

Cabo Verde - património humano, as relações afetivas com o mar, o firmamento, as relações familiares, a ilha de Santiago, as recordações e sonhos….

Mar

Paixão pelo mar

“O mar renova-me as forcas para lutar…” “… onde posso dar asas à grandeza do ser humano a pulsar dentro de mim, querendo vingar, querendo crescer”.

A abordagem em relação ao mar prende-se com aquilo que o mar dá e retira, ou seja, o mar que permite viajar, a dimensão do mar que desafia a dimensão de amor, o conhecimento e os meios para poder ultrapassar-se. A paixão pelo mar é uma constante. Dos 60 poemas do livro, em 21, o mar está presente.

Afectos

Paixão pela poesia

O poeta apaixona-se através do mar. O seu canto pode ser potenciado pelo eco do mar. O sentimento pode explicar esta relação.

- Saudade

A nível dos afectos, enquanto poeta cabo-verdeano, em alguns dos poemas, as relações familiares e o sentimento de pertença são pautados pela saudade.

- Lágrimas

O poema “lágrimas” retrata a saudade. O poeta, a viver num país estrangeiro, sente saudade das suas origens, da sua mãe, de tudo que o forma e conta as lágrimas sem saber definir-se.

A distância faz chorar. A gota de lágrima transformada no colectivo é usada para se curar, se sentir bem, é o bálsamo, nos momentos difíceis.

O poeta chora sempre que deixa Cabo Verde, mas tem a expectativa de encontrar uma vida melhor, onde quer que for. Pensa poder aprender mais, ter ânimo, para depois retornar ao seu país e compartilhar o orgulho inevitável da sua origem.

- Sentimento de pertença

Ainda no poema “Se um dia estiver triste”, a expressão “se o passado me impedir de agarrar o presente” pode ser entendida por: - o meu presente não é somente o meu passado. Ou seja, se ficar, agarrado a Cabo Verde, sem condições de abertura ao mundo não consegue vivenciar dia-a-dia de Cidades cosmopolitas, como é o caso actual da sua passagem por Londres.

- Infância

O poeta retrata ainda a sua infância, o cuidado e carinho da sua mãe.

Sonho

O sonho do poeta é cantar e encher de harmonia o universo, ou seja, cantar é um aspecto lúdico para o poeta.

Auto – conhecimento

No poema “olhos” …. “Janelas por onde vejo o mundo e me projecto nos horizontes que se estendem ao infinito dos infinitos”. Aqui, o poeta atento à realidade que o cerca procura que esta mesma realidade não limite o seu horizonte que é tão vasto como a dimensão do infinito.

A vida em Cabo Verde

O poeta retrata a vida em Cabo Verde abordando os dias que são longos, os aspectos culturais como as músicas e as danças, a emigração e os valores humanos como a humildade, a unidade e a solidariedade. Também se pode entender o que é ser criança em Cabo Verde “com ternuras sentidas e vividas”, e a inocência da vida.

- A cachupa

O prato tradicional que congrega familiares à volta da mesma mesa promove a tradição, a socialização, os recursos, a harmonia e o convívio.

- Ilha de Santiago

A ilha de Santiago composta por montes e vales que estendem os horizontes para além do mar…. é o povo que vive entre dois mundos: Cabo Verde e a Europa. A simpatia, a ternura e a alegria das suas gentes, apesar de não possuir muitos recursos, sabe fazer do pouco muito, não se perde em lamentos e assim, é um povo feliz.

- Cidade Velha

Poema que tem um prenúncio valorativo de um espaço, uma Cidade muito antiga, mas que é bonita. Rodeada de montanhas, coqueiros à moda africana, cães vadios, etc. Foi promovida e, hoje, património mundial da humanidade.

- Desenvolvimento

“As avionetas no voo, que mais parece parado” … definem o desenvolvimento que tarda a acontecer…. O tempo que, quase, para ali…. Nunca mais chega.

- Chuva

“As nuvens cheias, negras e cheias de chuva” …. Pleonasmo. Só existem porque as águas congregam-se. Se não tiver água, não existe nuvem. Enfatiza-se, ou seja, aqui o poeta pretende dar riqueza à nuvem, evidenciando o contraste da natureza. Enquanto as nuvens continuam cheias, cá em baixo a seca é ilimitada. A nuvem desafia a natureza terrestre, indiferente ao desejo das gentes que esperam que a negritude se transforme em queda desenfreada de água. A nuvem cheia é uma natureza degradando a outra parte da natureza, passam negras, prazenteiras e levam a água para outros lados.

“Chuva amiga e meiga que traz a pureza ao dia e intensifica o encontro” … expressa a necessidade da chuva para manter o equilíbrio social.

- Árvore “Pé de Poilom”

Descrevendo a especificidade e a singularidade da ilha de Santiago. Onde, se calhar em outras ilhas mais secas, não se pode falar e descrever esta árvore “frondosa, antiga, presença amiga que acalma”.

Pé de Poilom é uma árvore, cuja presença remete para a resistência da vida contra as contrariedades e incertezas….

- Positividade

“Quando o sol irradia com seus raios brincamos como se não houvesse tempo” … O sol é marcante e determina o estar, ou seja, o sol é aqui encarado como sinónimo de alegria e vida.

Homem

Poema que começa com um cumprimento histórico: homem de pedra (alusão à era da pedra), Homem de ferro, por alusão à era do ferro, contrasta com a evolução do homem de hoje. entre estes homens… o homem que era caçador por natureza para sobreviver, e a crucificação social que o obrigou a ser ágil para se alimentar, produzir e assim se desenvolver.

O homem que trabalha, trabalha, trabalha…, através dos tempos o homem tem evoluído. Ontem como hoje, muitos trabalhos foram substituídos pelas novas tecnologias, pela modernidade. Em Cabo Verde também as novas tecnologias se vão iniciando, com um percurso lento, mas preciso para que o trabalho humano seja substituído por mão de obra actualizada, à semelhança dos países desenvolvidos.

Explanação, resumida, do Livro “Para além do Mar” à venda em Cabo Verde na Livraria Nhô Eugénio, Cidade da Praia e em Lisboa na Livraria Barata.

O autor desta obra é Arlindo Mendonça Andrade. Nasceu na Ilha de Santiago, em Cabo Verde, onde viveu até aos 21 anos. Em Lisboa, licenciou-se Ciências da Comunicação e Cultura e fez o mestrado em Ciência Política. “Para Além do Mar” é o seu primeiro livro de poemas, publicado em 2017. Cabo Verde e o Mar são a sua grande inspiração. Além do livro, tem poemas publicados em 6 Antologias. Atualmente, vive em Londres.

Comentários  

0 # SÓCRATES DE SANTIAGO 24-03-2019 11:49
Falta o nome do autor da explanação e o do autor do livro PARA ALÉM DO MAR.
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