Desempenho do mercado de trabalho de Cabo Verde melhorou, mas requer atenção – FMI
Economia

Desempenho do mercado de trabalho de Cabo Verde melhorou, mas requer atenção – FMI

O desempenho do mercado de trabalho de Cabo Verde tem melhorado, desde 2016, mas há sinais que merecem atenção e debate, segundo um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) apresentado hoje na capital, Praia, num evento do Governo.

“A taxa de desemprego caiu de perto de 15% em 2016 para 7,5% em 2024”, uma queda para quase metade, ao mesmo tempo que houve um aumento da taxa de emprego, indicou Rodrigo Garcia-Verdú, representante do fundo em Cabo Verde.

No entanto, “a taxa de desemprego mantém-se a um nível ainda alto [7,5%]”, tendo em conta as taxas de crescimento económico (4,8% em 2023 e 7,2% em 2024) e as queixas de falta de mão de obra nalguns setores, como agricultura e construção civil.

Um dos motivos é “a proporção de jovens de 15 a 35 anos que não estão empregados, nem a estudar, nem em formação”, grupo denominado com a sigla inglesa NEET, referiu.

A proporção deste grupo relativamente à população “é elevada” e é um dos pontos que merece atenção, um número “preocupante”, porque representa “um quarto” daquela faixa etária, cerca de 41 mil pessoas.

“É importante que se avance na diminuição deste grupo. O Governo tem feito muito trabalho em formação e ensino técnico, mas é importante continuar a tentar diminuir [este contingente], porque são recursos que estão disponíveis a nível nacional que não está a ser usados”, indicou Rodrigo Garcia-Verdú.

Segundo o representante do FMI, “é preciso fazer um diagnóstico do que é que está a impedir os NEET de incorporar o mercado de trabalho (…). Provavelmente, tem de haver um esforço adicional para dar formações a este grupo que permitam a sua incorporação no mercado de trabalho”.

“Ao mesmo tempo, ouvimos da parte dos empregadores a dificuldade que têm em encontrar trabalhadores. Então temos aí um problema de ‘matching’”, de fazer corresponder as competências àquilo que procuram as empresas, detalhou.

“Outro problema do mercado de trabalho em Cabo Verde é a elevada proporção de informalidade: quase metade do emprego total é informal”, representando trabalhadores excluídos da proteção social e sem contribuir para a sustentabilidade do sistema de previdência.

“A persistência do elevado desemprego, da inatividade entre os jovens e da informalidade pode ser explicada pela falta de qualificações e competências relevantes exigidas pelos empregadores” e requer “uma análise mais detalhada por grupos de trabalhadores de acordo com o seu nível de escolaridade, para melhor compreender o problema”, sugeriu, na apresentação.

O estudo faz ainda uma relação entre emigração e a taxa de desemprego, indicando que a maioria dos emigrantes adultos na faixa etária mais produtiva (25-54) “tiveram maior probabilidade de estar empregados” no momento de emigrar, aumentando mecanicamente a taxa de desemprego.

Anna Massingue, economista do Banco Mundial, oradora no mesmo evento, referiu que há necessidade de ajustar currículos à realidade do país, promover políticas de retenção de trabalhadores, do emprego feminino nos cargos mais bem remunerados e maior ligação entre as pequenas e médias empresas (PME), o coração da empregabilidade, e os mercados locais.

Noutros dados, o estudo apresentado pelo representante do FMI baseia-se numa população economicamente ativa relativamente constante, desde 2011, em torno de 225 mil pessoas.

No estudo aponta-se para uma transferência do setor primário para os setores secundário e terciário, com produtividade mais elevada.

A criação de emprego é “a prova de fogo” para a próxima década, sobretudo a nível do “sul global”, que deve ter respostas “à prova de bala”, referiu o vice-primeiro-ministro com a pasta das Finanças e Economia Digital, Olavo Correia, que tomou notas durante o evento.

“Se não houver soluções sustentáveis para este desafio, estamos tramados”, acrescentou.

Ou seja, é preciso responder a um crescimento para a casa de milhares de milhões de jovens à procura de emprego e Olavo Correia apontou algumas aspirações, tais como equiparar as qualificações obtidas em Cabo Verde a padrões internacionais e aumentar os níveis de produtividade e crescimento económico do país, para suportar um aumento da remuneração média.

“Temos de ter sentido de urgência”, concluiu.

Foto: Eugénio Teixeira (VOA)

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