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ARC conclui que não houve ingerência política no afastamento de António Espírito Santo dos comentários na TCV
Sociedade

ARC conclui que não houve ingerência política no afastamento de António Espírito Santo dos comentários na TCV

A Autoridade Reguladora da Comunicação (ARC) não deu como provada qualquer influência da administração da RTC ou de qualquer organismo de fora para o afastamento de António Espírito Santo do painel de analistas fixos do Jornal de Domingo da TCV. Mas adverte a Televisão pública sobre a “observância do pluralismo e da diversidade na sua programação, pois este não se resume nem tem a ver, necessariamente, com o pluralismo político-partidário”.

A deliberação N.º 72/CR-ARC/2023 de 10 de outubro, sobre o processo de averiguação na sequência da denúncia pública António do Espírito Santo Fonseca, relacionada com o seu afastamento como analista/comentador do painel de debate do Jornal de Domingo da TCV, decidiu “dar por não provada a eventualidade de ingerência político-partidária externa no conteúdo informativo da TCV, ou de quaisquer outros poderes da Administração, nem de qualquer organismo público ou privado”

O órgão regulador da Comunicação Social considerou que a saída de António Espírito Santo do painel de analistas ou comentadores do jornal de domingo da TCV foi “um equívoco sobre as garantias do pluralismo no espaço mediático” e “cedência ilegítima a pressões externas, resultantes de «alegados posicionamentos» nas redes sociais”.

Entretanto, a ARC recomendaa a TCV “a correcta observância do pluralismo e da diversidade na sua programação, pois este não se resume nem tem a ver, necessariamente, com o pluralismo político-partidário”.

Em reacção, a Direção da TCV destacou, em nota de imprensa, que “a Deliberação da ARC confirma a nossa abordagem à independência editorial e ao pluralismo na nossa programação. Agradecemos à ARC por realizar uma investigação imparcial e esclarecedora neste assunto. Reiteramos o nosso compromisso em continuar a servir o público cabo-verdiano com conteúdo informativo e análise diversificada, respeitando os princípios do jornalismo ético e imparcial”, assina António Teixeira, director do canal público de televisão.

António Espírito Santo fora convidado para se juntar a Felisberto Vieira como comentadores no Jornal de domingo durante uma temporada. Mas foi logo “desconvidado” pela emissora, alegadamente por não partilhar da mesma linha de pensamento do partido no poder e do Governo em si.

E isso gerou uma onda de solidariedade para com AES, com Felisberto Vieira a despedir-se do quadro - “Estou indisponível para prosseguir”, “não encaro o país como se a cidadania fosse carta fora do baralho” - e de várias personalidades a insurgirem-se contra a TCV, como analista político e ex-governante, José António dos Reis, que publicou neste diário digital um artigo a esse respeito intiotulado "E assim se «mata» a democracia".

O Presidente da República, José Maria Neves, chegou a usar a sua conta oficial no Facebook para expressar sua indignação e defender a liberdade de expressão e imprensa numa publicação onde falou do afastamento do Engenheiro António Espírito Santo, fundador do MpD e ex-presidente da Assembleia Nacional, do papel de comentador no Jornal de Domingo da TCV, ao qual foi convidado para uma temporada ao lado de Felisberto Vieira.

O presidente do PAICV, Rui Semedo, também comentou o caso, considerando tratar-se de um atentado ao estado de direito democrático. O MpD, pelo punho do deputado Euclides silva num artigo de opinião no O País, via as coisas menos dramáticas. "Só a direção de Informação da TCV poderá justificar por qual razão convidou António Espírito Santo e, logo a seguir, o «desconvidou» – o que também não deixará de ser precipitado".

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SOBRE O AUTOR

Hermínio Silves

Jornalista, repórter, diretor de Santiago Magazine

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