
Após ataques às refinarias iranianas pelos EUA e Israel, preço do petróleo disparou acima dos 100 dólares por barril. G7 vai discutir libertação de reservas emergenciais do combustível.
Os preços do petróleo ultrapassaram os 100 dólares por barril, pela primeira vez desde 2022, em consequência da guerra dos Estados Unidos da América (EUA) e Israel contra o Irão, iniciada a 28 de fevereiro.
O petróleo Brent, referência internacional, chegou a subir mais de 30 porcento (%), alcançando 119 dólares por barril, antes de recuar para cerca de 110 dólares, após as notícias sobre uma possível libertação de reservas estratégicas, que será negociada pelos países do G7 (o fórum político e económico que reúne Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e EUA).
Segundo o Financial Times, os ministros das Finanças do G7 devem discutir a libertação de reservas emergenciais de petróleo em uma reunião de emergência nesta segunda-feira 03, coordenada pela Agência Internacional de Energia (AIE).
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou o impacto da alta dos preços, afirmando que “os preços do petróleo a curto prazo, que cairão rapidamente quando a ameaça nuclear iraniana for eliminada”. Ele acrescentou que este é um “preço muito pequeno a pagar pela segurança e paz dos EUA e do mundo” e que “só os tolos pensariam diferente!”.
Mas, segundo cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI), cada aumento contínuo de 10% no preço do petróleo provoca, em média, uma elevação de 0,4% na inflação global e queda de 0,15% no crescimento económico.
Freio na produção
A alta de preços acontece após os ataques neste domingo, 08, contra a infraestrutura energética do Irão, atingindo instalações petrolíferas estratégicas na região de Teerão. Entre os alvos, esteve a refinaria de Tondguyan, localizada a sul da capital, uma das principais unidades de processamento de combustíveis da área metropolitana.
Os ataques também atingiram o depósito de petróleo de Shahran, no noroeste de Teerão, um dos principais centros de armazenamento e distribuição de combustíveis que abastecem a capital iraniana.
No sábado, o presidente Masoud Pezeshkian havia proposto cessar os ataques às instalações petrolíferas dos países do Golfo, caso interrompessem as agressões.
Em comunicado, o ministro das Relações iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que a Casa Branca anulou a oferta de paz aos países do Golfo, o que teria consequências na alta do petróleo. “Quando os mercados reabrirem, esse custo aumentará ainda mais e será diretamente transferido aos norte-americanos comuns nas bombas de combustível”, disse o ministro.
Além dos ataques militares iranianos às instalações energéticas dos países do Golfo, incluindo Catar, Arábia Saudita e Kuwait, o Irão mantém fechado o Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo. Neste cenário, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Kuwait reduziram a produção diante do acumular de barris sem destino, causado pelo bloqueio da rota marítima.
Por sua vez, em entrevista ao Financial Times, o ministro da Energia do Catar, Saad al-Kaabi, afirmou que todos os exportadores do Golfo poderão ser obrigados a suspender operações, o que poderia elevar o preço do petróleo até 150 dólares por barril.
Mercados em queda
A escalada da crise energética provocou forte turbulência nos mercados financeiros internacionais. Na Ásia, as bolsas registaram quedas acentuadas: o índice Nikkei 225, do Japão, fechou com queda superior a 5%; o KOSPI, da Coreia do Sul, caiu 6%; e, em Hong Kong, o índice Hang Seng recuou 1,35%.
Na Europa, o FTSE 100, em Londres, caiu cerca de 2%; o DAX, em Frankfurt, registou queda próxima de 3%. Nos Estados Unidos, os fundos do S&P 500 recuaram 1,7% e os do Nasdaq Composite, 1,9%.
C/Opera Mundi
Foto: Bloomberg/Ali Moammadi
Os comentários publicados são da inteira responsabilidade do utilizador que os escreve. Para garantir um espaço saudável e transparente, é necessário estar identificado.
O Santiago Magazine é de todos, mas cada um deve assumir a responsabilidade pelo que partilha. Dê a sua opinião, mas dê também a cara.
Inicie sessão ou registe-se para comentar.
Comentários