
O Grupo Caixa Geral de Depósitos concluiu quinta-feira, 15, a venda da posição de 59,81% que detinha no Banco Comercial do Atlântico, em Cabo Verde, à empresa Coris Holding por 82 milhões de euros, confirmou o banco português em comunicado ao mercado.
Na informação enviada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Caixa Geral de Depósitos refere que o grupo bancário “formalizou hoje, na Cidade da Praia em Cabo Verde, a venda de ações representativas de 59,81% do capital social do Banco Comercial do Atlântico (BCA), instituição cotada na Bolsa de Valores de Cabo Verde, à Coris Holding S.A.”.
A transação aconteceu “na sequência do processo anunciado a 14 de março de 2024 e após a decisão de não oposição do Banco de Cabo Verde, conhecida a 24 de novembro de 2025”, afirma a instituição financeira liderada por Paulo Macedo, em comunicado à imprensa.
A CGD adianta que a venda ocorreu “por um preço global de 82 milhões de euros, gerando uma mais-valia para a Caixa de 19,3 milhões de euros e um impacto positivo de 40 pontos base no seu rácio CET1, resultante da conjugação da mais-valia e da redução dos ativos ponderados pelo risco”, refere ainda a instituição.
O período de dez meses que decorreu desde o anúncio do negócio “permitiu às autoridades de Cabo Verde esclarecer todos os aspetos que [entenderam] relevantes, e também ao comprador aprofundar o seu conhecimento sobre o BCA”, refere a CGD num comunicado à imprensa.
Em março de 2024, quando a CGD comunicou a operação ao mercado, a venda foi anunciada por 70,5 milhões de euros (considerando a taxa de câmbio à data), com a ressalva de que os valores estariam “sujeitos a ajustamentos decorrentes da variação patrimonial do BCA, respetivamente, entre a data de referência estabelecida nos acordos de venda direta e o último dia do mês anterior à respetiva data da sua efetiva alienação”.
A diferença no valor da venda para os 82 milhões de euros referidos hoje resulta desses ajustamentos.
A empresa compradora, a Coris Holding, é um grupo bancário sediado no Burkina Faso, aprovado pela Comissão Bancária da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA).
De acordo com o site do grupo, atua sob a marca Coris Bank International, estando presente, além do Burkina Faso, na Costa do Marfim, Mali, Togo, Benim, Senegal, Guiné, Níger e Guiné-Bissau.
A CGD continuará presente em Cabo Verde, agora apenas através da posição que detém no Banco Interatlântico.
Segundo o grupo bancário português, “a concretização da venda do BCA corresponde ao cumprimento de um objetivo estratégico de restruturação da presença do Grupo Caixa em Cabo Verde, encerrando um ciclo de mais de duas décadas em que foi acionista de dois bancos neste país”.
A CGD tentou vender o BCA em 2020, mas a transação não se concretizou porque, na altura, “a Caixa entendeu que não estavam reunidas as condições” de forma a proteger quer os interesses da CGD, quer os interesses do BCA, sustenta a instituição no comunicado à imprensa.
“O processo foi retomado noutro contexto, assegurando o respeito pelas melhores práticas de ‘compliance’ e de ‘governance’, e sujeito às necessárias aprovações regulatórias”, indica ainda.
Além da alienação em Cabo Verde, o grupo CGD também está em processo de venda do Banco Caixa Geral – Brasil.
Em 18 de novembro, numa conferência, o vice-presidente da Comissão Executiva da CGD, Francisco Cary, disse que o grupo deveria receber propostas indicativas até ao “início de 2026” e, em função da “credibilidade dos proponentes” e da “qualidade das propostas”, fará a sua avaliação para decidir a alienação.
Com as autorizações regulatórias, uma alienação do banco no Brasil só deverá ficar concluída em 2027, disse.
C/Lusa
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