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Jornalista marroquino denuncia racismo em Cabo Verde através de carta às autoridades*
Ponto de Vista

Jornalista marroquino denuncia racismo em Cabo Verde através de carta às autoridades*

O racismo ainda ocorre em Cabo Verde. O tempo da escravatura já passou, mas continua presente em Cabo Verde. A Legislação do país e a sua política defendem que amam os outros. E creio que sim, há pessoas honradas aqui que eu conheço, mas infelizmente há outros que traem esta bonita Nação.

 

Sua Excia Sr. Presidente da República,

Sua Excia Sr. Primeiro-ministro,

Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros,

Sr. Ministro da Administração Interna

 

Sou o dr. Izzat El-Gamal, jornalista e editor-chefe do jornal marroquino 7DAY MEDIA, Membro da Associação de Imprensa Britânica, e secretário-geral da Organização Árabe para Disputas Internacionais e Resolução de Conflitos. Tenho que denunciar isto: no Aeroporto da Praia tudo é vendido aos árabes. Há um suborno a ser pago, seu valor é de 500 a 1000 dólares para cidadãos árabes poderem entrar em Cabo Verde. Alguns árabes (egípcios sobretudo) me disseram que já pagaram esses valores várias vezes.

Dois funcionários do jornal que deveriam chegar este sábado, 18, a Cabo Verde e que já tinham pago o visto electrónico e fizeram a devida reserva no hotel foram barrados no Aeroporto da Praia quando desembarcaram num voo de Dakar. Se tinham toda a documentação em ordem, então por que eles foram impedidos de entrar no país?

Esse problema impede os árabes de virem a Cabo verde em busca de turismo ou viagem de negócios, para abrirem projectos e investir. Em qualquer caso o Estado cobra seus impostos.  Mas o que aconteceu ontem, 18, no Aeroporto da Praia, é antiético, ilegal. Feito com ódio e teimosia, contra os árabes. Onde foi que a polícia escondeu todos os documentos que lhes foram apresentados? A agente policial que os abordou, de nome Eduarda, disse que eles só tinham passaporte com eles, apesar de apresentarem cópia do visto e da reserva do hotel para os visitantes.

Os dois cidadãos, os quais tiveram que ser mandados de volta, tinham sim visto electrónico, reservaram o hotel, e tinham uma nota emitida pelo meu jornal de convite para o seu acolhimento. Além do mais, eles tinha boa quantia de dinheiro com ele no bolso.

Esperei horas na zona de desembarque. Aí veio uma policial que não fala inglês, apenas português. Ela me disse para ir ter com a direcção de Frontera no Palmarejo, àquela hora da noite (19h), que sabia que estava fechada, para saber o que se passava. Penso que devia ser ao contrário, a Fronteira estar no Aeroporto. Bem, ao Palmarejo e como é óbvio nada. Fui novamente para o Aeroporto, em vão. É uma falta de respeito para os outros.

Esses dois cidadãos perderam 4 mil dólares até chegarem a Cabo Verde.

Considerei isso um insulto à minha pessoa. Escrevemos tudo de melhor sobre Cabo Verde, nos consideramos – enquanto órgão de comunicação social que está para estabelecer aqui e divulgar Cabo Verde para mundo – uma estrutura desta Nação.

Quando cheguei pela primeira vez escrevi que Cabo Verde é um país africano diferente para melhor. Mas ontem, com esse episódio, senti que ainda vivemos na escravidão, puro racismo. Inclusive, decepcionado, abordei este assunto com meus amigos e colegas nos Emirados Árabes Unidos que ficaram espantados, questionando se isto ainda ocorre num país com a fama de Cabo Verde.

Na verdade, Sr. Presidente da República, Sr. Primeiro-ministro, senhor ministro dos Negócios Estrangeiros, sr. Ministro do Interior vocês estão construindo, mas nas vossas costas estão a operar destroem. Deverá ser por isso que o tráfico de drogas passa muito pelos aeroportos de Cabo Verde. Há muita corrupção, porque mãos invisíveis controlam tudo. Infelizmente.

Peço-vos, então, que tentem melhorar esta situação a bem desta bonita Nação.

Melhores cumprimentos,

Izzat El-Gamal,

Editor-chefe da 7DAY MEDIA

(A 7DAY MEDIA é dona do jornal Youm7,  da revista diplomática Hayat e da revista Mark Hayat)

* Título da responsabilidade da Redação

 

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