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Abraão Vicente

O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, que também tutela a comunicação social, disse hoje que “os jornais não têm tido uma política de levar o seu produto às pessoas”.

Abraão Vicente fez essas afirmações em declaração aos jornalistas, à margem da apresentação do estudo sobre o Acesso e Consumo da Comunicação Social em Cabo Verde, promovido em parceria com o Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

Instado sobre o facto de 59 por cento (%) dos inquiridos não conseguirem citar o nome de um jornal impresso nacional, o governante afirmou que é “preocupante”, uma vez que, segundo ele, isso significa que o nível de literacia ligado à informação é “bastante baixa” no que se refere aos órgãos de comunicação social impressos.

“Há locais em Cabo Verde onde simplesmente os jornais não chegam. Aqui põe-se outra vez a velha questão da rede de distribuição dos jornais que não existem”, reconheceu, salientando que a previsibilidade de saída dos jornais em Cabo Verde é variável.

Para Abraão Vicente, é preciso repensar a situação dos jornais impressos no país.

“Dizem que estão ameaçados pelos onlines, mas aqui há claramente um outro problema adicional em Cabo Verde, que tem a ver com a insularidade das nossas ilhas e, muita das vezes, os jornais não conseguem chegar a tempo útil para serem atractivos”, queixou-se.

Nesta óptica, Abraão Vicente diz que se impõe outros desafios à imprensa, no sentido de se ter “matéria mais aprofundada” e um jornalismo de investigação, para evitar a divulgação de notícias que já foram consumidas.

“Eu não acredito na morte do jornal impresso. É uma questão de redefinir as políticas e as prioridades”, salientou.

Instado se o executivo vai apoiar a imprensa na distribuição dos jornais respondeu nesses termos: “Os privados devem tomar conta dessa questão porque a distribuição dos jornais é claramente uma questão privada. Continuaremos a apoiar através dos incentivos, mas, como é óbvio, não podemos engajar na rede de distribuição dos jornais”.

O governante afirmou ainda que não acredita na existência de pouco hábito de leitura em Cabo Verde, pondo a tónica na “atractividade nas linhas editoriais”.

A tutela da comunicação social recomenda a adaptação da imprensa aos novos meios, a fim de se chegar às pessoas.

Com Inforpress

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