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Rosana Almeida ICIEG  

A presidente do ICIEG disse esta sexta-feira, que o femicídio e as questões da VBG em Cabo Verde têm muito a ver com questões culturais e apontou a violência contra as mulheres como consequência de uma cultura machista.

Rosana Almeida fez essa leitura quando convidada pela Inforpress a comentar, no âmbito do Dia Internacional das Mulheres, se o femicídio e os casos de violência contra a mulher no país continuam a estar na “linha da frente” e repetitivo uma vez que a justificação face ao acto é sempre “cariz cultural”.

“O machismo, ou patriarcado, se refere a um sistema de relações sociais que atribuem papéis diferentes a homens e mulheres, colocando as mulheres em uma posição de subordinação e inferioridade face ao homem e gerando relações sociais, económicas e culturais historicamente desiguais”, justificou assim a sua resposta.

Se entendermos isto, sublinha a presidente do Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género, podemos perceber porque é que o assassinato de uma mulher pelo seu parceiro não pode ser lido como uma questão isolada e menos ainda no nosso contexto actual, quando em 2018, oito mulheres foram vítimas de femicídios.

“Seria uma irresponsabilidade não reconhecer estes assassinatos como uma questão cultural, que vai além da relação entre dois indivíduos. A existência da VBG deve ser entendida como um fenómeno social”, disse.

Conforme Rosana Almeida, dados do II IDSR mostram que 1 em cada 5 mulheres (22%) do arquipélago é vítima de violência no marco das relações conjugais (presentes ou passadas) enquanto que a totalidade das denúncias de Violência Baseada no Género (VBG) as vítimas são mulheres.

“Isto não é coincidência, é uma questão cultural. É prova de que temos uma cultura machista. Essa é uma constatação a nível mundial. Por exemplo, o estudo ‘Assassinato de mulheres e meninas por questões de género’, elaborado pelo Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (ONUDC) denuncia que diariamente, 137 mulheres são vítimas de assassinatos (o equivalente a seis por hora) cometidos pelos seus companheiros, ex-maridos ou familiares, quase sempre homens”, explicou.

No mundo todo, em países ricos e pobres, em regiões desenvolvidas e em desenvolvimento, um total de 50.000 mulheres são assassinadas todos os anos devido ao facto de serem mulheres.

Para a presidente do ICIEG este é um problema cultural que pode ser alterado e que implica que todos e todas tenham um papel determinante na hora de pôr um basta e construir uma sociedade em que a violência com base no género nunca seja aceite ou justificada.

Entretanto, dados de 2016 indicam tendência decrescente nos casos de VBG, tendo sido registados 3.076 casos, em 2017 apontou-se uma diminuição para 2.516 (-19%) do que em 2016, enquanto em 2018 o registo foi de 748 casos (-48%).

Com Inforpress



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Comentários  

0 # Di Longi 09-03-2019 22:08
Proponho um levantamento de todos os dossiers que estão no tribunal à espera de ultrapassar o período legal para ser arquivado..... tristi gó...... Amadeu tem razão.....
Responder
0 # Mendonça 09-03-2019 12:39
Um dado estatístico que precisa ser estudada è essa, porque Onde há mais corno há mais violência? Será que as cornudos está ligado à violência? Porquê que agora o corno è normal e até incentivado?
Responder