Reagindo à exigência de uma caução de 15 mil dólares para a obtenção de vistos de turismo e de negócios, o Governo de Ulisses Correia e Silva emitiu um comunicado onde lava as mãos e culpa os cabo-verdianos. O Governo de Cabo Verde parece ter-se assumido como porta-voz do Governo dos Estados Unidos, explicando a medida e apontando responsabilidades ao seu próprio povo, que deveria defender.
José Maria Neves promulgou na manhã de hoje o Orçamento do Estado para 2026. O documento, aprovado pela Assembleia Nacional em novembro último, ascende a 95,7 mil milhões de escudos, tendo recebido os votos favoráveis do MpD, a avaliação negativa do PAICV e a abstenção da UCID.
O Governo concedeu um aval de 275.662.500 milhões de escudos à sociedade Maseyka Holdings Investments para concluir as obras do hotel cinco estrelas "Four Points by Sheraton", na ilha de São Vicente, cuja construção foi afetada pela tempestade de agosto.
“É um orçamento que tem menos um milhão de contos relativamente ao de 2025. Ora, reduzir o orçamento, com tantos problemas que temos neste país, não é bom sinal”, afirmou o deputado da UCID António Monteiro.
Para o deputado do Movimento para a Democracia Paulo Veiga, a proposta apresentada pelo Governo traduz a “vitória da estabilidade, da confiança e da boa governação” conduzida por Ulisses Correia e Silva.
Para o líder parlamentar do maior partido da oposição, Clóvis Silva, o OE2026 confirma “o esgotamento político e a falta de rumo” do Governo do MpD, ao apresentar “um documento sem visão estratégica nem credibilidade económica” no final da legislatura.
Ulisses Correia e Silva retoma o discurso de que as crises dos últimos anos, secas prolongadas, a pandemia da covid-19, o impacto da guerra na Ucrânia e, mais recentemente, a tempestade Erin, foram responsáveis por o país não ter avançado mais, e salienta as áreas mais criticadas pela população, às quais as oposições têm vindo a apresentar propostas. No seu discurso de abertura do debate parlamentar, o chefe do Governo já está com os olhos postos nas legislativas de 2026, repescando promessas antigas e contempladas em anteriores orçamentos.