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Por: DRC

É evidente que estamos perante um ato pernicioso, lesivo aos interesses do estado. Esta confidencialidade fundamenta-se na negação dos princípios basilares que orientam os negócios públicos, colocando o governo nas mãos dos islandeses, pese embora o facto de hoje a tendência oficializada é fazer deslocar as culpas todas para a conta da Covid-19. Entretanto, por mais que o Olavo Correia tente empurrar as responsabilidades para o novo coronavírus e outras pérolas como "o mundo mudou", aconselham as evidências registar que o país está sendo estripado, enquanto a desconfiança e o descrédito campeiam pelo imaginário de uma nação incrédula e sorumbática! 

cva 02 07

TACV passou por um processo de privatização e hoje é CVA. O governo vendeu 51% da empresa aos Islandeses, pelo valor de 48 mil contos. Ninguém sabe se os islandeses já pagaram ou não o valor acordado, mas sabe-se que o governo vem assumindo os passivos da empresa, nos termos do acordo parassocial firmado entre as partes, tendo inclusive avalizado um crédito, supostamente para investimento, no valor de 20 milhões de euros, entre outros afagos financeiros para aliviar a tesouraria daquela que continua sendo, no imaginário coletivo, a companhia de bandeira do arquipélago.

Sabe-se ainda que, nos últimos meses, a empresa não tem conseguido honrar os seus compromissos de funcionamento, nomeadamente os salários dos trabalhadores e outros encargos operacionais, situação que terá contado com a benevolência financeira da ASA para ultrapassar esses sufocos contingenciais, conforme informações vindas a público. O governo também terá estendido a sua mão à empresa nessa questão dos salários, pois o vice-primeiro ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, havia afirmado em finais de março que assumiria os salários dos trabalhadores, se necessário fosse, sob a alegação que estes não podem ficar privados do fruto do seu trabalho. Este mesmo homem que antes dizia alto e bom som que não iria gastar um único cêntimo com a empresa a partir da privatização.

As informações sobre o funcionamento da CVA são escassas. Tudo é feito sob sigilo máximo. Todavia, cá fora, salta à vista que a empresa não anda de boa saúde. Os sucessivos atrasos no pagamento dos salários, referenciados em cima, é um sinal, entre muitos outros de ordem operacionais, nomeadamente o não pagamento, ou pagamento com atrasos acentuados, das indeminizações, o encerramento de várias linhas comerciais, algumas com pouco tempo de operação, que evidenciam uma certa atrapalhação nas decisões…

Quando o processo de privatização chegou ao fim, em março de 2019, o governo apareceu aos cabo-verdianos casa adentro, afirmando que o mais tardar até outubro, a CVA teria um total de 11 aparelhos a voar no céus de Cabo Verde para todo o mundo. Ficou-se, no entanto, pelos 3 aparelhos e até este momento ninguém sabe o que se passou com os restantes 8. Nem o governo, nem os administradores da empresa se dignaram esclarecer os cabo-verdianos sobre este flagrante desfalque num dos setores estratégicos do processo de desenvolvimento do arquipélago – os transportes.

E como um mal puxa outro, notícias vindas a público dão conta que esses 3 aparelhos se encontram retidos nos EUA, para onde terão sido levados para serviços de manutenção.

Uma nota da CVA, enviada aos órgãos de comunicação social pelo piloto, Antolívio Jorge Barreto Martins, informa que “todas as três aeronaves Boeing 757-200 da nossa frota estão parqueadas numa instalação de “manutenção aprovada”, em Opa Locka (Miami), Flórida” acrescentando ser “uma prática comum no setor da aviação, parquear as aeronaves em locais mais apropriados à preservação de longo prazo”, ao mesmo tempo que admite que “a referida instalação é reconhecida e autorizada pela Agência de Aviação Civil para realizar todas as principais manutenções da nossa frota.”

A mesma nota diz ainda que “a companhia aérea decidiu aproveitar o momento da suspensão das operações causada pela pandemia do COVID-19, para concluir as verificações/inspeções obrigatórias de manutenção em duas aeronaves (D4-CCF e D4-CCG) e durante este período também, uma das nossas aeronaves (D4-CCH) esteve posicionada na Ilha do Sal, na qual realizou cinco voos humanitários de repatriação desde 18 de março, data em que todos os voos foram suspensos.”

Este discurso da CVA vem na esteira das justificativas que o ministro do turismo também apresentara nesta manhã de 2 de julho.

Admitamos que o que o ministro do turismo e a nota enviada pelo piloto Antolívio estão a dizer é verdade. E, sendo verdade, a questão que importa reter e responder será certamente esta: porquê tanta desconfiança em relação à nossa empresa de bandeira e às coisas que o governo diz acerca dela?

Tratando-se de um processo gerido desde à nascença sob forte secretismo, as autoridades públicas abriram flanco para a desconfiança e o descrédito.

É certo que a transversalidade do setor dos transportes impunha ao estado alguns limites prudenciais, sem prejuízo da observância dos princípios éticos e legais que regem os negócios públicos.

Uma breve leitura ao acordo parassocial, cujo teor Santiago Magazine teve acesso, serve para concluir que o governo terá exagerado nas cedências e facilitações da outra parte.

DC

E ao aceitar a confidencialidade do negócio, nos termos acordados, o governo terá deitado a toalha ao chão e se mostrado totalmente nu perante os empresários da Icelandair.

Com já viu, caro leitor, a confidencialidade do acordo parassocial diz o seguinte: “enquanto o presente acordo vigorar, e por um período de 3 anos após a sua cessação, as partes comprometem-se a manter o sigilo e a não divulgação sem o consentimento prévio, por escrito, das outras partes, quaisquer dados, informações e documentos de natureza técnica, económica, contabilística ou outros sobre a sociedade e os seus negócios. Este acordo está igualmente sujeito a tal obrigação de confidencialidade pelo mesmo período”.

No ponto seguinte diz ainda: “as partes obrigam-se a instruir os seus Afiliados, empregados, consultores e subcontratados sobre a obrigação de confidencialidade estabelecida nesta cláusula e exigir cumprimento de tal obrigação”.

Ora, é evidente que estamos perante um ato pernicioso, lesivo aos interesses do estado. Esta confidencialidade fundamenta-se na negação dos princípios basilares que orientam os negócios públicos, colocando o governo nas mãos dos islandeses, pese embora o facto de hoje a tendência oficializada é fazer deslocar as culpas todas para a conta da Covid-19.

Entretanto, por mais que o Olavo Correia tente empurrar as responsabilidades para o novo coronavírus e outras pérolas como "o mundo mudou", aconselham as evidências registar que o país está sendo estripado, enquanto a desconfiança e o descrédito campeiam pelo imaginário de uma nação incrédula e sorumbática!  

Comentários  

+4 # Xikita Soares 03-07-2020 20:52
Em Cabo Verde não se presta conta ao povo da utilização do seu dinheiro. Isto tornou-se normal com os sucessivos governos. No entanto, neste caso o que me parece mais óbvio é que já perdemos 41% do investimento feito nessa empresa e o outro sócio aproveitou ainda para levar os três aviões, por razões óbvias, designadamente: (i) parqueamento de 3 aviões grátis nos EUA, nem em sonho seria possivel; (ii) A CVA não tem dinheiro sequer para pagar o salário dos trabalhadores, onde iriam arranjar grana pra pagar estacionamento de longo prazo; (iii) tenho por mim que os Islandeses já nos passaram a perna. Como diz os Tranka Fulias: Djes máma, djes bua!
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+3 # Arnaldo 03-07-2020 17:31
Brilhante texto. Está aqui mais que explicado como se deu cabo da TACV num piscar de olhos. Um dia iremos saber quem ganhou com esse negócio que continua a delapidar o erário público, quando deveria ser o contrário, ou seja, o Estado ganhar dinheiro com a privatização da companhia de bandeira nacional. Fomos enganados e continuamos a ser enganados. A proposito, para se ter uma ideia, o Estado já injectou na CVA, quer directamente, quer por via dos avais para emprestimos que a empresa não consegue pagar, dinheiro suficiente para contruir pelo menos três hospitais.
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-5 # Gum 03-07-2020 11:47
Chega a ser deprimente ler comentários de gentes ligados ao paicv e seus novos aliados, pasme se vindos do MPD, que perante uma situação delicada de negociação porque há fortes razões para uma nova abordagem do negócio ou do acordo veem por cima tais piranhas com forte torcida para que tudo afunde só para sentirem saciados em termos de eventuais ganhos eleitorais. Meus senhores, a TAP acabou a bocado de ser intervencionada sob aspectro de nacionalização e outras transportadoras no mesmo sentido, se não correr bem para cabo verde somos nós vocês os profetas da desgraça que vamos sofrer com isso. O país precisa de cidadãos que o puxam para cima não para baixo só porque alguns amam o seu partido mais do que a própria nação. Disse isso há dias o Jorge Tolentino. Mas paicv cá tem cura
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+1 # Desagradado 04-07-2020 02:31
"O país precisa de cidadãos que o puxam para cima não para baixo só porque alguns amam o seu partido mais do que a própria nação." Concordo plenamente. Agora retire o seu amor pelo partido e veja se alguem que assina um contrato desses puxa o pais para cima... Só não vê problemas nessa negociação, quem não quer
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+3 # José 03-07-2020 15:18
E MpD tem cura? Quando vos interessa , tudo bem. Quem foram aqueles que festejaram, nas vésperas das eleições de 2016, com o arresto de um avião na Holanda, Se calhar o (a) Gum foi daqueles que contribuiu para a divulgação do dito arresto, que rendeu muitos votos, que talvez esteja na origem do posto que poderá ocupar atualmente. O MpD não tem coerência e não tem exemplos a dar a ninguém. Só que não gostam de serem criticados e agem como se em ditadura estivéssemos. Como se diz "quem com ferro ferre com ferro será ferido. Por mais que tentem calar a oposição não vão conseguir. De patriotismo e sentido de Estado não têm nada. Só defendem interesses de grupos e amigos como se governar Cabo Verde fosse gerir vosso quintal.
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-3 # Neves 03-07-2020 16:37
Caro José,,
No cômputo geral o PAICV e o MPD são farinha do mesmo saco!! Mas no caso concreto da TACV, ai há um fator que faz a diferença: O TEMPO.
O PAICV teve 15 anos no poder, o que é tempo suficiente para fazer e desfazer muita coisa. Enquanto o MPD está a começar, isto é tem 4 aninhos apenas e ainda com a crise da pandemia. Meu amigo, o negócio de aviação internacional não se resolve em um par de anos!!
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+4 # Cidadão preocupado 03-07-2020 11:19
O Ministério Público instituição garante da legalidade dos negócios públicos e da defesa dos interesses dos contribuintes cabo-verdianos remete-se a um silêncio sepulcral e faz de conta que não é nada com ele. Estamos tramados. Obrigado Santiago Magazine pelo serviço público que prestam à nação
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+2 # SÓCRATES DE SANTIAGO 03-07-2020 10:29
Tem toda a razão o meu amigo e patrício Gonçalo Amarante ao pedir a cabeça do Ministro Olavo Correia, mas eu acho que todo o Governo deveria demetir- se, pelo seu fraco desempenho e por não ter sabido defender os interesses do nosso pais, colocando, perigosamente, nas maos dos brancos.
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+3 # Soluçon Lunática 03-07-2020 08:58
Pois, é estranho mandar três aviões para reparação/manutenção, por longo tempo, a protesto de razões que apresentaram. É tudo uma grande mentirada. O problema é sério, mas acreditamos que o Ulisses, como homem de SOLUÇON, só lhe resta bebê-lo e partir para o inferno junto com o seu LUNÁTICO vice
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+3 # Marcos Silva 03-07-2020 08:52
Isso é brincadeira! Quem paga (o povo) não tem direito a saber e não sabe os contornos do contrato?!! Cabe a nós pagar e ficar calado. Passou todos os limites do ridículo.
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+3 # Txadona 03-07-2020 08:15
Por isso que o super- ministro saltou do barco.
Secretismo no negocio desdo inicio,era sinal mais que evidente que as vantagens para CV eram nulas ou quase nulas.Se fosse um bom negocio,o governo com a vaidade que o carecteriza,os moldes do contratos esteriam estampadas por tudo quanto é lado (meios de comunicação).O que era mentira hoje passa a ser verdade.O governo e os seus defensores andaram todos estes anos a desmentir o que parecia a olho dessarmado.MENTIRA TEM PERNAS CURTAS.
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+3 # Chiku 03-07-2020 08:05
Mentirosos e ladroes! O povo ignorante e fanatico que se lixe!
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+3 # Jose Barbosa 03-07-2020 02:27
Desde quando ouvi /li a desculpa de que as aeronaves foram estacionadas na Florida por conveniencias do clima, humidade e temperatura, achei a desculpa descabida capaz de convencer a poucos por duas razoes: 1. Avioes que deixam de voar por razoes diversas, idade, rentabilidade devido a entrada de avioes modernos com maior eficiencia energetica (menos combustivel por milhas, horas de voo e.g., Boeing 737 max, airbus 321 neo Boeing 748 dreamliner etc) sao colocados em sitios secos e pouco humidos geralmente de temperatura elevadas. De tempo em tempo esses avioes sao visitados recuperados e vendidos a comprador(es) que se interesse(m) pelos mesmos. Por isso nao entendo como as tres aeronaves da CVA sao estacionadas exactamente em Miami Florida zona quente e humida, local ideal para acelerar mudancas (quimicas) devido ao weathering de todo tipo de material imaginavel. Contrariamente a nossa ilha do Sal e quente e seco (perguntem aos funcionarios de meteorologia e geofisica! 2. a segunda razao que acho ainda mais caricata e o facto de como alguem ja mencionou aqui, estacionamente de avioes nao é gratis nao! Pelo contrario pagam um preco exorbitante para o mesmo e nao creio que se compara nem em sonhos com o que gastariam se estivessem em CV no Sal, a base dos mesmos. Por isso acho um pouco descabido as desculpas do senhores de decisoes que meteram-se em camisas de onze balas e de momento nao sabem como se safar delas. Os meus amigos de SV diriam "Olavo ja bo psu nhondenga" nhas irmaos badou ta fla dja bu coca. Qualquer que seja a expressao todos nos perdemos devido a irresponsabilidade de uns conovencias e oportunismos de outros. CV nestes moldes tem pernas curtas e fracas para caminhar com o seu povo ao ombro. Deus nos acuda
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+1 # barbosa 2 04-07-2020 09:18
diz-se : camisa-de-onze-varas
ou

"camisas-de-onze-varas"

Mas ,bom artigo
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+2 # Di férias 02-07-2020 23:25
Estacionar as aeronaves num parque de estacionamento de aviões nos Estados Unidos poderá ser o princípio do fim da CVA, sabendo que o estacionamento desses aeronaves estão sujeitos ao pagamento de uma taxa de estacionamento. Pelo que se sabe, nos EUA, até o estacionamento de veículos automóveis nas ruas está sujeito ao pagamento de taxas. Pode alguém perguntar a um dos ministros (o das finanças ou o dos transportes e turismo ou ainda a um dos responsáveis da CVA) os custos do estacionamento das aeronaves nos EUA.
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+5 # E Uma Pena!!! 02-07-2020 21:12
“Estamos a procurar, acima de tudo, defender o interesse de Cabo Verde e dos cabo-verdianos".
Olavinho não acreditas que ja é tarde defender os interesses dos cabo-verdianos nessa negociata? Estamos mesmo FUDIDOS!!!
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+7 # GONCALO AMARANTE 02-07-2020 21:37
Olavo está a mexer com o sossego e paciência de todos nós. Urge pedir ao Olavo que se demita poupando assim Cabo Verde e este povo. Desde que investido nessas funções, Olavo tem-se portado como crianca nos negócios do Estado, como nos tem dado conta as críticas do dominio publico. Deve sim demitir -se dessas funções para evitar a Nação de uma catástrofe próxima a chegar . Mais uma vez,demita-se por favor! Cabo Verde agradece.
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