
Votar não é um gesto automático nem um ritual vazio; é um acto de responsabilidade histórica. É o momento em que cada cidadão decide se contribui para aprofundar a democracia ou para a fragilizar; se escolhe o caminho da união em torno da dignidade do país, ou se cede à fragmentação e ao ruído. Cabo Verde construiu-se quando soube unir-se em torno de princípios maiores.
Há momentos em que uma eleição deixa de ser apenas um acto administrativo e passa a ser um posicionamento moral colectivo. Em Portugal, a vitória de António José Seguro sobre André Ventura não foi apenas a escolha de um candidato, mas a rejeição consciente da política do grito, da divisão e do medo como método.
Não se tratou de negar problemas reais, porque eles existem, são visíveis e pesam no quotidiano das pessoas. Tratou-se, sim, de recusar soluções fáceis para problemas complexos. De afirmar que governar um país exige muito mais do que apontar culpados convenientes ou justificar erros actuais com o argumento recorrente do ‘tempo do partido único’, um discurso gasto e incapaz de responder aos desafios do presente.
A leitura das eleições de ontem em Portugal é particularmente relevante para o momento que Cabo Verde atravessa.
Vivemos um tempo de cansaço cívico, de promessas por cumprir, de desigualdades que teimam em não desaparecer. É precisamente nesses contextos que a democracia é mais testada. Porque quando a frustração cresce, cresce também a tentação de entregar o destino colectivo a discursos que prometem atalhos, simplificações e rupturas sem medir consequências.
A História mostra-nos que esse caminho conduz, quase sempre, à erosão das instituições, à normalização do confronto e à fragilização do próprio povo em nome de uma falsa força.
O exemplo português lembra-nos que é possível exigir mudança sem abdicar da democracia. É possível querer um Estado mais justo, mais eficaz e mais próximo das pessoas sem recorrer ao ódio, à exclusão ou à lógica do “nós contra eles”.
Votar não é um gesto automático nem um ritual vazio; é um acto de responsabilidade histórica. É o momento em que cada cidadão decide se contribui para aprofundar a democracia ou para a fragilizar; se escolhe o caminho da união em torno da dignidade do país, ou se cede à fragmentação e ao ruído.
Cabo Verde construiu-se quando soube unir-se em torno de princípios maiores.
As próximas eleições legislativas em Cabo Verde são, acima de tudo, um teste à maturidade cívica e à capacidade de um povo exigir mudança com sentido de responsabilidade e patriotismo.
A democracia sai a ganhar quando o povo escolhe pensar pela própria cabeça e votar não por medo, mas por convicção e amor às cores da nossa bandeira.
Porque juntos, somos mais fortes.
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