Augusta Kelechi Igboayakah Moses, cidadã cabo-verdiana de origem nigeriana, viu o seu visto negado na última terça-feira, 26, ficando assim impedida de ir ao funeral do marido em Portugal. Moses Longinus, um professor cabo-verdiano, também de origem nigeriana, que serviu o Ministério da Educação de Cabo Verde por mais de vinte anos, faleceu no Hospital de Coimbra, onde se encontrava há quase um ano e meio em tratamento de doença cardiovascular. A alegação do Centro Comum de Vistos é surreal: “dúvida quanto ao regresso”. Isto, apesar de Augusta ser comerciante, ter uma conta bancária com mais de um milhão de escudos e cinco filhos em Cabo Verde, três deles menores.
Moses Longinus teve um percurso profissional exemplar, enquanto professor de inglês na Escola Secundária Constantino Semedo, em Achada São Filipe, cidade da Praia. Evacuado para Portugal em março do ano passado, Moses faleceu dias atrás, no Hospital Universitário de Coimbra, não sobrevivendo a uma grave doença cardiovascular.
A decisão do Centro Comum de vistos apanhou de surpresa Augusta Moses, que considera “inaceitável e injustificada”, porquanto, para além de ter cinco filhos residentes na cidade da Praia, a viúva do professor Moses Longinus possui casa própria, de dois andares, na capital do país, um próspero negócio de mercearia em Calabaceira e conta aberta num banco cabo-verdiano com uma poupança à volta de 1.300 contos, circunstâncias todas comprovadas em documentos entregues no Centro Comum de Vistos (CCV).
“Não se compreende como, perante vínculos tão sólidos ao país, se possa levantar a mínima suspeita de que esta cidadã não regressaria ao seu lar”, diz Augusta em carta dirigida ao nosso jornal. Uma recusa de visto que “não só lesa a família num momento de dor profunda, como também atenta contra a dignidade do meu marido”, salienta a comerciante.
Apelo ao Ministério da Educação
Perante a recusa do CCV em garantir um visto à viúva, e mantendo-se o impedimento de poder estar presente no funeral do marido, Augusta Moses apelou ao Ministério da Educação.
“Tendo o estatuto de doente evacuado”, Augusta solicitou ao ministério que este assuma a responsabilidade de providenciar a transladação do corpo do professor para Cabo Verde, garantindo que as exéquias decorram com a família e junto da comunidade, onde era muito respeitado.
A viúva de Moses Longinus exige, ainda, “das autoridades nacionais e das instâncias competentes portuguesas o respeito pelos direitos humanos, pela dignidade da família e pela memória de um professor que deu a sua vida ao serviço da educação em Cabo Verde”.
Informamos que, temporariamente, a funcionalidade de comentários foi desativada no nosso site.
Pedimos desculpa pelo incómodo e agradecemos a compreensão. Estamos a trabalhar para que esta funcionalidade seja reativada em breve.
A equipa do Santiago Magazine