
O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, ironizou ao dizer que o presidente dos EUA opta por “Israel em primeiro lugar”, o que sempre significa “América em último lugar”. Em causa está a abertura de Teerão à redução das tensões na região, um anúncio feito ontem pelo presidente do Irão, imediatamente rejeitado por Donald Trump que, em mais uma bravata, prometeu destruir completamente o Irão, com ataques ainda mais intensos.
Em comunicado, o ministro das Relações Exteriores do Irão, Abbas Araghchi, disse que o seu país estava aberto à redução das tensões na região, mas que essa possibilidade foi “imediatamente anulada” pela Casa Branca. E advertiu o presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, de que qualquer tentativa de ampliar o conflito encontrará resposta firme das Forças Armadas iranianas.
Recordamos que, na manhã de sábado, 07, o presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, anunciou a interrupção dos ataques e envio de mísseis contra os países vizinhos. Na sequência, Trump, em mais uma das suas bravatas, ameaçou com a intensificação dos ataques e prometeu destruir completamente o Irão, com ataques ainda mais intensos.
Forças Armadas iranianas estão preparadas há muito tempo
“A disposição do presidente Pezeshkian para a desescalada em nossa região — desde que o espaço aéreo, o território e as águas de nossos vizinhos não sejam usados para atacar o povo iraniano — foi imediatamente anulada pela interpretação equivocada do presidente Trump sobre nossas capacidades, determinação e intenção”, afirmou Araghchi.
“Se Trump procura a escalada, é precisamente para isso que nossas poderosas Forças Armadas estão preparadas há muito tempo e é exatamente o que ele obterá”, alegou o ministro das Relações Exteriores, responsabilizando os EUA “por qualquer intensificação do exercício do direito de autodefesa do Irão”.
“Aventura equivocada” de Trump tem custos elevados
Araghchi destacou que “a aventura equivocada de uma semana do Sr. Trump já custou às Forças Armadas dos Estados Unidos 100 biliões de dólares, além das vidas de jovens soldados”.
O ministro iraniano disse, ainda, que as ações da Casa Branca terão consequências na alta dos preços do petróleo no mercado global, alertando a população norte-americana: “quando os mercados reabrirem, esse custo aumentará ainda mais e será diretamente transferido aos norte-americanos comuns nas bombas de combustível”.
Abbas Araghchi lembrou que o próprio Conselho Nacional de Inteligência de Trump, “que reúne as avaliações das 18 agências de inteligência dos Estados Unidos, determinou que uma guerra contra o Irão está destinada ao fracasso”.
Ele também relatou ter advertido os enviados do presidente norte-americano de que uma guerra não melhoraria a posição do país nas negociações com o Irão. “Esses avisos foram transmitidos?”, questionou.
“América em último lugar”
O comunicado termina destacando a influência do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, nas decisões de Donald Trump. Araghchi lembra que a população norte-americana votou para conter o envolvimento do país em conflitos na região do Médio Oriente.
No entanto, em vez disso e “após décadas de tentativas fracassadas”, Netanyahu “finalmente conseguiu enganar [Trump] para que ele lutasse as guerras de Israel”.
“Esta é uma guerra de escolha conduzida por um pequeno grupo de ‘Israel Firsters’”, ironizou o ministro iraniano das Relações Exteriores, afirmando que “‘Israel em primeiro lugar’ sempre significa ‘América em último lugar’.”
C/Opera Mundi
Foto: DR
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