
Com a sua política belicista de genocídio na Faixa de Gaza, o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, tem vindo a provocar uma pobreza recorde, alta de preços e famílias sem condições de sobreviver. A guerra devastou não apenas os palestinianos - vítimas esmagadoras da violência - mas também a própria economia israelita.
A guerra aprofunda a pobreza em Israel e escancara crise social provocada pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, pode concluir-se da leitura de um relatório da organização humanitária israelita Latet, que expõe como a ofensiva em Gaza empurrou Israel para um colapso económico e social, com pobreza recorde, alta de preços e famílias sem condições de sobreviver.
O Relatório Alternativo sobre a Pobreza 2025 lança luz sobre um impacto que o governo Netanyahu tenta minimizar: a guerra contínua contra Gaza devastou não apenas os palestinos - vítimas esmagadoras da violência - mas também a própria economia israelita.
Segundo o relatório, Israel mergulhou num colapso macroeconómico, com a explosão do custo de vida, queda da renda real, insegurança alimentar em massa e erosão do orçamento público. No fundo, uma sociedade que está pagando, em níveis inéditos, o preço de uma política que prioriza a guerra em detrimento da estabilidade interna.
2,76 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza
Há mais de 30 anos, Israel trava um conflito de desgaste contra a pobreza, sem estratégia clara, sem recursos dedicados e sem liderança política comprometida. E, segundo Eran Weintrob, CEO da Latet, “até agora, estamos sofrendo uma derrota total”.
Segundo Weintrob, são 2,76 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza, entre elas, crianças, idosos, sobreviventes do Holocausto, famílias monoparentais e comunidades periféricas. “Não há mortos contabilizados, mas há feridos silenciosos: corpos fragilizados pela insegurança alimentar, mentes corroídas pelo stress crónico e sonhos interrompidos pela falta de oportunidades”.
Ainda segundo o relatório, trabalhar não garante mais sobrevivência. A política económica atual - marcada pela militarização do orçamento e pela redução de gastos civis - empurra famílias para um déficit permanente que chega a quase 40%.
26,9% das famílias enfrentam insegurança alimentar
Com o governo de Netanyahu, Israel vive sua pior combinação macroeconómica desde os anos oitenta: inflação persistente em alimentos e energia; explosão dos gastos militares; desestruturação da força de trabalho, com milhares de reservistas fora do mercado; queda da arrecadação e aumento da dívida.
O relatório da Latet revela, ainda dados preocupantes: 26,9 porcento (%) das famílias enfrentam insegurança alimentar; 2,8 milhões de pessoas não conseguem garantir refeições básicas; 1,18 milhão de crianças vivem situação de privação.
O relatório é explícito: o empobrecimento acelerado não decorre apenas da guerra, mas de escolhas políticas. O Estado abriu mão de amortecer a crise, reduziu investimentos sociais e manteve subsídios regressivos que beneficiam setores militares e coloniais.
Trata-se de um colapso previsível, com o controlo de preços inexistente, cortes em serviços públicos, desmonte de redes de proteção social e uma agenda política que concentra recursos na guerra e nos assentamentos (ocupação colonial de territórios palestinianos, em violação do Direito Internacional).
C/Vermelho
Foto: DR
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