
A razão como instrumento da inteligência e a inteligência como mecanismo da coerência, deve se impor como um atributo imperativo na construção de uma polis que consiga perceber num prisma holístico, as reais necessidades da sociedade. Sem este olhar holístico, o exercício político não passa de um mero jogo e manobras bem articuladas. Acredito que em Cabo Verde a política e a construção de uma democracia robusta, devem ganhar e granjear novos contornos. Podemos ser melhores e podemos fazer mais. Na esfera da construção democrática a coerência deve manter a sua voz permanente, sob pena de sermos pegos de surpresa na margem do paradoxo. O que se diz não é o que é, o que se pensa jamais será verdade.
Immanuel Kant propõe uma política ideal com fundamento na razão, na lei e na liberdade, contrapondo com o maquiavelismo, e que serve como alicerce para os Estados modernos, com ênfase na transparência e no direito para alcançar a paz e a justiça. Kant eleva a estatura da hermenêutica política, uma interpretação que merece um esforço e sincero exercício racional, na busca de um caminho que vai além do razoável e do paliativo.
A razão como instrumento da inteligência e a inteligência como mecanismo da coerência, deve se impor como um atributo imperativo na construção de uma polis que consiga perceber num prisma holístico, as reais necessidades da sociedade. Sem este olhar holístico, o exercício político não passa de um mero jogo e manobras bem articuladas.
Acredito que em Cabo Verde a política e a construção de uma democracia robusta, devem ganhar e granjear novos contornos. Podemos ser melhores e podemos fazer mais. Na esfera da construção democrática a coerência deve manter a sua voz permanente, sob pena de sermos pegos de surpresa na margem do paradoxo. O que se diz não é o que é, o que se pensa jamais será verdade.
Construir uma nação forte, com suas bases democráticas sólidas não é uma tarefa fácil. Quando os interesses partidários fazem disciplina nos corredores e nas vielas dos atores políticos, a sedimentação democrática e suas raízes basilares assinalam riscos que merecem uma atenção cuidadosa. As bases democráticas não são ideias individualistas, decisões emocionais e respostas instantâneas. Elas devem assumir estrutura articulada, ideias que alcançam o bem-estar coletivo, respostas que geram harmonia e a maior convergência possível.
Devo salientar, a integridade racional e a sinceridade emocional, são elementos que podem contribuir em grande medida para o fortalecimento de uma política que não se distrai com situações e elementos inesperados. A sociedade civil deve por sua vez, estar bem fornada, possuidora de pensamento crítico sustentável, que consiga interpretar com mestria todas as entrelinhas que por vezes aparecem no "jogo político". Uma sociedade civil consciente, é sem dúvida uma segunda ou a principal força na construção de uma democracia sustentável e em permanente equilíbrio e estabilidade.
Gostaria de incluir neste artigo, o pensamento de um dos pensadores mais influentes da ciência sociológica, sendo comparado com Karl Marx e Émile Durkheim. Quando falamos da política e sua coerência, não podíamos ignorar o pensador Max Weber, que, por sua vez, resgata-nos pormenores interessantes. Weber admite, que a política deve ser exercida na perspetiva "vocacional". Algo que quando é exercida deve revestir de uma certa nobreza de carácter e fundamento intencional. Nada que fosse simplória e nem oportunista. O crivo moral (saber qual é a verdadeira razão pela qual desejo inserir nas lides da política e qual é a minha sincera intenção). É neste ponto que Weber se alinha e procura montar o seu pensamento.
Segundo Weber, esses valores devem estar em alta conta dos que escolhem a política como caminho. Uma consciência vocacional, ajustada à uma visão clara da sociedade e das suas reais necessidades, devem sublinhar, plasmar o arcaboiço e o percurso da retórica e da prática política. Um dos maiores pilares para uma democracia forte e consistente é o bom senso que se reflete da instância da coerência. A lógica da coerência política, não pode de maneira nenhuma estar na prateleira da invisibilidade, do distanciamento intencional e da ignorância intelectual. Quando não há á coerência política as ações serão pautadas pela engenharia da conveniência e dos interesses menos positivos. A coerência é a voz do bom senso e o bom senso é a voz da sabedoria.
No exercício político podemos ter todas as articulações e sapiência possível, mas faltando a coerência, as ações perderão a credibilidade. Uma visão macro, com reflexo em todas as dimensões humanas, permeando todos os solos e latitudes, formam o sentido amplo de uma coerência política que por sua vez não se dilui com as intempéries externas. Uma política robusta e consistente, respeita a dimensão da coerência e do bom senso.
A coerência deve se impor quando o barulho político tende a fustigar o sentido mais perene da democracia. Quando as vozes subjetivas falam com mais pendor, neutralizando o vigor e a tenacidade política. A coerência se abre e se entrelaça com a sinceridade, liberdade, integridade e justiça social. Ela não se deixa levar pela onda da satisfação pessoal; consegue vislumbrar olhares simples, necessidades básicas, cruciais e jamais se sucumbe perante a discrepância democrática.
A democracia, além dos elevados direitos consagrados na constituição, cumpre a sua máxima filosófica, o dever de cada cidadão de escrutinar as ações, analisar e manifestar com verdade, liberdade e autonomia de pensamento. A construção de uma política pujante e forte, está justamente da estrutura de uma democracia.
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