Ex-administrador do INMG diz que tempestade Erin “era previsível e merecia alerta laranja/vermelho”
Ambiente

Ex-administrador do INMG diz que tempestade Erin “era previsível e merecia alerta laranja/vermelho”

O ex-administrador do INMG Daniel Graça assegurou hoje que a tempestade de 11 de Agosto, em São vicente, era previsível e merecia alerta laranja/vermelho à Proteção Civil, pelo que “houve descuido e falta de vigilância meteorológica”.

Daniel Graça explicou à Inforpress que o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG) tem “todas as ferramentas” para rastrear essas ondas, ajudar a fornecer avisos antecipados, a preparar as comunidades para eventos meteorológicos severos e emitir alertas amarelo/laranja/vermelho.

“As cartas meteo de vários níveis, os modelos, as sequências de imagens de satélite de alta resolução, o Tropical Track de tempestade (NOAA, Miami)/NHC Tropical Weather Discussion e os dados locais, (trovoadas e relâmpagos no Sal) são suficientes para prever com pelo menos 12 a 18 horas de antecedência uma tempestade na ordem de 95% de acerto”, precisou a mesma fonte.

Licenciado em Ciências Geofísicas, Meteorologista, hoje reformado depois 41 anos de serviço, Daniel Graça lamentou a situação, questionando a razão porque o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG) não previu essa tempestade.

Exemplificou que, nos EUA a presença de trovoadas, indicativo de nuvens perigosas cumulonimbus CB “é suficiente para parar um jogo de futebol mesmo sem chuva”.

“É bastante estranho, inacreditável e inaceitável que a Protecção Civil não tenha recebido alertas meteorológicos, pois devem ser feitos de 3/3 horas, para minimizar/mitigar os impactos. Se fosse emitido um alerta, possivelmente muitos carros seriam retirados das zonas baixas, algumas vidas poupadas e muitos bens materiais poderiam ser salvos”, sublinhou.

Analisando a situação, face à onda tropical, de 11 de Agosto, que vitimou 09 pessoas e avultados danos materiais em São Vicente, São Nicolau e Santo Antão, Daniel Graça renovou que uma Protecção Civil “bem preparada e avisada poderia perfeitamente avisar a população por meios sonoros e a media, por exemplo, sirenes como nos EUA.

Tendo seguido os sistemas meteorológicos, clarificou que as imagens de Satélite da Eumetsat do dia 10 de Agosto, 09:50 hora universal (08:50 local), indicava uma “nítida onda tropical em V invertido”, tangente a Cabo Verde (E do Sal e SE de Sotavento), às 18:50 (17:50 local), já em cima do Sal com nuvens de trovoadas (TS-ThunderStorm e CB-CumuloNimbus) e chuva (RA, rain), às 21:50 (20:50 hora local) a caminho de São Nicolau, São Vicente e Santo Antão, e do dia 11 de Agosto às 02:50 (01:50 local) com centro sobre São Vicente.

“Estas intensificam com aumento da latitude, aumento de força de Coriolis”, explicou, reiterando que “houve falta de vigilância meteorológica e descuido”.

“A National Hurricane Center (NHC) Miami, responsável a nível internacional pelo Track das Tempestades do Atlântico, vinha avisando da potencial tempestade que se desenvolvia e aproximava para Cabo Verde, com 60 por cento (%) de chance de transformar em tempestade/ciclone tropical, no dia 10 e 11 de Agosto”, concretizou.

Mais uma vez, estranhando o facto de a Protecção Civil não ter recebido alertas, questionando ao mesmo tempo o porquê de o INMG não ter previsto essa tempestade, Daniel Graça apelou no sentido de se realizar “um inquérito sério” para apurar as responsabilidades, em vez de serem “abafadas ou silenciadas”.

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