UCID: “Não basta anunciar, é no terreno “que se avalia o sucesso” das políticas agrícolas do MpD
Política

UCID: “Não basta anunciar, é no terreno “que se avalia o sucesso” das políticas agrícolas do MpD

A deputada democrata-cristã Zilda Oliveira afirmou ontem que não basta anunciar programas e planos e que é no terreno e no rendimento do agricultor que se avalia o sucesso das políticas agrícolas do governo do Movimento para a Democracia. Segundo a parlamentar eleita por São Vicente, o país importa alimentos que podia produzir, enquanto produtos locais apodrecem, muitas vezes por falta de canais de escoamento. Já durante a abertura da sessão parlamentar sobre “Políticas Fiscais e o seu impacto no crescimento económico de Cabo Verde”, Zilda Oliveira defendeu que Cabo Verde “não precisa” de uma política fiscal que apenas cobra mais, mas de uma política fiscal que cresce mais, com justiça, previsibilidade e resultados.

Para a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), a agricultura é um “setor estratégico”, não tanto pelo seu peso no Produto Interno Brito (PIB), mas por ter um “papel vital na segurança alimentar e no emprego rural e na sobrevivência” de milhares de famílias cabo-verdianas.

Falando em nome da UCID, Zilda Oliveira fez estas considerações esta quarta-feira, 21, na interpelação ao ministro da Agricultura que foi chamado ao parlamento por iniciativa do PAICV.

“Muitos projetos são anunciados, mas, no terreno, os agricultores continuam sem água para produzir”, frisou a deputada, acrescentando que a situação é ainda agravada pelo “elevado custo” dos fatores de produção, como sementes, fertilizantes, rações, equipamentos e transporte, tornando a produção pouco rentável.

Para Zilda Oliveira, o país importa alimentos que podia produzir, enquanto produtos locais apodrecem, muitas vezes por falta de canais de escoamento. “O agricultor produz, mas não é quem mais lucra. É agravado pelas dificuldades de escoamento da produção, por falta de mercado e por dificuldades de transporte ou armazenamento”, lamentou a deputada da UCID eleita por São Vicente, considerando que os agricultores têm de começar a ser vistos como parceiros do desenvolvimento.

A parlamentar da UCID disse, ainda, que os jovens não veem futuro na agricultura e que, sem a juventude, não há futuro para o campo, onde a mão-de-obra está envelhecendo.

Cabo Verde precisa de uma política fiscal que cresce mais, com justiça, previsibilidade e resultados

Já durante a abertura da sessão parlamentar, sobre “Políticas Fiscais e o seu impacto no crescimento económico de Cabo Verde”, Zilda Oliveira defendeu que Cabo Verde “não precisa” de uma política fiscal que apenas cobra mais, mas de uma política fiscal que cresce mais, com justiça, previsibilidade e resultados.

Segundo a deputada da UCID, o Governo tem “estado a repetir” que a política fiscal está a funcionar, no entanto, o país sente uma outra realidade.

“O Estado está a cobrar mais, sem, contudo, entregar de forma proporcional mais crescimento, produtividade e alívio fiscal para quem produz”, disse Zilda Oliveira, questionando se este aumento está a refletir-se no bolso das famílias e na tesouraria das empresas.

A parlamentar democrata-cristã lembrou que, na conta oficial de novembro de 2025, as receitas internas previstas eram de 85.957 milhões de escudos, mas a sua execução ficou em 61.985 milhões, situando-se em 72,1 porcento (%).

Quanto ao Tesouro, Zilda Oliveira disse que 84.513 milhões de escudos foram pagos, contra 61.374 milhões executados, situando-se em 72,6%. E nos recursos externos, dos 11.954 milhões de escudos previstos, foram executados 8.742 milhões.

Quanto a donativos, a deputada da UCID assegurou que estiveram a 50% do previsto, enfatizando que isto mostra “fragilidade de planeamento, dependência e risco” e que quem paga esta conta são os próprios contribuintes e a economia real.

C/Inforpress

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