
Com António José Seguro e André Ventura na segunda volta das presidenciais, a escolha dos cabo-verdianos, com cidadania portuguesa, é entre a democracia constitucional e a extrema-direita. Entre a liberdade e a civilidade, e o racismo e o discurso de ódio.
António José Seguro, o candidato apoiado pela Partido Socialista (PS) e André Ventura, candidato do partido de extrema-direita Chega passaram à segunda volta das eleições presidenciais em Portugal (a ter ligar a 08 de fevereiro), assim ditou o apuramento de votos da primeira volta anunciado este domingo, 18.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, e os partidos do Governo (PSD e CDS) são os grandes derrotados das eleições de ontem, com a direita mais tradicional a eclipsar-se. À esquerda do PS, os candidatos do PCP, BE e Livre também tiveram um mau resultado, muito por razão da polarização entre Seguro e Ventura.
António José Seguro (31%) e André Ventura (24%) vão disputar a segunda volta de umas eleições presidenciais, onde o candidato apoiado pela AD e os que se lhe colaram (Gouveia e Melo e Cotrim de Figueiredo), escrevendo missivas ao primeiro-ministro ou invocando Sá Carneiro, ficaram pelo caminho.
AD e Luís Montenegro foram más companhias para a direita
Uma das ilações deste resultado eleitoral da primeira volta revela que a AD e Luís Montenegro não são boa companhia até para a direita e os seus candidatos, porquanto a contestação popular às políticas do Governo se encontra em crescendo, principalmente em setores como a saúde e o trabalho, neste caso por razão do novo pacote laboral apresentado pelo Governo.
Ainda no que respeita a Luís Montenegro - que reiteradamente vem flertando com a extrema-direita de Ventura, principalmente a propósito da lei da nacionalidade e imigração -, é muito significativo que se tenha dispensado de dar orientação de voto para a segunda volta, assim como os candidatos Marques Mendes (11%) e Cotrim de Figueiredo (16%).
Esquerda apela ao voto em Seguro
Posição diferente assumiram os candidatos à esquerda do PS, Catarina Martins (2%), António Filipe (2%) e Jorge Pinto (1%), que já apelaram ao voto em António José Seguro. Sendo de sublinhar as declarações do secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Paulo Raimundo, considerando que, face às candidaturas em presença, impõe-se impedir a eleição de um presidente da República que “assume uma agenda ditada por critérios e conceções reacionárias, retrógradas e antidemocráticas”, e colocando a necessidade de um voto contra a candidatura de extrema-direita, conduzindo ao voto a António José Seguro.
Por sua vez, Gouveia e Melo (12%) reservou para mais tarde uma decisão sobre a segunda volta das presidenciais, para além de anunciar a continuidade da sua participação cívica que, segundo observadores políticos, poderá desaguar na formação de um partido de centro-direita.
Neste contexto, com António José Seguro e André Ventura na segunda volta das presidenciais, a escolha dos cabo-verdianos, com cidadania portuguesa, é entre a democracia constitucional e a extrema-direita. Entre a liberdade e a civilidade, e o racismo e o discurso de ódio.
C/Abril Abril
Foto: Museu da Presidência/Portugal
Os comentários publicados são da inteira responsabilidade do utilizador que os escreve. Para garantir um espaço saudável e transparente, é necessário estar identificado.
O Santiago Magazine é de todos, mas cada um deve assumir a responsabilidade pelo que partilha. Dê a sua opinião, mas dê também a cara.
Inicie sessão ou registe-se para comentar.
Comentários