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 lino magno

A dor que me ensinou a não ter dor, mas aprender com ela. A dor que oscilava entre construir ou destruir. Na sua volatilidade fugaz, veio sem avisar. A dor que dói, mas não esmaga, que vem no improviso com nuances de insegurança, sem ser consumido por ela.

A dor que ensina quando a flor se diluir. No âmago da lógica pensante, quando tudo parecia sem jeito. Vislumbrava-se uma resposta no recôndito do horizonte desconcertante. Uma dor que esmaga, sem matar, que dói, mas constrói.

Com marcas que perduram, com cicatrizes perpetuantes no cerne da longevidade precoce. Não sabendo o depois, sem saber que o antes ensinou, o que não foi possível abraçar. Tempo que passou sem ser aplaudido ou apreciado.

Lágrimas famintas passaram como o sol fumegante, tudo em caos. Os olhos que viram, a mente cantou e contou as sílabas, tudo voltou como um rio que corre ao outro. Águas límpidas pairaram, fluíram. A dor que antes fumegava, arrefeceu.

Tudo novo! As lembranças indeléveis se transformaram num manancial de sabor e saber fazer. Sem autoflagelo, destruição íntima, contos famintos, incapacidade de ser, tristeza permanente, tudo mudou! E a dor passou. A dor que já não é dor, é metamorfose, é saber viver.

Aprendi que viver é sentir a dor, mas não deixar que ela se perpétua como uma amiga íntima.

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