
As nossas oscilações emocionais dão lugar à incoerência emocional, reproduzindo uma antítese que nos projeta para um nível da incompletude. A identidade nos apela para a nossa matriz essencial, nos eleva para o campo da certeza de quem realmente somos, sem nos diluir nas facetas adversas da vida. Perante os desafios e adversidades, a felicidade permanece intacta e intocável. As emoções negativas, os fatores externos serão apenas realidades que serão filtradas com o olhar da identidade. Em última análise, temos a espiritualidade como fator hierarquicamente preponderante e cuja busca deve ser um primado inegociável.
A felicidade é a aspiração mais profunda no âmago do ser humano. Todo o anelo do ser humano se centraliza na busca pela felicidade. Nessa busca permanente haverá um processo de vários cenários, nomeadamente dúvidas, inquietantes inseguranças, incessantes buscas de respostas.
Nesse processo árduo e muitas vezes complexos, a felicidade se torna um desafio para quem a busca. Nessa procura incessante e profunda o encontro connosco mesmo poderá ser uma resposta cabal e inequívoca. Tal encontro será a marca cabal da nossa própria essência, de tal modo, que redescobrimos que afinal a felicidade não está na busca de um sentimento que preenche e nem no alcance externo. A conclusão seria, que o encontro connosco mesmo é o caminho e a resposta decisiva.
Numa sociedade infeliz e complexa na qual vivemos, espelhando a insegurança, amargura na alma e muitas vezes, numa busca titânica do ter, a felicidade se torna cada vez mais um exercício permanente e robusta. Em toda a fase da história o homem como um ser que está em permanente estado de dúvida, desconforto, anseios e expetativas, a felicidade ocupou o seu processo de relevância e esteve na lista de "o anelo mais sublime".
Ninguém quer ser infeliz e a premissa seria, que todos nós aspiramos conscientemente e inconscientemente a felicidade. A grande questão, é como ser feliz numa sociedade infeliz? Numa sociedade em que as pessoas não se amam, não se relacionam com integridade e pureza.
Vivemos a pior época da história do ser humano. Nunca vivemos numa sociedade tão deprimida como hoje. Nos nossos encontros diários com pessoas, familiares e amigos, observamos a tristeza velada ou explícita, anseios que não estão doseados com o equilíbrio, conflitos internos não resolvidos e emoções que exalam crises e queixas.
Vivemos numa sociedade doente. O que fazer? Encontramos nessa realidade caótica a nossa felicidade ou distanciamos cada vez mais da nossa própria essência? É aí que está o perigo: distanciar da nossa própria essência. Se perdermos a nossa essência a felicidade não será uma possibilidade.
Nesse caos delirante e fatídica, cada um anda em busca da sua própria resposta, tentando resolver o vazio que não cessa e a tristeza que esmaga. A sociedade se tornou um campo complexo e difícil de extrair dela algo positivo e benéfico. Nesse caso, urge uma redescoberta profunda e legítima, num percurso integrado, sem ilusões e nem dependências emocionais.
O livro "O caminho menos percorrido", da autoria de M. Scott Peck, salienta algo importante: "A tentativa de evitar o sofrimento legítimo se encontra na base de todas as doenças emocionais".
Este ponto é fundamental para a nossa análise sobre a felicidade. Tentar evitar o inevitável é um perigo contra a nossa própria felicidade e equilíbrio natural. A grande questão é que nessa procura incessante pela felicidade, sem levarmos em conta os processos racionais e emocionais, perdemos a dimensão do inevitável e das vicissitudes incontornáveis. Não é possível ser feliz sem passarmos pela experiência da dor, das perdas e das experiências massacrantes.
Quem deseja ser feliz deve incluir no seu cardápio tudo o que é o inesperado e lágrimas superadas. A felicidade não é um conto de fada, é um processo de ajustes, obstáculos vencidos, emoções transformadas e raízes inabaláveis.
Salientado ainda sobre a citação do livro já mencionado, o sofrimento acompanha a nossa felicidade. E o campo das emoções precisa de ser ajustado. As emoções precisam ganhar uma certa maturidade e autonomia.
Falando de dependências emocionais, é aí que reside o ponto central. Quando menos dependência emocional, mais felicidade. Quanto mais dependência emocional, menos felicidade. Para chegarmos aos aspetos mais concretos no que tange a felicidade, seria necessário questionar quais os fatores que mais influenciam a nossa felicidade? As nossas emoções representam um grau profundamente significativo. Quanto mais oscilamos emocionalmente, entre a instabilidade e a estabilidade, mais vulneráveis estaremos e menos conscientes da realidade.
A dimensão emocional tem um peso gigante que nos impulsiona à felicidade ou a ausência dela. Antes de continuar, é preciso frisar que ser feliz é estar bem connosco mesmo e com tudo que está ao nosso entorno, não obstante as circunstâncias. Um segundo fator decisivo da felicidade, é a identidade. Quanto mais identidade mais a felicidade se torna profunda e estável. Ela representa o nível alto da nossa relação connosco mesmo, traduzida em autoestima, autoconfiança, realçando o sentido profundo dos anseios existênciais da vida. Identidade é o ponto central da felicidade. Quando mais identidade mais seguro estaremos e menos instabilidade teremos.
As nossas oscilações emocionais dão lugar à incoerência emocional, reproduzindo uma antítese que nos projeta para um nível da incompletude. A identidade nos apela para a nossa matriz essencial, nos eleva para o campo da certeza de quem realmente somos, sem nos diluir nas facetas adversas da vida. Perante os desafios e adversidades, a felicidade permanece intacta e intocável.
As emoções negativas, os fatores externos serão apenas realidades que serão filtradas com o olhar da identidade. Em última análise, temos a espiritualidade como fator hierarquicamente preponderante e cuja busca deve ser um primado inegociável.
Os comentários publicados são da inteira responsabilidade do utilizador que os escreve. Para garantir um espaço saudável e transparente, é necessário estar identificado.
O Santiago Magazine é de todos, mas cada um deve assumir a responsabilidade pelo que partilha. Dê a sua opinião, mas dê também a cara.
Inicie sessão ou registe-se para comentar.
Comentários