
Com o agravamento da crise energética, decorrente do bloqueio norte-americano, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, confirmou esta sexta-feira ter iniciado negociações com o Governo dos Estados Unidos visando resolver diferenças bilaterais e estabelecer possíveis áreas de cooperação regional.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, confirmou esta sexta-feira, 13, que o seu Governo iniciou negociações com a Casa Branca, visando resolver diferenças bilaterais e estabelecer possíveis áreas de cooperação no âmbito regional.
“Recentemente as autoridades cubanas conversaram com representantes do governo dos Estados Unidos para buscar uma possível solução para as diferenças bilaterais por meio do diálogo”, disse o chefe de Estado cubano durante uma coletiva de imprensa. “Esses são processos feitos com grande discrição. São processos longos que devem ser iniciados primeiro estabelecendo contatos”, salientou Miguel Díaz-Canel.
A abertura do processo de diálogo foi aprovado em reunião do gabinete político da Secretaria e do Comitê Executivo do Conselho de Ministros, onde avaliaram a situação das relações bilaterais com os EUA.
“Já se passaram mais de três meses desde que qualquer navio de combustível entrou em nosso país e estamos trabalhando em condições muito adversas que têm um impacto imensurável na vida de todo o nosso povo”, disse o presidente cubano.
Em 29 de janeiro, o presidente norte-americano, Donald Trump, assinou uma ordem executiva declarando “estado de emergência nacional” em resposta a uma suposta “ameaça incomum e extraordinária” vinda da ilha que, segundo a Casa Branca, prejudicava a segurança dos Estados Unidos. Com isso, o Governo Trump determinou tarifas adicionais para os países que fornecessem petróleo para Cuba, agravando a situação humanitária do país.
Identificar os problemas que afetam a relação entre os dois países
Segundo Díaz-Canel, o objetivo das negociações é identificar os problemas que afetam a relação entre os dois países, encontrar soluções concretas e determinar a real disposição das partes em avançar em ações que beneficiem seus respetivos povos. O processo de negociação também inclui avaliar mecanismos amplos de cooperação para garantir a segurança e a paz na América Latina e no Caribe.
Díaz-Canel lembrou que não é a primeira vez que Havana (a capital cubana) abre canais de diálogo com Washington (capital norte-americana), citando a ocasião em que o ex-presidente cubano Raúl Castro conversou com o então homólogo norte-americano Barack Obama, em 2015. Ainda de acordo com o presidente cubano, as negociações estão sendo conduzidas com base em princípios de igualdade, respeito aos sistemas políticos, soberania e autodeterminação.
Infiltração armada financiada pelos EUA
O presidente cubano aproveitou a ocasião para revelar detalhes sobre a lancha com registo norte-americano que estava navegando de forma ilegal em águas territoriais da ilha e foi frustrada pela Guarda Costeira nacional, em 25 de fevereiro. Cuba afirmou que se tratava de uma infiltração armada com “fins terroristas”.
“Eles vieram fortemente armados com armas de assalto, explosivos e equipamentos militares completos”, disse Díaz-Canel, desmentindo a versão difundida por setores da direita cubana no exílio, que sustentava que os infiltrados buscavam reunir famílias. Segundo o mandatário, não havia espaço físico para nenhum possível membro da família no barco e suas intenções, na realidade, eram atacar unidades militares e centros sociais para semear caos no país.
Nas investigações, todos os capturados reconheceram sua participação e confirmaram que atiraram primeiro contra a embarcação da guarda de fronteira. Além disso, forneceram nomes de recrutadores, locais de treino, fontes de financiamento e propósitos específicos da operação, detalhes que o Governo cubano divulgará conforme o avanço nas investigações.
C/Opera Mundi / Telesur
Foto: DR
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