Trabalhadores da ASA acusam administração de discriminação salarial
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Trabalhadores da ASA acusam administração de discriminação salarial

Rui Jesus, o porta-voz dos trabalhadores da empresa que se encontram em greve, acusou o conselho de administração de faltar à verdade, alertando, ainda, para a segurança operacional que pode estar em causa e estranhou o silêncio das autoridades aeronáuticas perante alertas de avarias reportados desde a última segunda-feira.

Em conferência de imprensa realizada esta terça-feira, 17, na ilha do Sal, o porta-voz dos trabalhadores da ASA, Rui Jesus, reagiu ao recente comunicado do conselho de administração (CA) da empresa, acusando-o de faltar à verdade sobre as negociações e de tentar “esconder” a discriminação salarial entre classes profissionais.

Rui Jesus “desmontou” os principais argumentos do CA, focando-se em três eixos: o sistema de gestão de recursos humanos, os subsídios técnicos e a segurança das operações durante o presente período de greve.

A administração da ASA tem defendido que as reivindicações dos trabalhadores implicam “alterações complexas” no Sistema Integrado de Gestão de Recursos Humanos (SIGRH), uma tese refutada pelo porta-voz dos trabalhadores, alegando que a própria empresa já “abriu o precedente” recentemente.

“A ASA afirma que não pode mexer no sistema, mas a verdade é que já o fez para atender a uma outra classe no final de 2025. O que pedimos não é um aumento salarial cego, mas sim o mesmo tratamento que foi dado aos nossos colegas”, explicou Rui Jesus.

Proposta da administração “institucionaliza a desigualdade”

O porta-voz sublinhou que a proposta da empresa de progressão de 4 porcento (%) para uns e de 10% para outros, apenas “institucionaliza a desigualdade”.

Um dos pontos mais “polémicos” do comunicado da ASA refere que o sindicato não apresentou “fundamento consistente” para o subsídio de tecnicidade dos profissionais de telecomunicações (ATSEP).

“Como pode a empresa dizer que não há fundamento se, no dia da mediação com a Direção Geral do Trabalho, eles simplesmente retiraram o ponto da mesa e disseram que não era matéria de discussão? Recusaram-se a debater e depois vêm a público dizer que não fomos consistentes", denunciou Rui Jesus.

Relativamente aos Técnicos de Informação e Comunicação Aeronáutica (TICAs), o porta-voz clarificou que o subsídio pedido é específico para três técnicos do serviço AIS/MAP, devido a competências adicionais exigidas pela ICAO (Organização da Aviação Civil Internacional), e não um “benefício generalizado” como o CA da ASA deu a entender para “confundir a opinião pública”.

Sobre a garantia da ASA de que as operações na FIR Oceânica do Sal estão seguras através de planos de contingência, Rui Jesus lançou um desafio direto ao conselho de administração: "se 100% dos técnicos qualificados e todas as chefias das áreas em causa estão em greve, como é que a assistência técnica ao controlo de tráfego aéreo está a ser feita? Estão a usar pessoal sem as devidas certificações?", questionou.

Segurança operacional pode estar em causa

O porta-voz dos trabalhadores alertou, ainda, para a segurança operacional que pode estar em causa e estranhou o silêncio das autoridades aeronáuticas perante alertas de avarias reportados desde segunda-feira.

Rui Jesus concluiu reiterando que os trabalhadores não recusam o diálogo, mas exigem que este seja pautado pelo respeito.

"A responsabilidade de reatar as negociações é da empresa. Nós não pedimos esmolas, pedimos justiça laboral e o fim de um ambiente que promove discriminações arbitrárias", rematou.

A greve, que conta com “adesão total” das três classes (TICA, ATSEP e Suporte à Gestão), entra agora numa fase decisiva, sem que haja, até ao momento, novos sinais de aproximação por parte do conselho de administração.

C/Inforpress

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