O MpD que somos e o MpD que queremos: UM MANIFESTO DE ESPERANÇA
Ponto de Vista

O MpD que somos e o MpD que queremos: UM MANIFESTO DE ESPERANÇA

Há uma verdade que a liderança do MPD precisa interiorizar com urgência: a base não existe apenas para mobilizar em vésperas de eleições. A base existe todos os dias convive com o povo, ouve as queixas do vizinho, sente na pele o preço do mercado, conhece as filas dos hospitais e sabe o nome de quem precisa de emprego. A base é, na prática, o olho e o ouvido mais honesto que um partido pode ter. Quando a liderança só procura a base para pedir votos e depois desaparece, desperdiça o recurso mais valioso que tem: o conhecimento real do terreno. Um partido inteligente ouve a sua base não como favor, mas como estratégia porque é ela quem sabe, antes de qualquer sondagem, o que o eleitorado pensa, sente e precisa.

Falar do Movimento para a Democracia é celebrar a própria alma da liberdade em Cabo Verde. Desde aquele 14 de março de 1990, o MPD provou ser a força capaz de transformar o destino de dez ilhas, trazendo o pluripartidarismo, a modernidade e a dignidade a cada cidadão. Os ganhos são imensos e visíveis: construímos estradas, escolas, infraestruturas e uma democracia que é referência em África. Esse legado pertence a cada militante que, com sacrifício e amor à terra, ergueu esta casa comum. É por acreditar profundamente neste projeto que importa, neste aniversário, olhar para a frente com honestidade e com esperança não para celebrar apenas o que foi feito, mas para traçar com clareza o caminho que ainda falta percorrer.

O MPD é, antes de tudo, um partido de pessoas, do povo de Cabo Verde. A sua força nunca esteve nos gabinetes esteve sempre nas ruas, nas comunidades, nos militantes que acreditaram quando era difícil acreditar. Hoje, a vida real dos cabo-verdianos pede que o partido se aproxime ainda mais dessas pessoas: das famílias que sentem o peso do custo de vida, dos jovens que sonham com oportunidades no seu próprio país, dos trabalhadores que esperam que as promessas do desenvolvimento cheguem também às suas mesas. A grandeza de um partido mede-se pela capacidade de escutar antes de falar, de compreender antes de decidir e é essa capacidade que a militância, com todo o afeto, pede à sua liderança.

A democracia que o MPD ofereceu ao país deve ser também a regra dentro das suas próprias fileiras. Uma militância saudável é aquela onde cada voz é ouvida com respeito, onde o mérito orienta as escolhas e onde a diversidade de pensamento é vista como riqueza e não como ameaça. As candidaturas e as listas eleitorais devem espelhar a Cabo Verde real: jovens, mulheres, representantes das ilhas mais distantes, quadros com enraizamento nas comunidades. Quando o partido constrói as suas escolhas com base na competência e na proximidade ao povo, transmite à sociedade a mensagem mais poderosa que um partido democrático pode transmitir a de que os seus valores não são apenas palavras de ordem, mas princípios vividos.

A comunicação do partido com a sociedade é uma das apostas mais importantes da próxima fase. O MPD precisa de voltar às ruas, de realizar Assembleias Comunitárias, de criar canais reais onde o militante e o cidadão possam partilhar as suas angústias e os seus sonhos. O custo de vida, o acesso à habitação, o emprego jovem, a qualidade dos serviços públicos são temas que exigem respostas próximas, ditas com clareza e com empatia. Um partido que governa bem, mas que não conta bem o que faz perde a ligação ao povo. E é essa ligação feita de presença, de escuta e de conversa direta que transforma votos em convicção e simpatizantes em militantes.

Como militante, almejo ver nos próximos anos uma liderança que reconheça, sem hesitação, as áreas onde ainda há muito por fazer: o setor da saúde, onde os cidadãos precisam de sentir melhorias concretas no acesso a cuidados dignos; o sistema alfandegário, onde a simplificação e a transparência são há muito esperadas pelo comércio e pelas famílias e principalmente para fazer respirar o nosso povo da diaspora. Reconhecer estas realidades não é fraqueza é o sinal de um partido maduro, confiante o suficiente para olhar nos olhos do seu povo e dizer: sabemos onde estamos, sabemos onde queremos chegar e não vamos parar enquanto não lá chegarmos.

A renovação é o oxigénio que manterá este movimento vivo. Ela não é uma rutura com o passado glorioso, mas uma garantia de futuro. O espírito de 1990 a humildade de servir, a audácia de inovar, a coragem de ser diferente é o mesmo espírito que deve guiar o MPD de hoje. Um partido que se renova não apaga o que construiu: enriquece-o. Cada nova geração de militantes traz consigo novas perguntas, novas energias e novas formas de chegar àqueles que ainda não foram alcançados. É essa renovação contínua, feita de dentro para fora e com amor à causa, que tornará o MPD imbatível perante qualquer alternativa política.

Há uma verdade que a liderança do MPD precisa interiorizar com urgência: a base não existe apenas para mobilizar em vésperas de eleições. A base existe todos os dias convive com o povo, ouve as queixas do vizinho, sente na pele o preço do mercado, conhece as filas dos hospitais e sabe o nome de quem precisa de emprego. A base é, na prática, o olho e o ouvido mais honesto que um partido pode ter. Quando a liderança só procura a base para pedir votos e depois desaparece, desperdiça o recurso mais valioso que tem: o conhecimento real do terreno. Um partido inteligente ouve a sua base não como favor, mas como estratégia porque é ela quem sabe, antes de qualquer sondagem, o que o eleitorado pensa, sente e precisa.

Que este aniversário seja, por isso, muito mais do que uma festa que seja o ponto de partida de uma nova forma de fazer política dentro do MPD. Ainda vai a tempo: ainda há espaço para corrigir, para reverter, para reconstruir a confiança que une a liderança à base e o partido ao povo. O caminho é conhecido: proximidade, escuta, humildade e presença nos momentos que não são de campanha. O partido tem tudo para ganhar: tem história, tem quadros, tem uma base leal que acredita e tem um país que precisa de liderança forte e próxima. O que se pede, com afeto e com lealdade, é que essa liderança seja empática, que ouça mais do que fala e que coloque sempre o interesse coletivo acima de qualquer outro. Pelo MPD, pela democracia, por Cabo Verde.

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