Ulisses Correia e Silva. "O maior tributo a prestar a Cabral é não partidarizar a sua figura e o seu legado"
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Ulisses Correia e Silva. "O maior tributo a prestar a Cabral é não partidarizar a sua figura e o seu legado"

O Colóquio Amílcar Cabral que decorria desde o passado dia 10 em Santa Maria, em homenagem ao centenário de Amílcar Cabral, chegou ao fim na noite desta quarta-feira, para dar lugar à sexta edição do Festival de Literatura Mundo.

O colóquio, uma iniciativa pontual do escritor/editor Filinto Elísio, da editora Márcia Souto e da professora Inocência Mata, produzido pela Rosa de Porcelana Editora, visava dar um tributo ao Centenário de Amílcar Cabral, “através de reflexões e pronunciamentos sobre o legado de Cabral”.

O encerramento do evento foi também momento para “abrir as portas” a mais uma edição do Festival de Literatura Mundo (FLM), também em homenagem a Amílcar Cabral, em tributo ao centenário do seu nascimento.

Conforme o primeiro-ministro, Ulisses correia e Silva, que presidiu ao acto, Cabral é conhecido no contexto da luta, não do exercício do poder na governação, e por isso, no “centenário de Amílcar Cabral, o maior tributo a prestar-lhe é não partidarizar a sua figura e o seu legado”.

“É preciso ficar em paz com nossa história e o tempo provoca distanciamento necessário e suficiente para análise de fenómenos e personagens históricos, mas valorizando-os em toda a sua dimensão”, sublinhou.

Para o chefe de Governo, Cabo Verde é uma nação com mais de cinco séculos e meio de existência e a sua identidade foi forjada ao longo de séculos.

“Tudo o que acrescenta valor material e imaterial, tudo o que coloca uma pedra na construção do edifício Cabo Verde, tudo o que aumenta a capacidade de resiliência, qualidade e competitividade deste país, tem o nosso apoio, apreço e reconhecimento”, continuou.

Ulisses Correia e Silva concluiu dizendo que de facto “este é o momento de fazer, de reconhecer, valorizar as personagens únicas que Cabo Verde também produziu”.

“É assim que a história se constrói, mas em liberdade e reconhecendo o valor daquele que foi de facto o grande impulsionador da independência de Cabo Verde e que é considerado a nível mundial uma referência do século XX”, concluiu.

Para a professora Inocência Mata, curadora científica do festival, esta edição do festival homenageia apenas Amílcar Cabral, por ser uma “figura singular”, que cria “dificuldade em o igualar”.

“Este é o desafio que se me impõe, tendo em conta que esta edição homenageia apenas Amílcar Cabral, figura singular que se erige a figura tutelar desta edição, arrastando consigo a dificuldade de a igualar”, acrescentou.

“Literatura mundo refere-se a um campo de estudo que aborda a literatura como fenómeno global, indo além das fronteiras nacionais para considerar a interconexão e a troca entre diferentes tradições literárias”, sublinhou.

Assim, continuou, ao estudar Amílcar Cabral, “através desta dimensão ampla do que é a literatura, vemos como esta pode ser uma ferramenta poderosa de resistência e transformação, conectando vozes e experiências a nível global”, no sentido em que a obra de Cabral se mantém “relevante e significativa através de diferentes culturas e épocas.

O FLM-Sal conta com sete mesas temáticas, homenagens, lançamentos de livros, teatro, leituras e visitas a escolas.

A sessão de encerramento do Festival de Literatura-Mundo do Sal, no dia 16 de Junho, deverá ser presidida pelo ministro do Turismo e dos Transportes, ocasião em que será lançado o livro da vencedora do primeiro Prémio Lhana de Literatura.

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