
Francisco Carvalho, criticou hoje o Governo por reverter o contrato de concessão do Ilhéu de Santa Maria e da zona da Gamboa (conhecido por projeto Macau Legend) sem envolver a Câmara Municipal da Praia, e alegou que o terreno em causa é de propriedade municipal, como é do conhecimento do próprio Ulisses Correia e Silva.
O presidente da Câmara Municipal da Praia, Francisco Carvalho, criticou esta segunda-feira, 26, o Governo por reverter o contrato de concessão do Ilhéu de Santa Maria e da zona da Gamboa sem envolver a autarquia no processo. O autarca alegou que o terreno em causa é de propriedade municipal, e que Ulisses Correia e Silva tem conhecimento disso.
Segundo Francisco Carvalho, “é incompreensível que uma decisão dessa dimensão e profundidade” tenha sido tomada sem a participação da autarquia da capital.
“É um contrato de concessão que foi assinado pelo próprio primeiro-ministro, quando ele era presidente da câmara da Praia” disse Francisco Carvalho, adiantando que Ulisses “interrompeu aquele contrato na posição de primeiro-ministro e ignora a instituição Câmara da Praia”, salientou.
Todas as decisões devem salvaguardar os interesses da população
O presidente da Câmara Municipal da Praia, sublinhando que se trata de território municipal e de património da cidade, com impactos urbanísticos, ambientais e económicos diretos na vida das pessoas, defende que a autarquia da capital deve fazer parte central de todo o processo decisório.
Francisco Carvalho advertiu que todas as decisões devem salvaguardar os interesses da população e o futuro da capital do país.
“Estou aqui para defender os interesses da população, para garantir que nenhuma decisão prejudique a cidade da Praia, o município, e coloque em causa o futuro dos cidadãos e de Cabo Verde”, enfatizou o também líder do PAICV, precisando que a boa governação deve ser feita em articulação entre o poder local e o poder central, com diálogo e foco no bem comum.
O presidente da Câmara Municipal considerou que a reversão da concessão, sem concertação com a autarquia, representa uma “tentativa de fuga em frente” e uma forma de silenciamento institucional, reiterando que o processo em curso é mais abrangente e deve envolver as instituições do país.
Pressões políticas, tentativas de intimidação e ataques sistemáticos
“Governantes que estão tremendamente agarrados ao poder, quando são confrontados com posições firmes e legítimas podem recorrer à atitude de força e tentar silenciar quem os incomoda”, acrescentou o presidente, denunciando o uso de “ameaças veladas, pressões políticas e tentativa de intimidação”.
Francisco Carvalho recordou que, desde o primeiro dia do seu mandato na Câmara Municipal de Praia, teve de lidar com “ataques sistemáticos e vis” por parte do Governo.
Ulisses parece ter-se esquecido
Recordamos que o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, avançou no dia 18 de janeiro que a reversão da concessão do projeto turístico Macau Legend resultou de "incumprimentos do promotor”. E, nesse sentido, disse que o Governo avançou com o resgate da concessão, fazendo com que todo o património revertesse novamente para o Estado.
No entanto, Ulisses parece ter-se esquecido que o contrato, para além do Estado de Cabo Verde, também foi assinado pela Câmara Municipal da Praia. O que não deixa de ser estranho, porquanto, nessa ocasião, era ele próprio o presidente da autarquia.
C/Inforpress
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