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A Triste Agonia da Nossa Educação
Colunista

A Triste Agonia da Nossa Educação

"Estamos no arranque de um novo Ano Letivo e, como sempre, tudo parece igual. Não há novidades! Não sabemos bem onde nos encontramos e nem sabemos bem por onde vamos. Uma coisa é certa, ninguém está contente com a nossa Educação".

A Educação é tudo para o homem e para a humanidade, pois é ela que nos faz tornar humanos e é, por via dela, que um país se encontra o caminho do progresso e do bem-estar coletivo. Disto, parece que há poucas dúvidas em Cabo Verde e não se pode dizer que o Estado não tem dado atenção à Educação. O nosso problema, parece estar na FORMA como compreendemos e administramos a Educação. Creio que, num olhar mais atento e qualificado, havemos de perceber que, do ponto de vista teórico-conceptual, pouco compreendemos da Educação e como ela pode impactar as nossas vidas individuais e coletivas. É basta ver como é que ela é organizada, administrada e desenvolvida no nosso país. MUITO AMADORISMO, do topo à base!

Em Cabo Verde, parece que toda gente está “capacitada” para falar da Educação e todos se atrevem falar dela, com um à-vontade incrível! Mais: todos, ou quase todos, se sentem “preparados” para nela trabalhar como professor! Isto acontece em todos os níveis do sistema educativo (do pré-escolar ao ensino superior) e todos se sentem “qualificados” para administrar instituições ou instâncias educacionais (seja Ministério, Delegação, Jardim de infância, Escola Básica, Secundária ou mesmo Universidade). É como se a Educação fosse uma não Ciência, ou seja, é como que se trata de uma área onde não é preciso ter profissionais e dirigentes altamente qualificados (como deveria ser), bastando ter tarefeiros.

Das outras áreas científicas, ou setores que as enformam, poucos se atrevam falar e muito menos se disponibilizem para nelas trabalhar. Refirmo-me, particularmente, à Medicina que é a área mais próxima da Educação.  Provavelmente, em Cabo Verde, poucos sabem da natureza semelhante entre as duas áreas, mas que países como Finlândia, Singapura, Coreia do Sul, Japão, Estados Unidos, entre tantos outros, há muito que assim perceberam e é por isso que, por exemplo, os cursos de Formação de Professores e todos os processos envolventes (antes, durante e depois da formação e ao longo do desenvolvimento da carreira profissional) é muito idêntico.  Há muito cuidado e rigor, por parte do Estado, na seleção e no cuidar de quem trabalha na Educação, porque sabem que o Futuro de um país se joga na Educação.

Estamos no arranque de um novo Ano Letivo e, como sempre, tudo parece igual. Não há novidades! Não sabemos bem onde nos encontramos e nem sabemos bem por onde vamos. Uma coisa é certa, ninguém está contente com a nossa Educação e, consequentemente (porque uma coisa está umbilicalmente ligada à outra), ninguém está satisfeito com o nosso desenvolvimento e com o ambiente social por que passa o país.

Agora, não há volta a dar! Ou procuramos compreender melhor a Educação, nas suas complexidades, e a sua relação com o progresso humano e procedemos com reformas efetivas que se impõem (do topo à base, ou melhor, de base para o topo) e fazer o país avançar, ou continuemos com essas mediocridades, alimentadas por pensamentos estreitos e discursos políticos vazios e desconectados da realidade, e manter o país na sonolência em que se encontra, quanto ao progresso que todos almejamos.

Um bom Ano Letivo a todos!

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