Guiné-Bissau: Militares golpistas têm plano para afastar Simões Pereira da liderança do PAIGC
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Guiné-Bissau: Militares golpistas têm plano para afastar Simões Pereira da liderança do PAIGC

Os militares que tomaram o poder na Guiné-Bissau em novembro do ano passado, pretendem manter Domingos Simões Pereira detido ou obrigá-lo a sair do país e colocar o filho do antigo presidente Nino Vieira na liderança do PAIGC.

A notícia foi inicialmente avançada pelo site “Bissau On-Line”, que citava uma fonte militar. Santiago Magazine teve ocasião de falar com fontes em Bissau que confirmam a notícia e avançam novas informações.

Após libertarem outros políticos detidos após o golpe militar de 26 de novembro, que interrompeu o processo de apuração das eleições presidenciais de 23 desse mês, os militares golpistas deixaram antever a intenção de impedir o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, de participar na vida pública.

Nesse sentido, pretendem mantê-lo detido (ilegalmente e sem culpa formada) para, seguidamente, expulsá-lo do país, entregando o partido ao filho do antigo presidente da Guiné-Bissau e líder do PAIGC Nino Vieira.

O filho de Nino, João Bernardo Vieira, também candidato nas eleições presidenciais de novembro último, foi colocado pelos militares no governo (não reconhecido internacionalmente) saído do golpe, onde ocupa as funções de ministro dos Negócios Estrangeiros. E, nas eleições internas de 2022, foi opositor de Domingos Simões Pereira na corrida para a liderança do PAIGC.

“Um fantoche ao serviço dos militares golpistas”

O resultado nas urnas foi esclarecedor sobre a real influência de Vieira no interior do partido, alcançando apenas 62 dos votos apurados, contra 1662 conquistados por Simões Pereira. O facto de ser filho de Nino, um capital político que utilizou, não teve qualquer impacto junto dos militantes da estrela negra.

Fontes em Bissau consideram João Bernardo Vieira “um fantoche ao serviço dos militares golpistas” e que “não tem qualquer influência no partido”, avançando, ainda, que “nem à força dos militantes do PAIGC o aceitariam como líder”.

Ainda segundo as nossas fontes, o ex-presidente Umaro Sissoco Embaló, “autor intelectual do golpe”, é que comanda à distância os militares, pretendendo abrir caminho para o seu regresso à Guiné-Bissau, organizando novas eleições fraudadas evoltar regressar ao poder. Mas, para isso, precisa de afastar o seu principal opositor: Domingos Simões Pereira.

Foto: DR

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