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Por: Manuel Alves

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É preciso pensar, analisar, avaliar e responsabilizar - a PN precisa de rumo.

In memoriam de Tuto, Hamilton Morais, meu ex-aluno da escola da polícia, que foi um agente exemplar no serviço, extrovertido, honesto e fiel, um amigo que dirigia para mim com absoluta confiança e sem nenhuma barreira hierárquica, eu manifesto publicamente a minha indignação pelas declarações irresponsáveis, extemporâneas, inoportunas e confusas, feitas pelo Director Nacional da PN, em 26-11-2019, numa altura em que o caso se encontra sob investigação das autoridades competentes, por conseguinte, sob o segredo da justiça, com um suspeito/arguido em prisão preventiva. Por sinal, este um agente sereno, discreto, do qual eu não tinha nada a dizer... eu não julgo... não devemos... não podemos...

Só as autoridades competentes, na devida altura, terão a legitimidade de sentenciar sobre esse caso, quando o processo ora em segredo de justiça estiver tramitado/julgado.

Essa tentativa de subverter as regras jurisdicionais foi um desrespeito grave aos familiares do malogrado que, certamente, não contavam com essas declarações tardias e sem nexos, expressamente para tentar esconder as fragilidades institucionais. Perdeu-se respeito pelas autoridades judiciais e quer-se fazer disso uma escola.

Depois de se ter exposto triunfalmente o pobre Jamaica como bode expiatório, etiquetado de delinquente, proibido de circular...

O comportamento da superestrutura da PN causou danos incomensuráveis ao país, ao Estado de Direito, ao governo e à PN, tentando escamotear a realidade dos factos, promovendo especulações de topo tipo, colocando a imagem da corporação policial na corda bamba.

Com dirigentes desse tipo de PR (Paulo Rocha) e EM (Emanuel Estaline) o sentimento de segurança e a própria segurança no seu sentido real é uma quimera.

Eu, embora ausente, recebi a notícia dessa trágica ocorrência, pouco tempo depois de ter acontecido. Eu recebi diversas mensagens sucessivas de agentes, meus fiéis amigos, a me dar conta do sucedido. A minha revolta foi grande, carregada de emoção, impotente, sem poder. O corporativismo pesa muito, sobretudo quando a vida esteja em causa. Paciência!...

Eu fiquei a meditar os cenários para prever as hipóteses, tratando-se de um incidente táctico grave em que um agente valente e corajoso caiu.

Inegavelmente, de três, uma das hipóteses que coloquei empiricamente, é de ter havido um disparo da arma de um dos colegas da equipa, tratando-se de uma intervenção noturna, em ambiente escura ou de fraca luminosidade, sem se ter precavido das regras de segurança para com a arma de fogo nessas circunstâncias. As outras duas hipóteses eram mais remotas. Uma é já de domínio público e da outra eu não vou agora especular, porque não interessa. Eu debati essa hipótese com algumas pessoas da minha afinidade relacional, mas sem julgamento.

O estranho é que, passados todos esses dias, aparece o Director Nacional da PN, desprovido de qualquer traquejo policial e sem nenhum argumento fiável, a querer passar a ideia de que esse caso muito grave foi um acidente.

Pode até ser um acidente. Creio eu. Mas, o Director da PN levou demasiado tempo para vir a dizer isso, aumentando a mágoa e o sofrimento dos familiares e afins do malogrado, depois de muitas especulações que colocam a corporação policial no fundo do pântano.

A tentar esconder o sol com uma peneira, suspendeu-se a comemoração do dia da polícia que, em vez dos “rega-bofes” e condecorações selectivas aos amigos e outros actos folclóricos, podia-se muito bem, modestamente, comemorar esse dia, adaptado a um programa de circunstâncias que não um fingimento de luto.

Eu termino esta comunicação, da mesma forma como eu tinha comunicado na madrugada do trágico acontecimento, nos seguintes termos:

Sejais honestos, valentes, corajosos, determinados e cautelosos em todas as acções!

Paz à alma do nosso agente Hamilton Morais - Tuto.

Profundamente consternado, os meus sentidos pêsames à família, aos parentes, amigos e colegas.

Artigo publicado pelo autor no facebook



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Comentários  

-7 # ceciia 27-11-2019 14:11
NÃO CALA BOCA BU SAI DE LA MUITO ONTEM, SÃO OS FRUTOS QUE DEIXARAM E QUE ESTÃO A AMADURECER
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+1 # Benvindo Semedo 27-11-2019 13:31
Afinal a prova de competência que se propagou aos quatro ventos e prémios para os gestores que demonstraram competências na gestão e que quem não der provas de competência seria descartado esfumaram-se.
A segurança, se bem planificada a sua manutenção, estaria muito melhor. O Comandante Alves tem toda a razão de estar indignado com o que está a acontecer porque eu e a maioria está com o mesmo sentimento. Não me conformo com as mortes e a a apresentação das causas, pela forma e posição como os cadáveres estão a ser encontrados. Tenho dúvidads que as declarações sejam verdadeiras. Mas devemos deixar disso porque está a provocar muito mais indignação no seio do povo em geral.
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0 # toto 27-11-2019 08:26
Concordo em plenitude .
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+1 # Carlos Monteiro 27-11-2019 10:37
Ė preciso que muita gente, sobretudo quem tem responsabilize nessa terra, que, em algumas circunstâncias, convém ficar calada, terá oportunidade de passar por inteligente. O que disse o Diretor de Polícia Nacional, é grave, extemporâneo e despropositado. Isso porque, se for na altura do acontecimento, era uma justificação aceitável. Foi um acidente, em que ouve troca de tiros uma bala perdida acertou o colega que, embora podia ser mentira. Aliás mesmo assim seria uma afirmação precipitada, por o que depois veio a tona. O mais grave é quando disse que não mancha a cor[censurado]çào militar. Tenho dúvida de formação desse Diretor de Polícia Nacional. Disse.
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0 # Vasco miranda 28-11-2019 09:00
Bom dia
Li atentamente o texto do Cmdt Alves oficial de policia e destacado operacional desta instituição. Nada de novo nos traz o seu texto.A PN esteve muito mal a outros crimes que vêm com este crime e o Estado de Direito tem de funcionar. A forma como o cidadão foi tratado nrste caso com tentativas ignobeis de confundir e ocultar um crime não são admissiveis.A coroar tudo isto sem nenhum pudor se sacuda um cidadão inocente colicsngo-o em perigo de vida.
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