Ação humanitária: a face mais nobre da Cruz Vermelha
Sociedade

Ação humanitária: a face mais nobre da Cruz Vermelha

Nos últimos três anos, a Cruz Vermelha de Cabo Verde reforçou o seu papel como uma das principais instituições de resposta social no país, consolidando uma presença ativa em áreas críticas como apoio às famílias vulneráveis, saúde comunitária, resposta a emergências e promoção do voluntariado. Sob a liderança de Arlindo Soares de Carvalho, o mandato ficou marcado por uma aposta simultânea na modernização financeira, fortalecimento da governança, transparência e credibilidade e no alargamento do impacto humanitário no terreno, main core da instituição.


Uma das principais frentes de atuação da Cruz Vermelha foi o apoio direto a famílias em situação de vulnerabilidade e o facto aparece destacado no Relatório de Mandato 2022-25 da CVCV. Ao longo do mandato, milhares de agregados familiares receberam assistência, desde cidadãos afetados pela Covid-19, logo a abrir o mandato, em 2022, aos que foram vitimas das catástrofes climáticas que fustigaram recentemente o norte de Santiago e as ilhas de São Vicente e São Nicolau, evidenciando a Cruz Vermelha cada vez mais como "pilar essencial do sistema nacional de resposta humanitária e social", como escreveu o presidente cessante e candidato a sua sucessão, Arlindo de Carvalho, no texto de abertura do Relatório de Mandato 2022-25 da Cruz Vermelha.

Programas de distribuição de bens essenciais, incluindo alimentos e kits de higiene, foram implementados com regularidade, muitas vezes em parceria com autarquias e organizações internacionais. A instituição também reforçou o acompanhamento social de idosos em situação de isolamento, garantindo visitas domiciliárias e apoio básico continuado, além de proporcionar assistência medica e todos os cuidados nos centros de idosos existentes.

Saúde comunitária e proximidade

Na área da saúde, a Cruz Vermelha intensificou campanhas de sensibilização e prevenção, com foco em doenças transmissíveis, saúde reprodutiva e educação sanitária. De acordo com a CVCV, equipas de voluntários e técnicos estiveram no terreno em várias comunidades, promovendo ações de rastreio e informação.

O transporte de doentes e apoio a evacuações médicas, sobretudo em zonas com menor acesso a estruturas hospitalares, manteve-se como um dos pilares da atuação da instituição, respondendo a necessidades urgentes em diferentes ilhas do arquipélago.

Resposta a emergências e desastres

A capacidade de resposta a situações de emergência foi outro dos eixos centrais do mandato. A Cruz Vermelha esteve envolvida em operações de assistência a vítimas de incêndios, inundações e outros eventos adversos, prestando apoio imediato em termos de abrigo, alimentação e assistência psicossocial.

A instituição reforçou ainda os seus mecanismos de preparação e resposta, com formação de equipas e melhoria da coordenação com a proteção civil e outras entidades estatais.

Juventude e voluntariado em crescimento


O voluntariado continuou a ser a espinha dorsal da organização. De acordo com o Relatório de Mandato 2022-25, nos últimos três anos, registou-se um aumento significativo do número de voluntários, com forte adesão de jovens, o que permitiu ampliar a capacidade de intervenção da Cruz Vermelha em todo o território nacional.

Programas de formação e capacitação foram desenvolvidos para garantir maior profissionalização dos voluntários, reforçando competências em áreas como primeiros socorros, gestão de crises e intervenção comunitária.

Financiamento e sustentabilidade

Grande parte destas ações foi financiada através dos jogos sociais, cuja modernização permitiu à instituição aumentar a sua capacidade de mobilização de recursos. Estima-se que entre 70% e 80% das atividades da Cruz Vermelha sejam suportadas por estas receitas, o que tem permitido maior autonomia na implementação de projetos sociais.

Desafios persistentes

Apesar dos avanços, persistem desafios estruturais. A crescente procura por apoio social, aliada às limitações de recursos humanos e logísticos, continua a pressionar a capacidade de resposta da instituição.

Um mandato entre a modernização e a missão humanitária


O balanço desses anos de liderança de Arlindo de Carvalho, conforme o Relatório de Mandato, revela uma instituição em transformação, que procurou equilibrar inovação e missão social. Se por um lado a digitalização trouxe ganhos de eficiência e financiamento, por outro, foi no terreno — junto das populações mais vulneráveis — que a Cruz Vermelha consolidou o seu verdadeiro papel.

Num país marcado por fragilidades sociais e exposição a riscos climáticos, a atuação da Cruz Vermelha continua a ser um elemento essencial da rede de proteção social, mantendo viva a sua vocação humanitária, promete a direção.

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