
A dirigente do principal partido da oposição Paula Moeda acusou hoje o Governo de ter levado o sistema nacional de saúde ao “colapso”, com falhas graves, falta de recursos, falsas promessas e ausência de respostas eficientes para as necessidades da população. Para além da radiografia do setor, a também deputada avançou algumas medidas que o PAICV pretende implementar na governação, caso vença as eleições de 17 de maio, com foco numa mudança estrutural e humanizada do sistema de saúde.
O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) acusou o Governo de conduzir o sistema nacional de saúde (SNS) ao “colapso”, com falhas graves, falta de recursos, promessas incumpridas e ausência de respostas eficazes para as necessidades da população. A acusação foi feita esta quarta-feira, 18, por Paula Moeda, membro da Comissão Política Nacional do partido.
Segundo a dirigente do PAICV, o executivo de Ulisses Correia e Silva tem recorrido a “números e inaugurações de fachada” para mascarar problemas profundos no setor, frisando que “a verdade é que o Governo tenta esconder [a realidade] atrás de números e desculpas que não convencem a ninguém”, salientou.
Descontentamento generalizado
Paula Moeda relatou episódios recentes, como inaugurações de estruturas de saúde inacabadas e sem mínimas condições adequadas, bem como a contestação pública de profissionais, como sinais de descontentamento generalizado no setor.
Segundo a dirigente do PAICV, a situação nos serviços de saúde é marcada por carências básicas, desde medicamentos e consumíveis, até equipamentos essenciais, afetando diretamente a qualidade do atendimento.
“Alguma vez você sentiu falta de gesso em Cabo Verde? Em 50 anos, falta de gesso, o mínimo para imobilizar”, questionou, sublinhando a gravidade da situação.
Paula Moeda denunciou, ainda, o que considera ser um “pesadelo” no sistema de evacuações médicas, com atrasos prolongados tanto nas ilhas como para o exterior, prejudicando doentes em estado crítico. “Enquanto o Governo analisa processos, vidas definham e perdem-se”, afirmou.
A também deputada apontou, igualmente, a falta de seguimento de casos clínicos e o apoio às famílias, referindo que situações como a do “menino Dário” evidenciam fragilidades estruturais do sistema, desde os cuidados primários até à continuidade dos tratamentos.
“O caso do Dário não é um caso, são vários casos”, disse Paula Moeda, defendendo maior responsabilidade do Estado no acompanhamento dos pacientes.
A dirigente do maior partido da oposição criticou, ainda, o incumprimento de compromissos assumidos pelo Governo, incluindo a construção de infraestruturas de saúde, implementação de médicos e enfermeiros de família e redução do tempo de evacuações para 72 horas.
Perante este cenário, o PAICV apresentou um conjunto de medidas que pretende implementar caso vença as eleições legislativas de 17 de maio, com foco numa mudança estrutural e humanizada do sistema de saúde.
Humanização e eficiência do sistema de saúde
Entre as principais medidas, Paula Moeda destacou a melhoria da gestão e planeamento dos recursos, com combate ao desperdício, que estimou entre 30 e 40 porcento (%), apontando a valorização dos profissionais de saúde como outra prioridade, com a resolução de pendências laborais, melhores condições de trabalho e maior diálogo com as classes profissionais do setor.
O PAICV propõe, também, a implementação de uma abordagem de proximidade, com reforço dos cuidados primários, maior presença nas comunidades e adaptação às realidades locais, bem como a progressiva gratuitidade dos serviços de saúde, sustentada por uma gestão mais eficiente dos recursos existentes.
A humanização dos cuidados e o acompanhamento contínuo dos pacientes e suas famílias, integram também as propostas do partido, bem como a melhoria do sistema de evacuações clínicas, com redução dos prazos e maior eficiência.
C/Inforpress
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Comentários
Casimiro Centeio, 18 de Mar de 2026
Pois bem, Dona Paula! Quem é o pior inimigo do Homem? - O nosso pior inimigo não é quem nos ataca, odeia ou move guerra contra nós. O nosso pior inimigo é a MENTIRA !!!!! Axiomaticamente!!!! O sr. Ulisses vem mover essa "guerra" contra nós desde 2016, deixando muitos feridos e refugiados no estrangeiro... E quer ainda continuar !!!
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