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Por: José Valdemiro Lopes*

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Hoje, em Cabo Verde, a própria natureza dos municípios e do governo local, temos de o reconhecer, mudou, significativamente, nesta nova legislatura, graças á descentralização administrativa, efectuada, sob a forma de transferência, sobretudo de meios financeiros, para financiamento de projectos locais,… o oxigénio vital que todos os municípios cabo-verdianos exigiam do poder central, há muito tempo …

Esta nova fonte de “investimentos” deu resposta positiva a factores previstos e mesmo imprevistos essencialmente na Praia cidade capital e de certa maneira no segundo centro urbano do país, a cidade de Mindelo que verificaram, mudanças na rápida urbanização que multiplicou as interdependências de forma global com implicação para a descentralização política administrativa. Todas as medidas orientadas para o poder local e resultados, uns fracos e outros impactantes, confirmam que Cabo Verde não tem outra alternativa senão seguir, corajosamente para a Regionalização de facto.

A conjuntura internacional, actual, é pouco favorável a grandes sonhos de desenvolvimento para países pequenos e pobres, como é o caso de Cabo Verde e a circunstância, obriga-nos a uma disciplina pragmática de observar e prever impactos: social, económico e ambiental a ter em conta em todos os projectos em curso ou programados e os vindouros, em todas e quaisquer das dez ilhas do arquipélago.

Todo este cenário e outros, nacional e internacional, configuraram, as duas, principais cidades de Cabo Verde (Praia & Mindelo) e as mais restantes dos outros vinte municípios, como figuras concretas no marco histórico da globalização, graças sobretudo á “explosão”, da tecnologia de informação e de comunicação. As cidades querem assumir e com razão o papel legítimo de serem centros de poder politico, económico, cultural e simbólico...

Tanto Praia, como Mindelo, desenvolveram-se fruto das suas próprias capacidades de aglomeração, (aliás podemos afirmar que São Vicente, a ilha toda é cidade), estes dois principais burgos, cabo-verdianos, concentram pessoas, serviços, empresas, talentos e conectividade global, por intermédio de infraestructuras físicas digitais (smartphone e Internet), mas creio que o mais importante é o relacional social interno e com a diáspora.

Podemos concluir que hoje em pleno século vinte e um temos a necessidade de impulsionar muito mais ainda a “acção e governança” como dimensão própria dos governos locais, os governos mais próximos dos cidadãos.

Se Praia, Sal e Boavista, vivem melhor clima económico e financeiro, qual a melhor forma de criar condições, para se contagiar as outras cidades e regiões do país a viverem ou mesmo ultrapassar esse nível económico, que irá se traduzir, seguramente em crescimento económica e baixa de desemprego?

Como profissional da informática e um dos primeiros pioneiros nacionais, na área, convictamente afirmo que em pleno século vinte e um, já não estamos isolados, já não somos ilhas e arquipélago, mas sim um mundo e planeta global onde vivemos todos interconectados os territórios e regiões cabo-verdianos das nove ilhas habitadas, precisam, conectar-se de maneira consciente, como parte central do modelo e marca da cidade ou região e a imagem global da nação cabo-verdiana a projectar e modernizar.

Somos, todos, cada um na sua área, actores do desenvolvimento de Cabo Verde, mas paradoxalmente cooperamos pouco entre nós e é urgente, ultrapassar a dinâmica de simples contestação, embora a implementação de alguns esforços o compromisso cooperativo das instituições é ainda escasso. A nação cabo-verdiana deve inovar e conceber um projecto integral, modelo de cooperação entre instituições públicas, sectores privados e mesmo particular, mas que responda, aos anseios da população, às nossas singularidades, com incidência social e respeito institucional, associado ao politicamente correcto, interessando a todos, portanto sem discriminar ninguém, comprometendo todos os cidadãos desta jovem nação ilhas.

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