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Claudia spencer

A directora comercial da Salss, “maior importadora” de bebidas alcoólicas em Cabo Verde, espera que a nova lei combata o mau álcool, e que os promotores de eventos terão que procurar outra forma de patrocínios e serem “auto-sustentáveis”.

Para Cláudia Spencer, responsável da empresa representante de várias marcas de bebidas alcoólicas em Cabo Verde, não é proibindo a publicidade que se vai conter o consumo exagerado do álcool.

A representante da Salss regozija-se com a lei que entra em vigor no próximo dia 05 de Outubro, e, segundo ela, traz benefícios no controlo do mau álcool, mas, por outro lado, criticou alguns aspectos.

“Fala-se num consumo exagerado do álcool em Cabo Verde e esse consumo foca-se nas cervejas e bebidas espirituosas, quando não é bem assim. Nós sabemos que há um consumo sem controlo do “mau álcool”, que é produzido localmente”, demonstrou, referindo-se à aguardente.

Conforme realçou, desde que haja mais fiscalização do “mau álcool”, sentir-se-ão satisfeitos, porque, segundo ela, a Salss trabalha com cervejas e outras bebidas espirituosas, que têm todos os comprovativos e verificação da sua qualidade, por serem produzidas no espaço europeu.

“Nós estamos de acordo com a lei no que concerne ao controlo do mau álcool, mas há alguns pontos que achamos que, de uma certa forma, se exagerou um bocado, principalmente no que toca à publicidade”, frisou.

Instada a comentar sobre a proibição da publicidade e como é que irão se adaptar em termos de negócios, Cláudia Spencer disse: “Nós teremos que ser criativos e arranjar outras formas de comunicar. Não achamos que seja por aí que se vai controlar o consumo do álcool”.

Replicou, por outro lado, que as pessoas já conhecem determinadas marcas de bebidas, o que, no seu entender, futuramente, vai haver uma “concorrência desleal”, uma vez que um produto novo ficará em desvantagem em relação aos outros.

“Esta nova lei não vai impedir as pessoas de beberem. Não se pode dizer a um adulto, em poder das suas faculdades, se deve ou não deve beber. Portanto, cabe a esse adulto, a responsabilidade de saber como tomar”, opinou.

“Nós que importámos, pagamos os impostos nas alfândegas, conforme estão previstos na lei. Há um imposto de consumo especial que, na lei diz que a produção local de bebidas alcoólicas deveria pagar. O grogue (aguardente) ou o mau grogue por assim dizer, não paga”, lamentou, acrescentando que, “até há pouco tempo, a cerveja de produção local não pagava”.

Esta empreendedora aplaudiu, no entanto, todo o trabalho feito pela Inspecção-Geral das Actividades Económicas (IGAE), mas, conforme ela, “tudo isso não é suficiente”.

“O Governo tem que fazer com que os produtores locais cumpram com as suas obrigações, cobrando o imposto de consumo especial, porque o Estado está a deixar de cobrar receitas”, sugeriu.

Receitas estas, que, segundo opinou, poderiam ser usadas para acções de prevenção nas escolas e outros espaços.

De acordo com o estudo “Álcool em Cabo Verde”, feito de 2015 a 2016, nas ilhas de Santo Antão e São Vicente e Santiago Norte, promovido pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), por ano, cada pessoa consome uma média 20,2 litros de bebidas alcoólicas.

Desses 20,2 litros, a bebida mais consumida é aguardente (6,1 por cento (%), seguida de vinho (5,1%) e cerveja (3,5%).

O referido estudo do INE indica, também, que a condução sob efeito do álcool foi a maior causa dos acidentes de viação nos anos de 2015 e 2016 (41,8%).

A investigação em apreço revelou que, em 2015, se registaram, nas regiões onde foi feito o estudo, 63 óbitos por alcoolismo, com maior incidência em Santiago Norte, que obteve 24 das 63 mortes, sendo 21 homens e três mulheres.

De acordo com a mesma fonte, a despesa média anual em gastos por pessoas em bebidas alcoólicas, por ilha, em 2015, foi de 7.858 escudos.

Estes dados levam a entrevistada da Inforpress a pensar que o problema do uso do álcool está no produto local (grogue), ou seja, “no mau álcool”.

“As pessoas não conseguem comprar uma cerveja, que tem 5% do álcool, neste caso a Super Bock, por menos de 120 escudos, no entanto, conseguem comprar uma dose do mau álcool por 20 escudos”, exemplificou.

Na sua opinião, tem que haver o controlo da produção e da qualidade dos produtos locais, bem como a cobrança dos impostos que, a seu ver, automaticamente, o preço vai aumentar e, consequentemente, isso terá impacto nas formas do consumo.

Para Cláudia Spencer, o problema do álcool em Cabo Verde está identificado e apontou “várias formas ilegais” como são produzidos os grogues, utilizando produtos, como pilhas e lixivia, que, no seu entender, “são nocivos para a saúde das pessoas”.

“A lei deveria focar-se no problema que todos nós sabemos e reconhecemos. Temos que ter em conta o factor turístico, que é um dos sectores chaves da nossa economia, ao invés de andarmos aqui numa caça às bruxas, quando sabemos e reconhecemos qual é o real problema do consumo do álcool em Cabo Verde”, enfatizou.

A lei nº 51/IX/2019 de 08 de Abril foi elaborada no âmbito da campanha “Menos Álcool, Mais Vida”, promovida pela Presidência da República, com o pressuposto de que o alcoolismo constitui “um importante problema social e de saúde pública”, interferindo “negativamente” na vida pessoal e social de um indivíduo.

Além de proibir a publicidade de bebidas alcoólicas, bem como a sua venda nos serviços e organismos da Administração Pública central e local, nos locais de trabalho, quiosques e outros espaços, a lei zela, também, pela prevenção da procura em espaço escolar, locais de lazer, entre outros, tendo em vista a protecção da saúde e segurança.

Os produtores de boa aguardente são unânimes de que a nova lei do álcool constitui uma mais-valia no sentido de “valorizar” o grogue, além de proteger a saúde de quem consome.

Para Manuel Faustino, o rosto da campanha anti-álcool em Cabo Verde, a nova lei do álcool é uma “ferramenta fundamental” que cria as condições de melhoria da situação de saúde da população, uma vez que contempla aspectos “extremamente importantes” para a problemática do alcoolismo em Cabo Verde.

Por sua vez, o inspector-geral das Actividades Económicas, Elisângelo Monteiro, garantiu que a fiscalização sai reforçada, até porque, diz ele, a lei que vai vigorar a partir deste sábado “reforça os poderes” da instituição que dirige.

O Primeiro Inquérito Nacional sobre o Consumo de Substâncias Psicoactivas no Ensino Secundária (PINCSPES) demonstrou que 45,4% de estudantes entre 12 e 18 anos já ingeriram álcool, pelo menos uma vez na vida, embora a lei em vigor proíba a venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos.

O estudo revelou que o início do consumo do álcool no país se dá em idades precoces, levando a uma maior probabilidade de ocorrência de dependência alcoólica, assim como consequências directas a nível do sistema nervoso central, com défices cognitivos e de memória, limitações a nível de aprendizagem e, bem assim, ao nível do desempenho profissional.

Com Inforpress



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Comentários  

0 # vaca 03-10-2019 15:26
Só em Cabo Verde. Vai iniciar a aplicação da Lei do Alcool e este jornal coloca na capa afirmamações baseadas no ACHISMO da representante da empresa que até agora teve lucros milionários com a venda de Alcool. Só em Cabo Verde mesmo.
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